Cultura
Via Sacra do Morro da Capelinha mostra a força e a fé da comunidade
Cultura
Uma das maiores encenações da Paixão e Morte de Cristo do Brasil completa neste ano 53 edições. É a tradicional Via Sacra do Morro da Capelinha, que vai ocorrer nesta sexta-feira, 3, a partir das 16h, logo após a Celebração da Cruz, que inicia às 15h.

Mas a programação do evento começa já nesta quinta-feira, com uma encenação da Santa Ceia, depois da Missa marcada para as 20h.
A Via Sacra do Morro da Capelinha é realizada em Planaltina, no Distrito Federal, e reúne milhares de fiéis e turistas todos os anos.
Somente na edição do ano passado, foram registradas mais de 100 mil pessoas presentes no espetáculo, além de 1,4 mil voluntários, que incluem atores, figurantes e a equipe de produção.
O diretor geral do grupo da Via Sacra do Morro da Capelinha, Preto Rezende, explica que o evento foi criado pelo Padre Aleixo Susin, após o pároco sonhar com jovens encenando a Paixão de Cristo.
“Ele tinha o hábito de ir ao Morro da Capelinha e, em oração, costumava contemplar a paisagem e ele disse que viu, como em sonho, jovens encenando e representando a Paixão de Cristo, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo lá nesse Morro da Capelinha. E ele trouxe isso pra dentro da Paróquia e trouxe grupos para poder participar”.
Preto Rezende ainda afirma que foi a força da comunidade de Planaltina que tornou esse evento tão tradicional não só no Distrito Federal, mas em todo o Brasil.
“O que levou essa celebração a se tornar tão tradicional foi a força dessa comunidade de Planaltina. Dessas pessoas, desses 1,4 mil membros, todos voluntários, fazendo esse trabalho de evangelização através da arte”.
No início de março, um Projeto de Lei que reconhece a Via Sacra do Morro da Capelinha como manifestação da cultura nacional foi aprovado pela Comissão de Educação e Cultura do Senado. O texto agora deverá ser apreciado pela Câmara dos Deputados.
*Com supervisão de Bianca Paiva
Cultura
90 anos Rádio Nacional: o legado do Repórter Esso no radiojornalismo
A imprensa é análise, o rádio é síntese. A imprensa dirige-se aos que sabem ler. O rádio fala, também, aos que são analfabetos”. Essas palavras são de Heron Domingues, jornalista que apresentou o Repórter Esso entre 1944 e 1962. O noticiário estreou na Rádio Nacional do Rio de Janeiro em agosto de 1941, com a cobertura da Segunda Guerra Mundial. Um ano antes, em março de 1940, a emissora fundada pelo grupo do jornal A Noite havia sido estatizada pelo presidente Getúlio Vargas. 

Numa época em que mais da metade da população brasileira era analfabeta, o rádio conseguiu ampliar o alcance da informação.
Para João Batista de Abreu, jornalista e professor da UFF, a Universidade Federal Fluminense, o Repórter Esso estabeleceu uma relação de confiança com os ouvintes.
“Eu acho que a ideia de credibilidade, talvez seja a coisa mais importante. Até hoje, a gente tem a expressão: deu no rádio. Se deu no rádio, é porque é verdade. Isso é marcante em todas as emissoras. Mas basicamente por conta do Repórter Esso”.
Com o slogan “o primeiro a dar as últimas”, fazendo referência às notícias, o Repórter Esso trouxe a ideia de agilidade e instantaneidade ao rádio, em quatro edições de cinco minutos ao longo do dia, além das edições extras. Antes dele, as informações vinham de recortes do que os jornais impressos já haviam anunciado. Com o Esso, surge uma linguagem própria de radiojornalismo. Marcelo Abud, pesquisador de rádios e professor do tema na Universidade FAAP em São Paulo, destaca Heron Domingues como referência.
“É muito interessante ouvir o manual do Repórter Esso na voz do Heron Domingues, porque ele vai dar essas noções, ele vai dizer, olha, você vai acordar as pessoas dando notícia, então você precisa passar isso com animação. Não pode ser algo que você fale monotonamente, porque senão ninguém vai querer te ouvir e tudo mais. É uma grande marca”.
Em 1948, Heron Domingues assumiu a Seção de Jornais Falados e Reportagens na Rádio Nacional, a primeira redação voltada ao radiojornalismo no país, com equipe formada por um chefe, quatro redatores e um colaborador do noticiário parlamentar.
Atualmente, a equipe da emissora é bem maior: tem quase 50 pessoas, entre repórteres, editores, produtores, locutores, coordenadores e gerência, que respondem a uma diretoria de jornalismo.
São produzidas três edições do radiojornal Repórter Nacional, os boletins Nacional Notícias, além dos programas jornalísticos Ritmo da Notícia e Alô, Alô Brasil.
Em 2007, a Rádio Nacional passou a ter caráter público e não mais estatal, com a criação da EBC, a Empresa Brasil de Comunicação.
A diretora de Jornalismo da EBC, Myrian Pereira, destaca o compromisso do Radiojornalismo com o interesse social e a cidadania.
“Hoje, como comunicação pública, a nossa missão, claro, é honrar essa tradição de credibilidade com olhar atento ao interesse social, aos direitos humanos e, eu diria, principalmente, à diversidade. O rádio evoluiu, mas a confiança do ouvinte no nosso compromisso com a verdade, com certeza, é o patrimônio da Rádio Nacional”.
O jornalismo da emissora de 90 anos segue com a essência da revolução trazida pelo Repórter Esso, testemunha ocular da história, com foco no interesse da sociedade brasileira e o compromisso com a busca da verdade, da precisão e da clareza, o respeito aos fatos, aos direitos humanos e a diversidade de opiniões.
*Com colaboração de Guilherme Strozzi e Raquel Júnia.
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