Esportes
Brasil vence Marrocos e garante vaga na semifinal do Mundial Sub-17
Esportes
;
A Seleção Brasileira Sub-17 garantiu sua vaga na semifinal do Mundial da categoria nesta sexta-feira (21) ao superar Marrocos por 2 a 1, no Estádio Aspire Zone, em Doha. Em mais uma partida recheada de emoção e reviravoltas, o jovem Dell foi o herói da Amarelinha, marcando os dois gols, incluindo o decisivo aos 49 minutos do segundo tempo. O Brasil agora enfrentará Portugal na semifinal, em confronto agendado para a próxima segunda-feira (24).
A trajetória da Seleção Brasileira no mata-mata tem sido digna de roteiro cinematográfico, com vitórias arrancadas com suor e superação. Nas oitavas de final, contra o Paraguai, após um empate no tempo normal, o goleiro João Pedro brilhou ao defender três cobranças de pênalti. Em seguida, a França foi o próximo desafio, e novamente a decisão foi para as penalidades, onde João Pedro defendeu mais duas batidas e assegurou a classificação para as quartas de final.
O jogo
O confronto contra Marrocos iniciou com intensidade de ambas as equipes. O Brasil, no entanto, logo assumiu o controle da partida, especialmente após o primeiro gol de Dell aos 16 minutos. O atacante demonstrou oportunismo ao se antecipar à marcação e completar com maestria um cruzamento de Ruan Pablo, em uma jogada que também contou com a participação de Zé Lucas.
O gol pareceu desorganizar a equipe africana, que teve dificuldades para acompanhar o ritmo brasileiro. Angelo chegou a ameaçar o goleiro Bellaarouch aos 18 minutos, e Ruan Pablo quase ampliou aos 38, em um lance individual que resultou em um chute perigoso rente à trave. Contudo, nos acréscimos do primeiro tempo, Angelo cometeu pênalti em El Aoud. Baha cobrou no meio do gol, sem chances para João Pedro, empatando a partida em 1 a 1 e mudando o panorama do jogo.
Segundo tempo
O Marrocos retornou para a segunda etapa com mais confiança, buscando explorar os contra-ataques em velocidade para surpreender o Brasil. A Seleção Brasileira, por sua vez, manteve o foco, chegando com perigo à área adversária, mas pecando no último passe.
As chances de gol surgiram para o Brasil: Gabriel Mec, de cabeça, quase marcou aos 18 minutos, e Pietro Tavares por pouco não aproveitou uma falha da defesa marroquina. O jogo estava aberto, com Marrocos demonstrando contentamento com o empate, que levaria a decisão para os pênaltis.
Foi então que Dell, mais uma vez, surgiu para decidir a partida. Aos 49 minutos do segundo tempo, em um momento de pressão total da Amarelinha em busca da classificação, o atacante recebeu assistência de Thiaguinho e marcou o gol da vitória. A explosão de alegria tomou conta do gramado, com abraços e choros que selaram a festa da equipe brasileira, que segue firme em sua busca pelo título mundial.
Fonte: Esportes
Esportes
O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
;
A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
-
Cultura6 dias atrásCidade de Pesqueira (PE) recebe festival dedicado à cultura do estado
-
Cuiabá4 dias atrásMais de 60 mil alunos voltam às aulas; veja como evitar congestionamentos
-
Economia4 dias atrásVárzea Grande realiza 1º Open de Vôlei para fortalecer o esporte e a inclusão social
-
Entretenimento4 dias atrásDeborah Secco curte passeio de barco em Noronha com a filha e declara: ‘Apaixonada’
-
Entretenimento4 dias atrásArthur Aguiar e Jheny Santucci oficializam união com festa intimista: ‘Enfim casados’
-
Política6 dias atrásMedidas provisórias sobre transporte, diesel, chuvas e aviação são prorrogadas
-
Mato Grosso5 dias atrásTJMT autoriza busca de bens em nome de esposa de homem que devia pensão a quatro filhos desde 2010
-
Entretenimento4 dias atrásBianca Biancardi celebra 30 anos e ganha homenagem da irmã, Bruna Biancardi
