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Viva Maria: lenda amazônica ganha vida em animação infantil

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Saudações amazônicas para todo mundo que, através deste nosso programa, acompanha os preparativos para o 5 de Setembro — uma data que foi criada para nos conscientizar sobre a importância da maior floresta tropical do planeta, bem como de sua biodiversidade. E não por acaso, 5 de Setembro também é o Dia Internacional das Mulheres Indígenas na América Latina.

Viva Maria! Viva a nossa Amazônia, que nos chama à reflexão sobre o clima, já que ela é essencial para o equilíbrio climático global e o regime das chuvas. Mas, para muito além disso, o 5 de Setembro destaca a importância do bioma e também serve de palco para a valorização da rica herança cultural com os seus saberes e as suas lendas!

E não por acaso, nesta edição, nós estamos contando aqui com o diretor de cinema Yago de Almeida! Ele é do Pará, salve, salve! É com ele que nós vamos saber os detalhes sobre a sua mais recente produção: um trabalho que fala sobre “Os Guardiões da Cobra Grande”. E olha, o melhor de tudo é que esse filme foi selecionado para a 9ª Mostra Sesc de Cinema, na categoria infantojuvenil. Parabéns, Yago, que prazer tê-lo aqui no nosso programa!

Então, como é que você se sente diante dessa indicação para que seu filme não demore a ganhar as telas nessa grande mostra do Sesc de Cinema?

Olha, é uma grande honra mesmo, porque, como o geral sabe, a importância, né, que tem o Sesc em âmbito regional e nacional… Então, ter o meu trabalho nessa mostra, né, poder chegar a várias pessoas, né, pelo Brasil inteiro, é uma alegria muito grande, né? É algo assim que não tem nem tamanho assim para quantificar.

 É a primeira vez que você inscreve um trabalho seu para essa mostra ou você já tinha tido experiências anteriores?

Foi a primeira vez.

Opa, e já conseguiu ser selecionado, né? Mas vamos falar dessa Cobra Grande! Você, como um menino que nasceu no Pará, certamente ouviu muita gente contar essa lenda para você, não?

Sim, com certeza. Essa história da Cobra Grande, eu acho que ela faz parte da infância e da vida de muita gente daqui, né, da nossa região, do Pará. É… sempre ouvi diversas histórias sobre ela, né? Que a mais conhecida é de que ela vive no subterráneo, né, da cidade de Belém, e que em determinado momento ela pode acordar e afundar a cidade, né? Até faziam a ligação com o Círio, né? Que quando não tivesse Círio ela ia acordar e tal. Então é uma história assim que faz muita parte da nossa infância, da nossa cultura no geral, né?

Pois é. E como é que foi para você encenar a Cobra Grande? E eu quero também que você nos diga quem são, afinal, os guardiões dessa Cobra Grande?

Bom, essa história da Cobra Grande, ela não nasceu assim só de mim. Eu faço parte de um coletivo de animação chamado Lusco-Fusco, e é um conjunto de amigos que são profissionais da animação já há muitos anos e que a gente se juntou para trabalhar. E daí desse convívio veio essa história, né? A gente começou a pesquisar as diversas histórias que tem da Cobra Grande e a gente criou a nossa própria história, né, adaptando ali àquela história que já era conhecida.

Então uma nova versão vocês fizeram para essa lenda que já é muito conhecida Brasil afora e até internacionalmente, né? Porque as lendas amazônicas têm sempre um fascínio, não é? Mas me diga, e como é que foi essa produção?

A história surgiu justamente de relatos da infância, né, nossa, ali do coletivo. Até um dos membros falava que a avó dele dizia que de tarde não era para fazer barulho, se não acordava a Cobra Grande… que é justamente naquela hora da soneca, né? Aí fazia essa brincadeira. Aí, como a gente gosta muito assim de aventura, das obras assim de ação e tal, a gente foi pensando como é que a gente poderia incrementar e criando a nossa versão.

