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Botafogo vence o Corinthians, que volta à zona de rebaixamento do Brasileiro

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O Corinthians foi derrotado pelo Botafogo por 3 a 1 neste domingo (17.05), no estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, em partida válida pela 16ª rodada do Campeonato Brasileiro. Com três gols de Arthur Cabral, o time carioca conquistou um resultado importante diante da torcida e empurrou o clube paulista de volta para a zona de rebaixamento.

Com a derrota, o Corinthians caiu para a 17ª colocação, com 18 pontos, enquanto o Botafogo chegou aos 21 e subiu para o oitavo lugar na tabela.

O jogo

A equipe carioca começou melhor e abriu o placar logo aos seis minutos do primeiro tempo. Após uma bola mal afastada por Gustavo Henrique, Arthur Cabral aproveitou a sobra na entrada da área e bateu rasteiro para vencer Hugo Souza. A resposta corintiana, no entanto, foi rápida. Aos dez minutos, Lingard retomou a posse no campo ofensivo e serviu Rodrigo Garro, que apareceu cara a cara com Neto para empatar o confronto.

Ainda na etapa inicial, o Botafogo chegou a ter um pênalti marcado a seu favor, mas a decisão foi revista após consulta ao VAR. Mesmo assim, o time da casa voltou a ficar em vantagem aos 31 minutos. Mais uma vez Arthur Cabral foi decisivo, desta vez em uma finalização de longa distância que terminou no fundo das redes. Antes do intervalo, o Corinthians ainda assustou em cabeçada de Raniele, mas a bola acertou o travessão.

No segundo tempo, a partida perdeu intensidade e passou a ser marcada por muitas faltas e poucas oportunidades claras. O Botafogo, no entanto, foi mais eficiente nas chegadas que criou. Aos 24 minutos, Arthur Cabral voltou a aparecer. Em uma jogada que parecia controlada pela defesa corintiana, Villalba brigou pela bola, houve bate e rebate dentro da área, e o atacante completou para marcar o terceiro dele no jogo e sacramentar a vitória alvinegra.

Nos minutos finais, o Botafogo ainda quase ampliou com Santi Rodríguez, que acertou a trave de Hugo Souza. O Corinthians, por sua vez, não conseguiu reagir e deixou o campo com mais uma derrota em um momento delicado da competição.

O Botafogo atuou com Neto; Mateo Ponte, Ferraresi, Barboza e Alex Telles; Medina, Huguinho e Lucas Villalba; Montoro, Kadir e Arthur Cabral. Entraram Justino, Edenílson, Santi Rodríguez e Kauan Toledo. O técnico foi Franclim Carvalho.

Já o Corinthians foi a campo com Hugo Souza; Matheuzinho, André Ramalho, Gustavo Henrique e Matheus Bidu; Raniele, Carrillo, Breno Bidon e Rodrigo Garro; Jesse Lingard e Yuri Alberto. Também participaram André, Dieguinho, Allan, Pedro Raul e Kaio César. A equipe foi comandada por Fernando Diniz.

Agora, os dois times voltam a atenção para competições continentais. O Botafogo enfrenta o Independiente Petrolero na quarta-feira, 20 de maio de 2026, às 21h, no Estádio Olímpico Patria, em Sucre, pela Copa Sul-Americana. O Corinthians joga no dia seguinte, quinta-feira, 21 de maio, às 21h30, contra o Peñarol, no Estádio Campeón del Siglo, em Montevidéu, pela Copa Libertadores.

FICHA TÉCNICA
Botafogo 3 x 1 Corinthians
Competição 16ª rodada do Campeonato Brasileiro
Local Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro
Data 17 de maio de 2026 (domingo)
Horário 16h (de Brasília)
Cartões amarelos Mateo Ponte, Medina, Arthur Cabral, Barboza, Alex Telles (Botafogo); Lingard (Corinthians)
Gols Arthur Cabral, aos 6′ do 1ºT (Botafogo); Rodrigo Garro, aos 10′ do 1ºT (Corinthians); Arthur Cabral, aos 31′ do 1ºT (Botafogo); Arthur Cabral, aos 24′ do 2ºT (Botafogo)
Botafogo Neto; Mateo Ponte, Ferraresi, Barboza e Alex Telles; Medina (Justino), Huguinho e Lucas Villalba (Edenílson); Montoro (Santi Rodríguez), Kadir (Kauan Toledo) e Arthur Cabral. Técnico: Franclim Carvalho
Corinthians Hugo Souza; Matheuzinho, André Ramalho, Gustavo Henrique e Matheus Bidu; Raniele (André), Carrillo (Dieguinho), Breno Bidon (Allan) e Rodrigo Garro (Pedro Raul); Jesse Lingard (Kaio César) e Yuri Alberto. Técnico: Fernando Diniz

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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