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Atlético-MG garante vaga nas quartas da Copa do Brasil após batalha de pênaltis contra o Flamengo 

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O Atlético-MG assegurou sua passagem para as quartas de final da Copa do Brasil na noite desta quarta-feira, em um confronto emocionante na Arena MRV, que culminou em uma dramática disputa de pênaltis. Apesar de ter sido superado pelo Flamengo por 1 a 0 no tempo regulamentar, o Galo mostrou resiliência e venceu a série decisiva por 4 a 3, com o goleiro Everson se consagrando como o grande herói da noite.

O único gol da partida foi marcado por Everton Cebolinha, ainda no primeiro tempo, colocando os cariocas em vantagem. No entanto, a estrela de Everson brilhou intensamente na hora decisiva, defendendo uma cobrança e convertendo a penalidade final que garantiu a classificação alvinegra.

O adversário do Atlético-MG nas quartas de final será conhecido por meio de sorteio, agendado para a próxima terça-feira na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Primeiro tempo com domínio rubro-negro

A partida teve um início com o Flamengo impondo seu ritmo, pressionando o Atlético-MG e buscando o campo de ataque. A primeira oportunidade de perigo para o time carioca surgiu aos 13 minutos, em um arremate de Pedro. A resposta do Galo veio em seguida, com Hulk finalizando próximo à meta após receber um passe na entrada da área.

A persistência rubro-negra foi recompensada aos 20 minutos, quando Everton Cebolinha abriu o placar. Após receber de Plata, o atacante demonstrou categoria ao driblar a marcação e tocar na saída de Everson. Mesmo com o gol, o panorama do jogo não se alterou significativamente, com o Flamengo mantendo a posse de bola e o Atlético-MG apostando em contra-ataques esporádicos. Os visitantes ainda criaram mais chances com Everton Cebolinha e Evertton, enquanto o Galo demonstrava dificuldades para engrenar, indo para o intervalo em desvantagem.

Reação alvinegra e a decisão nos Pênaltis

Na etapa complementar, o Atlético-MG retornou com uma postura mais agressiva e buscou o empate desde os primeiros minutos. Aos sete, Gustavo Scarpa por pouco não igualou o marcador com um chute de fora da área que carimbou o travessão. O lance animou os mandantes, que seguiram pressionando. Aos 13, Hulk teve uma boa chance, mas não conseguiu dominar a bola e parou em defesa de Rossi.

Apesar da melhora do Galo, o Flamengo também não se intimidou e Arrascaeta teve uma chance clara aos 23 minutos, mas a defesa mineira interveio. O duelo permaneceu aberto e com chances para ambos os lados. Aos 36, Samuel Lino finalizou e a bola desviou em Lyanco, sobrando para Wallace Yan, que não conseguiu completar para o gol de cabeça.

Com o placar inalterado até o apito final, a decisão da vaga foi para a disputa por pênaltis. Nela, a precisão do Atlético-MG e a atuação decisiva de Everson foram cruciais. O goleiro defendeu a cobrança de Samuel Lino e, com sangue frio, converteu a última penalidade, selando a classificação do Atlético-MG para a próxima fase da Copa do Brasil. Wallace Yan, do Flamengo, também desperdiçou sua cobrança na série.

FICHA TÉCNICA

ATLÉTICO-MG 0 (4) X 1 (3) FLAMENGO

Local: Arena MRV, em Belo Horizonte (MG)
Data: 06/08/2025
Horário: 19 horas (de Brasília)
Árbitro: Rafael Rodrigo Klein (RS)
Assistentes: Bruno Raphael Pires (GO-Fifa) e Rafael da Silva Alves (RS-Fifa)
VAR: Wagner Reway (PB-VAR-Fifa)
Cartões amarelos: Lyanco e Cuello (Atlético-MG); Pedro (Flamengo)

GOL: Everton Cebolinha, aos 20′ do 1º T (FLAMENGO)

ATLÉTICO-MG: Everson, Natanael (Saravia), Lyanco e Junior Alonso; Alan Franco, Gabriel Menino (Igor Gomes), Gustavo Scarpa e Guilherme Arana (Dudu); Cuello (Alexsander), Rony (Biel) e Hulk. Técnico: Cuca

FLAMENGO: Rossi, Varela, Léo Ortiz, Léo Pereira e Ayrton Lucas; Evertton e Jorginho; Plata (Saul), Wallace Yan, Everton Cebolinha (Samuel Lino) e Pedro (Arrascaeta). Técnico: Filipe Luís

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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