Aí veio essa ideia de pensar: e se tivesse ali pessoas, guardiões, guerreiros que tivessem protegendo o sono da Cobra Grande? Como é que seria isso? Aí foi assim que a gente veio pensando na história, a gente pensou no protagonista ali, de como é que ele iria interagir nesse trabalho, né, de proteger o sono daquele ser milenar que é tão importante ali para aquele universo, né, que a gente estava criando.

Nossa! Pois é, eu já estou aqui supercuriosa, mas quero saber se eu poderia levar meus netinhos para o cinema para assistirem esses “Guardiões da Cobra Grande”. Yago, me diga: é uma história que dá medo?

Olha, com certeza tem tensão na história, tem diversão, tem aventura, mas é sem preocupação, pode levar a criança, todo mundo pode assistir. E geralmente faz muito sucesso entre as crianças, entre os jovens, justamente que eles gostam muito de aventura e de coisas desse tipo, né? Então tem tudo isso dentro da…

É uma animação, né? Vocês fizeram muitos desenhos até chegar ao trabalho final?

Com certeza. Teve vários dos desenhos que a gente fez antes mesmo da produção, que é na etapa de pré-produção, quando a gente ainda estava pensando em como criar os personagens, que cara eles iam ter, né? E de início a gente até puxava assim muita referência de obras de fora, né, que a gente tinha, que tinha trabalhado. Aí aos poucos a gente foi modificando para ficar um pouco mais com a nossa cara mesmo, né? Nossa cara assim de pessoas daqui mesmo, né, e o nosso estilo. E na própria produção, esses desenhos vão só aumentando, né?

Porque, para ter uma noção, na animação são muitos desenhos que se fazem para ter um segundo de animação, por exemplo, né? Imagina para um curta ali de quase 10 minutos. É… então é muita coisa envolvida, muita gente profissional, cada um com a sua função. Então a produção é sempre algo muito coletivo, né? Um depende ali do outro, então foi muito importante ter essa interação, né, durante o processo todinho.

Ô, que maravilha, né? Agora é esperar a apresentação, né, dos “Guardiões da Cobra Grande” nessa mostra do Sesc, que é a nona. E eu queria até saber se vocês estão planejando ampliar essa apresentação aí na capital, Belém, ou qualquer outra comunidade?

Sim, a gente está sempre querendo exibir o máximo que a gente puder, né, esse curta para todo mundo conhecer. Ainda está nesse processo de passar por festivais, por mostras e tal, mas já teve outros que foram exibidos aqui mesmo em Belém, e a gente está o tempo todo aberto para os eventos que tiverem, mais festivais, a gente está inscrevendo… O importante é que o maior público possível possa assistir e conhecer o nosso trabalho, né?

Pois é, assistir e aplaudir! E eu queria saber se até o finalzinho desse mês de setembro, que está só começando, vocês já estarão apresentando o “Guardiões da Cobra Grande” na 9ª Mostra Sesc de Cinema?

 Sim, com certeza. O nosso curta, “Guardiões da Cobra Grande”, vai estar em exibição no… na Mostra Sesc, aí vai ser possível todo o público ali assistir, né, ao longo de toda essa… essa programação ali do… do Sesc.

Certo. Mas tem datas já marcadas?

A Mostra Sesc, ela vai acontecer, se não me engano, entre o dia 29 de setembro e 2 de outubro. Vai ser nesse período.

 Oh, é o mês das crianças, outubro! Mais um motivo, né, para a criançada ficar ligada! Aliás, para a criançada ir ao cinema. Muito importante vocês estarem aí preocupados em garantir uma audiência infantojuvenil para que a imaginação, principalmente em torno dos seres da floresta, possa contribuir com o amadurecimento e o crescimento dessas crianças, né, sobre a importância da nossa Amazônia, que já no próximo sábado estará sendo celebrada em todo o Brasil. Então, fica aqui o meu abraço a você, à equipe do coletivo Lusco-Fusco. Quero ainda agradecer à Fernanda Misaelides, responsável pela produção dessa nossa entrevista. E sucesso cada vez maior para todos vocês que estão aí fazendo com que as lendas amazônicas continuem povoando o imaginário dos jovens de 8 a 80 anos, tá certo, querido? Um grande abraço, Yago!


