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Brasil vence Senegal e encerra invencibilidade africana
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A Seleção Brasileira deu um passo importante em sua jornada de preparação para a Copa do Mundo de 2026. Em um amistoso de alto nível disputado no prestigiado Emirates Stadium, em Londres, o esquadrão comandado por Carlo Ancelotti venceu Senegal por 2 a 0 neste sábado. Com uma exibição dominante, especialmente na primeira etapa, o Brasil não só garantiu a vitória, mas também superou um adversário que figura na 18ª posição do ranking da FIFA.
O confronto marcou um momento histórico para a Seleção. Após dois embates anteriores que resultaram em um empate (1 a 1 em 2019) e uma derrota (4 a 2 em 2023), esta foi a primeira vez que o Brasil conseguiu triunfar sobre os senegaleses, quebrando um tabu que persistia na história recente dos confrontos.
O jogo
Desde o apito inicial, a equipe brasileira mostrou intensidade. Com menos de dois minutos de jogo, Vinicius Júnior já assustava a defesa adversária, exigindo uma grande intervenção do goleiro Mendy. O Senegal respondeu à altura, prometendo um jogo de trocas. No entanto, a pressão brasileira se intensificou, com Vini Júnior novamente protagonista em uma jogada individual que parou em outra defesa de Mendy, aos sete minutos. Aos 17, Matheus Cunha teve uma chance clara, mas seu cabeceio encontrou o travessão.
A insistência brasileira foi recompensada aos 27 minutos. Em um lance rápido pela direita, a bola encontrou o jovem Estêvão. Com frieza e precisão, o talento do Chelsea desferiu um chute certeiro que não deu chances ao goleiro, abrindo o placar. O segundo gol não demorou a sair. Aos 35, em uma cobrança de falta de Rodrygo, Casemiro apareceu livre na segunda trave e, com maestria, finalizou para ampliar a vantagem brasileira para 2 a 0, fechando a primeira etapa com um placar confortável.
Segundo Tempo
A etapa final começou com um susto para o Brasil. Aos sete minutos, o goleiro Ederson cometeu um erro que quase resultou em gol de Ndiaye, mas a bola caprichosamente encontrou a trave. Três minutos depois, foi a vez de Mendy errar, e Rodrygo teve sua chance, que acabou em desvio para escanteio.
Um ponto de preocupação surgiu aos 18 minutos, quando o zagueiro Gabriel Magalhães, do Arsenal, precisou ser substituído por Wesley devido a uma lesão muscular na coxa, levantando dúvidas sobre sua condição para os próximos compromissos. Apesar do susto e da redução do ritmo, o Brasil manteve o controle do jogo. As jogadas individuais de Vinicius Júnior e Rodrygo continuaram sendo um ponto forte, garantindo a solidez do resultado até o final.
Próximos desafios
A Seleção Brasileira não terá muito tempo para descanso. A equipe volta a campo já nesta terça-feira (18) para enfrentar a Tunísia, às 16h30 (horário de Brasília), na Decathlon Arena, em Lille, na França.
Já Senegal, por sua vez, também terá um compromisso no dia 18, enfrentando o Quênia às 12h. Os africanos seguem sua preparação visando a Copa Africana de Nações, que será realizada em dezembro, no Marrocos.
FICHA TÉCNICA
Brasil 2 x 0 Senegal
- Competição: Amistoso
- Local: Emirates Stadium, Londres, Inglaterra
- Data: 15 de novembro de 2025 (sábado)
- Horário: 13h00 (de Brasília)
- Público: 58.567 pessoas
Gols:
- Estêvão (Brasil), aos 27 minutos do 1º Tempo
- Casemiro (Brasil), aos 35 minutos do 1º Tempo
Cartões Amarelos:
- Brasil: Casemiro
- Senegal: A. Mendy, Koulibaly, Pape Gueye, Idrissa Gueye
Brasil:
- Goleiro: Ederson
- Defensores: Alex Sandro (Fabrício Bruno), Gabriel Magalhães (Wesley), Marquinhos, Éder Militão
- Meio-campistas: Casemiro, Bruno Guimarães
- Atacantes: Estêvão (Luiz Henrique), Rodrygo (Lucas Paquetá), Matheus Cunha (João Pedro), Vini Júnior (Caio Henrique)
- Técnico: Carlo Ancelotti
Senegal:
- Goleiro: Mendy
- Defensores: Jacobs (Diouf), Niakhaté, Koulibaly, A. Mendy
- Meio-campistas: Idrissa Gueye, Pape Gueye (i. Ciss), Pape Matar Sarr (Nicolas Jackson)
- Atacantes: I. Sarr (Cherif Ndiaye), Ndiaye (Sabaly), Sadio Mané (I. Mbaye)
- Técnico: Pape Thiaw
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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