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Rouanet no interior abre inscrições a projetos de patrimônio imaterial

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Projetos de patrimônio imaterial podem se inscrever no Programa Rouanet no Interior até o dia 30 de abril. 

O edital oferece seis milhões de reais para incentivar ações em cidades de pequeno porte, em regiões específicas, em quatro estados e no Distrito Federal. A Sarah Quines tem mais detalhes…

O edital é voltado para ações de preservação do patrimônio imaterial, como as tradições de saberes e modos de fazer, rituais e festividades populares. 

O incentivo busca democratizar e nacionalizar o financiamento cultural e contempla projetos na Chapada Diamantina e cidades históricas da Bahia; em Pajeú e na Rota do Cangaço, em Pernambuco; no Vale do Ribeira, em São Paulo; no Seridó Potiguar, no Rio Grande do Norte;  e em Ceilândia, Planaltina e Brazlândia, no Distrito Federal. 

Pelo menos 30 projetos de cinco áreas devem ser selecionados nas categorias: patrimônio, artes cênicas, humanidades, música e artes visuais, com até duzentos mil reais cada. 

O programa também contempla propostas de arte religiosa, de culturas afro-brasileira, urbana, tradicionais e populares, da infância e criações de indivíduo ou grupo de pessoas com deficiência. 

Quem nunca executou projetos via Lei Rouanet vai receber dez pontos extras na avaliação técnica — a medida busca democratizar o acesso aos recursos federais. Os participantes devem estar sediados e realizar as atividades exclusivamente nas cidades incluídas no edital. 

É possível consultar quais produtos culturais são admitidos no site salic.cultura.gov.br. As inscrições,  que seguem até o dia 30 de abril,  também podem ser feitas no mesmo endereço. 


Fonte: EBC Cultura

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90 anos Rádio Nacional: o legado do Repórter Esso no radiojornalismo

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A imprensa é análise, o rádio é síntese. A imprensa dirige-se aos que sabem ler. O rádio fala, também, aos que são analfabetos”. Essas palavras são de Heron Domingues, jornalista que apresentou o Repórter Esso entre 1944 e 1962. O noticiário estreou na Rádio Nacional do Rio de Janeiro em agosto de 1941, com a cobertura da Segunda Guerra Mundial. Um ano antes, em março de 1940, a emissora fundada pelo grupo do jornal A Noite havia sido estatizada pelo presidente Getúlio Vargas. 

Numa época em que mais da metade da população brasileira era analfabeta, o rádio conseguiu ampliar o alcance da informação.

Para João Batista de Abreu, jornalista e professor da UFF, a Universidade Federal Fluminense, o Repórter Esso estabeleceu uma relação de confiança com os ouvintes. 

“Eu acho que a ideia de credibilidade, talvez seja a coisa mais importante. Até hoje,  a gente tem a expressão: deu no rádio. Se deu no rádio, é porque é verdade. Isso é marcante em todas as emissoras. Mas basicamente por conta do Repórter Esso”. 

 

Com o slogan “o primeiro a dar as últimas”, fazendo referência às notícias, o Repórter Esso trouxe a ideia de agilidade e instantaneidade ao rádio, em quatro edições de cinco minutos ao longo do dia, além das edições extras. Antes dele, as informações vinham de recortes do que os jornais impressos já haviam anunciado. Com o Esso, surge uma linguagem própria de radiojornalismo. Marcelo Abud, pesquisador de rádios e professor do tema na Universidade FAAP em São Paulo, destaca Heron Domingues como referência. 

“É muito interessante ouvir o manual do Repórter Esso na voz do Heron Domingues, porque ele vai dar essas noções, ele vai dizer, olha, você vai acordar as pessoas dando notícia, então você precisa passar isso com animação. Não pode ser algo que você fale monotonamente, porque senão ninguém vai querer te ouvir e tudo mais. É uma grande marca”.

Em 1948, Heron Domingues assumiu a Seção de Jornais Falados e Reportagens na Rádio Nacional, a primeira redação voltada ao radiojornalismo no país, com equipe formada por um chefe, quatro redatores e um colaborador do noticiário parlamentar.

Atualmente, a equipe da emissora é bem maior: tem quase 50 pessoas, entre repórteres, editores, produtores, locutores, coordenadores e gerência, que respondem a uma diretoria de jornalismo.

São produzidas três edições do radiojornal Repórter Nacional, os boletins Nacional Notícias, além dos programas jornalísticos Ritmo da Notícia e Alô, Alô Brasil.

Em 2007, a Rádio Nacional passou a ter caráter público e não mais estatal, com a criação da EBC, a Empresa Brasil de Comunicação.

  A diretora de Jornalismo da EBC, Myrian Pereira, destaca o compromisso do Radiojornalismo com o interesse social e a cidadania.

“Hoje, como comunicação pública, a nossa missão, claro, é honrar essa tradição de credibilidade com olhar atento ao interesse social, aos direitos humanos e, eu diria, principalmente, à diversidade. O rádio evoluiu, mas a confiança do ouvinte no nosso compromisso com a verdade, com certeza, é o patrimônio da Rádio Nacional”.

O jornalismo da emissora de 90 anos segue com a essência da revolução trazida pelo Repórter Esso, testemunha ocular da história, com foco no interesse da sociedade brasileira e o compromisso com a busca da verdade, da precisão e da clareza, o respeito aos fatos, aos direitos humanos e a diversidade de opiniões.

*Com colaboração de Guilherme Strozzi e Raquel Júnia.


Fonte: EBC Cultura

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