Fonte: EBC Cultura

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90 anos Rádio Nacional: o legado do Repórter Esso no radiojornalismo

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A imprensa é análise, o rádio é síntese. A imprensa dirige-se aos que sabem ler. O rádio fala, também, aos que são analfabetos”. Essas palavras são de Heron Domingues, jornalista que apresentou o Repórter Esso entre 1944 e 1962. O noticiário estreou na Rádio Nacional do Rio de Janeiro em agosto de 1941, com a cobertura da Segunda Guerra Mundial. Um ano antes, em março de 1940, a emissora fundada pelo grupo do jornal A Noite havia sido estatizada pelo presidente Getúlio Vargas. 

Numa época em que mais da metade da população brasileira era analfabeta, o rádio conseguiu ampliar o alcance da informação.

Para João Batista de Abreu, jornalista e professor da UFF, a Universidade Federal Fluminense, o Repórter Esso estabeleceu uma relação de confiança com os ouvintes. 

“Eu acho que a ideia de credibilidade, talvez seja a coisa mais importante. Até hoje,  a gente tem a expressão: deu no rádio. Se deu no rádio, é porque é verdade. Isso é marcante em todas as emissoras. Mas basicamente por conta do Repórter Esso”. 

 

Com o slogan “o primeiro a dar as últimas”, fazendo referência às notícias, o Repórter Esso trouxe a ideia de agilidade e instantaneidade ao rádio, em quatro edições de cinco minutos ao longo do dia, além das edições extras. Antes dele, as informações vinham de recortes do que os jornais impressos já haviam anunciado. Com o Esso, surge uma linguagem própria de radiojornalismo. Marcelo Abud, pesquisador de rádios e professor do tema na Universidade FAAP em São Paulo, destaca Heron Domingues como referência. 

“É muito interessante ouvir o manual do Repórter Esso na voz do Heron Domingues, porque ele vai dar essas noções, ele vai dizer, olha, você vai acordar as pessoas dando notícia, então você precisa passar isso com animação. Não pode ser algo que você fale monotonamente, porque senão ninguém vai querer te ouvir e tudo mais. É uma grande marca”.

Em 1948, Heron Domingues assumiu a Seção de Jornais Falados e Reportagens na Rádio Nacional, a primeira redação voltada ao radiojornalismo no país, com equipe formada por um chefe, quatro redatores e um colaborador do noticiário parlamentar.

Atualmente, a equipe da emissora é bem maior: tem quase 50 pessoas, entre repórteres, editores, produtores, locutores, coordenadores e gerência, que respondem a uma diretoria de jornalismo.

São produzidas três edições do radiojornal Repórter Nacional, os boletins Nacional Notícias, além dos programas jornalísticos Ritmo da Notícia e Alô, Alô Brasil.

Em 2007, a Rádio Nacional passou a ter caráter público e não mais estatal, com a criação da EBC, a Empresa Brasil de Comunicação.

  A diretora de Jornalismo da EBC, Myrian Pereira, destaca o compromisso do Radiojornalismo com o interesse social e a cidadania.

“Hoje, como comunicação pública, a nossa missão, claro, é honrar essa tradição de credibilidade com olhar atento ao interesse social, aos direitos humanos e, eu diria, principalmente, à diversidade. O rádio evoluiu, mas a confiança do ouvinte no nosso compromisso com a verdade, com certeza, é o patrimônio da Rádio Nacional”.

O jornalismo da emissora de 90 anos segue com a essência da revolução trazida pelo Repórter Esso, testemunha ocular da história, com foco no interesse da sociedade brasileira e o compromisso com a busca da verdade, da precisão e da clareza, o respeito aos fatos, aos direitos humanos e a diversidade de opiniões.

*Com colaboração de Guilherme Strozzi e Raquel Júnia.


Fonte: EBC Cultura

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