Esportes

Borussia Dortmund vence Monterrey e confirma clássico contra o Real Madrid no Mundial

Publicado em

Esportes

;

Em um confronto eletrizante pelas oitavas de final da Copa do Mundo de Clubes, o Borussia Dortmund superou o Monterrey por 2 a 1, nesta terça-feira, no Mercedes-Benz Stadium, e carimbou seu passaporte para as quartas de final. O grande nome da partida foi o atacante Guirassy, autor dos dois gols alemães, enquanto Berterame descontou para a equipe mexicana.

Com a vitória, o Borussia Dortmund agora se prepara para um aguardado clássico europeu. Nas quartas de final, os aurinegros enfrentarão o poderoso Real Madrid, que mais cedo eliminou a Juventus com uma vitória por 1 a 0 no Hard Rock Stadium. Para o Monterrey, que contava com a presença de Sergio Ramos em seu elenco, a derrota significa a despedida precoce da competição.

O embate entre Borussia Dortmund e Real Madrid, que promete ser um dos pontos altos do torneio, já tem data, horário e local definidos: próximo sábado, às 17h (horário de Brasília), no MetLife Stadium, em Nova Jersey.

O Jogo

O Borussia Dortmund não demorou a mostrar seu poder ofensivo e abriu o placar logo aos 12 minutos do primeiro tempo. Em uma jogada rápida, Adeyemi recebeu um lançamento em profundidade pela ponta direita, ganhou na velocidade do marcador e cruzou na medida para Guirassy, que finalizou de primeira, sem chances para o goleiro, inaugurando o marcador.

Ainda na etapa inicial, aos 22 minutos, a dupla Adeyemi-Guirassy voltou a brilhar. Após tabelar com Adeyemi na entrada da área, o atacante guineano recebeu livre de marcação e, cara a cara com o goleiro Andrada, arrematou com categoria para balançar as redes novamente, ampliando a vantagem do Borussia Dortmund para 2 a 0.

O Monterrey voltou do intervalo com outra postura e conseguiu diminuir a desvantagem logo aos dois minutos do segundo tempo. Berterame aproveitou um cruzamento pela esquerda de Corona, se antecipou à defesa alemã na área e desviou para o fundo do gol, dando um fôlego aos mexicanos. No entanto, apesar do gol e da busca pelo empate, o time de Monterrey não conseguiu criar chances claras o suficiente para reverter o placar, e o Borussia Dortmund administrou a vantagem até o apito final, garantindo sua vaga.

Fonte: Esportes

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

Esportes

O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

Publicados

em

;

A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTES

ENTRETENIMENTO

MAIS LIDAS DA SEMANA