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Corinthians busca empate no Uruguai, garante liderança do Grupo E e segue invicto na Libertadores
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O Corinthians assegurou a primeira colocação do Grupo E da Copa Libertadores ao empatar por 1 a 1 com o Peñarol na noite desta quinta-feira, no Estádio Campeón del Siglo, pela quinta rodada da fase de grupos. Depois de sair atrás no placar, o time paulista reagiu na etapa final e contou com o primeiro gol de Zakaria Labyad como titular para confirmar a liderança da chave.
Com o resultado, o Timão chegou aos 11 pontos, manteve a invencibilidade na competição, com três vitórias e dois empates, e já não pode mais ser ultrapassado pelo Platense, adversário da última rodada. O Peñarol, por sua vez, segue na lanterna do grupo, com três pontos, sem chances de classificação às oitavas de final, embora ainda possa lutar por uma vaga na Copa Sul-Americana.
O jogo
A equipe uruguaia começou melhor e levou perigo logo nos primeiros minutos. Aos 15, Eduardo Darias aproveitou sobra na entrada da área e finalizou por cima. Três minutos depois, o Peñarol abriu o marcador em bola parada. Após cobrança de escanteio de Trindade na primeira trave, Maximiliano Olivera subiu mais alto que a defesa corintiana e cabeceou para o fundo das redes.
Ainda no primeiro tempo, os donos da casa chegaram a ampliar a vantagem. Aos 40 minutos, Arezo desviou de cabeça para Umpiérrez, que finalizou cruzado e venceu Hugo Souza. O lance, no entanto, acabou anulado por impedimento. O Corinthians respondeu logo na sequência e quase empatou em jogada construída por Zakaria Labyad, que encontrou André dentro da área. O pivô do atacante resultou em finalização de Pedro Milans, mas a bola saiu rente à trave.
Nos minutos finais antes do intervalo, o time alvinegro aumentou a pressão. Kaio César teve chance de cabeça, Pedro Milans cruzou para André finalizar de primeira, mas a bola bateu em Pedro Raul no caminho e o gol não saiu. O Corinthians terminou a primeira etapa mais presente no ataque, embora sem conseguir transformar o volume em igualdade no placar.
Na volta do intervalo, o time brasileiro manteve a postura ofensiva. Logo aos seis minutos, Labyad recebeu em velocidade, cortou para o meio e bateu colocado, para fora. O empate veio aos 17. Kaio César levantou a bola na área, Pedro Raul se atirou na jogada e obrigou Aguerre a dar rebote. Na sobra, Labyad apareceu livre para completar e marcar o primeiro gol dele pelo Corinthians em sua estreia como titular.
O Timão ainda teve oportunidades para virar a partida. Kaio César voltou a aparecer em lance cara a cara com Aguerre, mas finalizou para fora, embora a arbitragem já apontasse impedimento. Depois, Garro arriscou de longe e exigiu boa defesa do goleiro uruguaio. Nos acréscimos, Yuri Alberto também teve duas chances claras, mas parou em Aguerre e depois mandou cruzado para fora no último lance de perigo da partida.
Com a liderança assegurada, o Corinthians encerra a fase de grupos com tranquilidade e volta agora suas atenções para o Campeonato Brasileiro. O próximo compromisso da equipe será no domingo, às 18h30, diante do Atlético-MG, na Neo Química Arena, pela 17ª rodada. Já o Peñarol volta a campo no mesmo dia e horário para enfrentar o Defensor Sporting, no Estádio Luis Franzini, pelo Campeonato Uruguaio.
| FICHA TÉCNICA | |
|---|---|
| Peñarol 1 x 1 Corinthians | |
| Competição | Copa Libertadores (quinta rodada da fase de grupos) |
| Local | Estádio Campeón del Siglo, em Montevidéu (Uruguai) |
| Data | 21 de maio de 2026 (quinta-feira) |
| Horário | 21h30 (de Brasília) |
| Cartões amarelos | Nenhum |
| Cartões vermelhos | Nenhum |
| Árbitro | Piero Maza (CHI) |
| Assistentes | Claudio Urrutia (CHI) e Juan Serrano (CHI) |
| VAR | Juan Lara (CHI) |
| Gols | Maximiliano Olivera, aos 18′ do 1ºT (Peñarol); Zakaria Labyad, aos 17′ do 2ºT (Corinthians) |
| Peñarol | Washington Aguerre; Franco Escobar, Emanuel Gularte (Facundo Álvez (Brian Barboza)), Mauricio Lemos, e Maximiliano Olivera; Gastón Togni, Eduardo Darias (Luis Angulo) e Jesús Trindade; Diego Laxalt (Abel Hernández), Leandro Umpiérrez e Matías Arezo (Facundo Batista). Técnico: Diego Aguirre |
| Corinthians | Hugo Souza; Pedro Milans, Gabriel Paulista, Gustavo Henrique e Fabrizio Angileri; Matheus Pereira (Lingard), Allan, André e Zakaria Labyad (Garro); Kaio César (Dieguinho) e Pedro Raul (Yuri Alberto). