Cultura
Um reencontro com a literatura: clubes do leitura crescem pelo país
Cultura
Pontos de encontro entre apaixonados por livros, os Clubes de Leitura têm sido uma grande atração, não somente para estimular o hábito de ler, mas para aproximar pessoas, incentivar a reflexão e ajudar os leitores a descobrir novos autores. 

De acordo com a Câmara Brasileira do Livro, os clubes tiveram um crescimento de 35% nas duas últimas décadas, na contramão do esvaziamento de muitas livrarias, da redução na venda de livros e da perda de leitores.
No Centro Cultural Banco do Brasil, o projeto existe há cinco anos, de forma gratuita. Além das leituras e discussões em grupo, a iniciativa conta com encontros de autores com os frequentadores.
A pedagoga Lila Maia é uma dessas pessoas. Ela fala sobre a importância do projeto em sua vida.
“Eu participo do clube de leitura desde que começou. Eu sou fã dessas iniciativas voltadas para as artes. Esse evento do CCBB não pode terminar. Ele te abre portas no sentido de você conhecer mais. É muito bom quando você vai no evento e você diz para si mesmo: puxa, como eu aprendi mais”.
A curadora e mediadora do clube, Suzana Vargas, explica como funciona o projeto.
“Os encontros do Clube de Leitura do CCBB são mensais. O clube funciona regularmente, né, de março a dezembro com 2 horas de duração. Nós temos 10 meses, com 10 e até 15 autores participando”.
Suzana Vargas comenta sobre como o projeto tem contribuído para despertar o hábito de leitura nos participantes.
“Os retornos são muito bonitos, que me dão, no caso, né, muita alegria, porque as pessoas vêm conversar comigo sobre o reencontro com a literatura. Que, muitas vezes, elas veem no clube, né, nessas reuniões, né, uma forma de reencontrar os sentidos da literatura”.
Os clubes de leitura on-line também registraram crescimento, especialmente a partir do período da pandemia. Com maior flexibilidade, eles têm sido uma importante ferramenta para conversas sobre literatura entre pessoas de todo o país.
Cultura
90 anos Rádio Nacional: o legado do Repórter Esso no radiojornalismo
A imprensa é análise, o rádio é síntese. A imprensa dirige-se aos que sabem ler. O rádio fala, também, aos que são analfabetos”. Essas palavras são de Heron Domingues, jornalista que apresentou o Repórter Esso entre 1944 e 1962. O noticiário estreou na Rádio Nacional do Rio de Janeiro em agosto de 1941, com a cobertura da Segunda Guerra Mundial. Um ano antes, em março de 1940, a emissora fundada pelo grupo do jornal A Noite havia sido estatizada pelo presidente Getúlio Vargas. 

Numa época em que mais da metade da população brasileira era analfabeta, o rádio conseguiu ampliar o alcance da informação.
Para João Batista de Abreu, jornalista e professor da UFF, a Universidade Federal Fluminense, o Repórter Esso estabeleceu uma relação de confiança com os ouvintes.
“Eu acho que a ideia de credibilidade, talvez seja a coisa mais importante. Até hoje, a gente tem a expressão: deu no rádio. Se deu no rádio, é porque é verdade. Isso é marcante em todas as emissoras. Mas basicamente por conta do Repórter Esso”.
Com o slogan “o primeiro a dar as últimas”, fazendo referência às notícias, o Repórter Esso trouxe a ideia de agilidade e instantaneidade ao rádio, em quatro edições de cinco minutos ao longo do dia, além das edições extras. Antes dele, as informações vinham de recortes do que os jornais impressos já haviam anunciado. Com o Esso, surge uma linguagem própria de radiojornalismo. Marcelo Abud, pesquisador de rádios e professor do tema na Universidade FAAP em São Paulo, destaca Heron Domingues como referência.
“É muito interessante ouvir o manual do Repórter Esso na voz do Heron Domingues, porque ele vai dar essas noções, ele vai dizer, olha, você vai acordar as pessoas dando notícia, então você precisa passar isso com animação. Não pode ser algo que você fale monotonamente, porque senão ninguém vai querer te ouvir e tudo mais. É uma grande marca”.
Em 1948, Heron Domingues assumiu a Seção de Jornais Falados e Reportagens na Rádio Nacional, a primeira redação voltada ao radiojornalismo no país, com equipe formada por um chefe, quatro redatores e um colaborador do noticiário parlamentar.
Atualmente, a equipe da emissora é bem maior: tem quase 50 pessoas, entre repórteres, editores, produtores, locutores, coordenadores e gerência, que respondem a uma diretoria de jornalismo.
São produzidas três edições do radiojornal Repórter Nacional, os boletins Nacional Notícias, além dos programas jornalísticos Ritmo da Notícia e Alô, Alô Brasil.
Em 2007, a Rádio Nacional passou a ter caráter público e não mais estatal, com a criação da EBC, a Empresa Brasil de Comunicação.
A diretora de Jornalismo da EBC, Myrian Pereira, destaca o compromisso do Radiojornalismo com o interesse social e a cidadania.
“Hoje, como comunicação pública, a nossa missão, claro, é honrar essa tradição de credibilidade com olhar atento ao interesse social, aos direitos humanos e, eu diria, principalmente, à diversidade. O rádio evoluiu, mas a confiança do ouvinte no nosso compromisso com a verdade, com certeza, é o patrimônio da Rádio Nacional”.
O jornalismo da emissora de 90 anos segue com a essência da revolução trazida pelo Repórter Esso, testemunha ocular da história, com foco no interesse da sociedade brasileira e o compromisso com a busca da verdade, da precisão e da clareza, o respeito aos fatos, aos direitos humanos e a diversidade de opiniões.
*Com colaboração de Guilherme Strozzi e Raquel Júnia.
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