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São Marçal reúne grupos e celebra cultura do boi

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São Luís do Maranhão celebra nas primeiras horas da manhã desta terça-feira uma das principais festas populares da cidade, ligadas ao Auto do Bumba Boi do Maranhão: é o encontro de Bois nos festejos de São Marçal, no bairro do João Paulo. A festa que reúne milhares de pessoas e brincantes no tradicional encontro dos batalhões de bois de matraca também celebra o Dia Nacional do Bumba Meu Boi.

Antigamente a celebração marcava simbolicamente o fim do ciclo junino em São Luís, mas hoje, com os arraiás fora de época que seguem pelo mês de julho e as cerimônias de morte do boi que avançam ainda pelas semanas seguintes, pode-se dizer que o Festejo marca mesmo é o fechamento de uma temporada e o início de outra no calendário do São João ludovicense.

Esta é a edição de número 99 do festejo de São Marçal. A expectativa é que pelo menos 30 grupos de bumba meu boi de sotaque de matraca – também conhecido como sotaque Ilha – passem em cortejos pela Avenida São Marçal, cantando toadas, acompanhados por matracas, pandeirões e tambores-onça, para homenagear o santo, ao longo da terça-feira.

Apesar de não ser canonizado pela Igreja Católica, São Marçal é considerado o protetor dos brincantes do bumba meu boi do Maranhão. Símbolo de orgulho maranhense atualmente, a festa teve origem, segundo pesquisadores e mestres da cultura, como um movimento de resistência contra o preconceito no passado.

A Festa de São Marçal teria surgido a partir da proibição dos grupos de Bumba meu boi “brincarem” no Centro de São Luís para que fosse mantida a segurança, a ordem e a tranquilidade durante o São João. Mas esse ato encobria a discriminação e o preconceito contra a cultura do Bumba Boi maranhense pela sociedade. Como a polícia da época não deixava os boieiros avançarem para além dos limites do antigo bairro do Areal, onde hoje está o João Paulo, o bairro se tornou o ponto de encontro e também o símbolo de resistência dos grupos de Bumba Boi.


Fonte: EBC Cultura

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90 anos Rádio Nacional: o legado do Repórter Esso no radiojornalismo

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A imprensa é análise, o rádio é síntese. A imprensa dirige-se aos que sabem ler. O rádio fala, também, aos que são analfabetos”. Essas palavras são de Heron Domingues, jornalista que apresentou o Repórter Esso entre 1944 e 1962. O noticiário estreou na Rádio Nacional do Rio de Janeiro em agosto de 1941, com a cobertura da Segunda Guerra Mundial. Um ano antes, em março de 1940, a emissora fundada pelo grupo do jornal A Noite havia sido estatizada pelo presidente Getúlio Vargas. 

Numa época em que mais da metade da população brasileira era analfabeta, o rádio conseguiu ampliar o alcance da informação.

Para João Batista de Abreu, jornalista e professor da UFF, a Universidade Federal Fluminense, o Repórter Esso estabeleceu uma relação de confiança com os ouvintes. 

“Eu acho que a ideia de credibilidade, talvez seja a coisa mais importante. Até hoje,  a gente tem a expressão: deu no rádio. Se deu no rádio, é porque é verdade. Isso é marcante em todas as emissoras. Mas basicamente por conta do Repórter Esso”. 

 

Com o slogan “o primeiro a dar as últimas”, fazendo referência às notícias, o Repórter Esso trouxe a ideia de agilidade e instantaneidade ao rádio, em quatro edições de cinco minutos ao longo do dia, além das edições extras. Antes dele, as informações vinham de recortes do que os jornais impressos já haviam anunciado. Com o Esso, surge uma linguagem própria de radiojornalismo. Marcelo Abud, pesquisador de rádios e professor do tema na Universidade FAAP em São Paulo, destaca Heron Domingues como referência. 

“É muito interessante ouvir o manual do Repórter Esso na voz do Heron Domingues, porque ele vai dar essas noções, ele vai dizer, olha, você vai acordar as pessoas dando notícia, então você precisa passar isso com animação. Não pode ser algo que você fale monotonamente, porque senão ninguém vai querer te ouvir e tudo mais. É uma grande marca”.

Em 1948, Heron Domingues assumiu a Seção de Jornais Falados e Reportagens na Rádio Nacional, a primeira redação voltada ao radiojornalismo no país, com equipe formada por um chefe, quatro redatores e um colaborador do noticiário parlamentar.

Atualmente, a equipe da emissora é bem maior: tem quase 50 pessoas, entre repórteres, editores, produtores, locutores, coordenadores e gerência, que respondem a uma diretoria de jornalismo.

São produzidas três edições do radiojornal Repórter Nacional, os boletins Nacional Notícias, além dos programas jornalísticos Ritmo da Notícia e Alô, Alô Brasil.

Em 2007, a Rádio Nacional passou a ter caráter público e não mais estatal, com a criação da EBC, a Empresa Brasil de Comunicação.

  A diretora de Jornalismo da EBC, Myrian Pereira, destaca o compromisso do Radiojornalismo com o interesse social e a cidadania.

“Hoje, como comunicação pública, a nossa missão, claro, é honrar essa tradição de credibilidade com olhar atento ao interesse social, aos direitos humanos e, eu diria, principalmente, à diversidade. O rádio evoluiu, mas a confiança do ouvinte no nosso compromisso com a verdade, com certeza, é o patrimônio da Rádio Nacional”.

O jornalismo da emissora de 90 anos segue com a essência da revolução trazida pelo Repórter Esso, testemunha ocular da história, com foco no interesse da sociedade brasileira e o compromisso com a busca da verdade, da precisão e da clareza, o respeito aos fatos, aos direitos humanos e a diversidade de opiniões.

*Com colaboração de Guilherme Strozzi e Raquel Júnia.


Fonte: EBC Cultura

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