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Ceará vence Santos por 3 a 0 e agrava crise alvinegra no Brasileirão

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Em uma tarde inspirada na Arena Castelão, o Ceará não tomou conhecimento do Santos e goleou a equipe paulista por 3 a 0, em partida válida pela 27ª rodada do Campeonato Brasileiro. Com gols de Lucas Mugni, Pedro Henrique e Fernando Sobral, o Vozão consolidou uma vitória maiúscula, que contou com a atuação decisiva do goleiro Bruno Ferreira, verdadeiro carrasco do Peixe. Esta foi a primeira derrota do Santos sob o comando do técnico Juan Pablo Vojvoda, aprofundando a preocupação com a zona de rebaixamento.

O resultado impulsiona o Ceará para a 10ª colocação na tabela, somando agora 34 pontos, e afasta o time de qualquer ameaça. Já o Santos estaciona nos 28 pontos e figura na 16ª posição, perigosamente a apenas três pontos do Vitória, a primeira equipe na zona da degola. Ambos os clubes terão um período de descanso devido à data Fifa, retornando aos gramados somente em 15 de outubro.

O jogo

A partida começou elétrica, e o Ceará esteve perto de abrir o placar logo aos dois minutos, com Dieguinho arriscando de longe e vendo a bola desviar em Schmidt antes de explodir no travessão. O mesmo Dieguinho, em seguida, assustou novamente a zaga santista. A pressão cearense resultou em gol aos dez minutos. Matheus Bahia alçou a bola na área, Pedro Raul desviou de cabeça, e Lucas Mugni finalizou. Brazão rebateu mal, e o camisa 10 do Vozão aproveitou o rebote para mandar para o fundo das redes.

O Santos tentou reagir e quase empatou aos 18 minutos em uma cobrança de falta de Rollheiser, que carimbou o travessão. Próximo aos 30, Igor Vinícius fez boa jogada pela direita e cruzou para Zé Rafael, que mandou por cima do gol. Ainda na primeira etapa, Matheus Bahia voltou a testar Brazão, e o travessão salvou o Santos novamente, mantendo a vantagem mínima para o Ceará.

Segundo tempo

Com a necessidade de buscar o empate, o Santos voltou para a segunda etapa com Barreal no lugar de Rincón. Embora o Peixe tenha conseguido pressionar um pouco mais, a defesa do Ceará e, principalmente, o goleiro Bruno Ferreira, se mostraram intransponíveis. Aos 13 minutos, Lautaro Díaz teve uma chance clara, saindo cara a cara com Bruno Ferreira, mas furou a finalização. Pouco depois, o goleiro cearense defendeu uma finalização fraca de Rollheiser.

Se o Santos desperdiçava suas oportunidades, o Ceará foi letal. Aos 20 minutos, após cobrança de lateral, Escobar não conseguiu cortar, permitindo que Galeano avançasse pela direita e cruzasse para Pedro Henrique, que apareceu livre para ampliar o marcador. O Peixe não se entregou e Souza teve duas boas chances, mas parou nas mãos de Bruno Ferreira. Rollheiser, em uma tentativa de bicicleta, também viu o goleiro do Vozão operar mais um milagre.

Nos minutos finais, Pedro Henrique ainda acertou o travessão de Brazão, e o Santos respondeu com Caballero e Lautaro Díaz, mas Bruno Ferreira, em uma atuação monumental, fez duas grandes defesas em sequência, garantindo que sua meta permanecesse inviolável. Para selar a goleada, Fernando Sobral aproveitou uma bola na entrada da área aos 41 minutos e marcou o terceiro gol do Ceará, fechando o placar em 3 a 0.

Próximos confrontos pós-data Fifa:

Após a pausa internacional, ambos os times retornarão a campo em 15 de outubro para a 28ª rodada do Brasileirão.

  • Ceará: Enfrentará o Sport na Ilha do Retiro, em Recife (PE), às 20h (horário de Brasília).
  • Santos: Terá um clássico contra o Corinthians na Vila Belmiro, em Santos (SP), às 21h30 (horário de Brasília).

FICHA TÉCNICA

Ceará 3 x 0 Santos

Competição: Campeonato Brasileiro (27ª rodada)

Local: Arena Castelão, em Fortaleza (CE)

Data: 5 de outubro de 2025 (domingo)

Horário: 20h30 (de Brasília)

Cartões Amarelos:

  • Lourenço (Ceará)
  • Igor Vinícius (Santos)

Arbitragem:

  • Árbitro: Anderson Daronco (RS)
  • Assistentes: Maira Mastella Moreira (RS) e Thiago Henrique Neto Correa Farinha (RJ)
  • VAR: Rafael Traci (SC)

Gols:

  • Ceará: Lucas Mugni, aos 10′ do 1°T
  • Ceará: Pedro Henrique, aos 20′ do 2°T
  • Ceará: Fernando Sobral, aos 48′ do 2°T

Ceará:

  • Bruno Ferreira
  • Fabiano
  • Marcos Victor
  • Willian Machado
  • Matheus Bahia
  • Dieguinho (Fernando Sobral)
  • Lourenço (Richardson)
  • Lucas Mugni (Vina)
  • Fernandinho (Pedro Henrique)
  • Galeano (Aylon)
  • Pedro Raul
  • Técnico: Léo Condé

Santos:

  • Brazão
  • Igor Vinícius (Caballero)
  • Alexis Duarte
  • Adonis Frías
  • Escobar (Souza)
  • João Schmidt
  • Tomás Rincón (Barreal)
  • Zé Rafael
  • Rollheiser (Taciano)
  • Guilherme (Tiquinho Soares)
  • Lautaro Díaz
  • Técnico: Juan Pablo Vojvoda

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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