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Atlético-MG cede empate ao Botafogo nos acréscimos na Arena MRV

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Atlético-MG e Botafogo ficaram no 1 a 1 na tarde deste domingo (10.05), em duelo válido pela 15ª rodada do Campeonato Brasileiro, na Arena MRV. O resultado foi definido apenas nos instantes finais, quando Arthur Cabral marcou o gol que garantiu a reação da equipe carioca.

Com o empate, os dois times chegam aos 18 pontos. O Atlético-MG aparece na 12ª colocação, enquanto o Botafogo ocupa a 11ª posição, à frente nos critérios de desempate.

O time mineiro abriu o placar aos 23 minutos do primeiro tempo. Em boa jogada ofensiva, Mateo Cassierra recebeu livre dentro da área e finalizou com força para colocar o Galo em vantagem.

A equipe alvinegra conseguiu buscar a igualdade somente no último minuto do tempo regulamentar. Após cobrança de lateral de Marçal, a bola desviou na defesa atleticana e sobrou para Arthur Cabral, que aproveitou a oportunidade e marcou um belo gol para fechar o placar.

Agora, os dois clubes voltam a campo pela Copa do Brasil. O Atlético-MG enfrenta o Ceará no dia 13 de maio de 2026, às 21h30, no Estádio Governador Plácido Castelo. Já o Botafogo encara a Chapecoense no dia 14 de maio de 2026, às 18h, na Arena Condá, em Chapecó.

FICHA TÉCNICA
Atlético-MG 1 x 1 Botafogo
Competição 15.ª rodada do Campeonato Brasileiro
Local Arena MRV, em Belo Horizonte
Data 10 de maio de 2026 (domingo)
Horário 16h (de Brasília)
Cartões amarelos Alex Telles e Mateo Ponte (Botafogo)
Cartões vermelhos Nenhum
Gols Mateo Cassierra, aos 23′ do 1ºT (Atlético-MG); Arthur Cabral, aos 45′ do 2ºT (Botafogo)
Atlético-MG Everson; Román, Alonso, Ruan e Renan Lodi; Maycon, Tomás Pérez e Bernard; Alan Minda, Cuello e Cassierra. Técnico: Eduardo Domínguez
Botafogo Neto; Mateo Ponte, Ferraresi, Alexander Barboza e Alex Telles; Newton, Edenílson, Cristian Medina e Danilo; Matheus Martins e Arthur Cabral. Técnico: Franclim Carvalho

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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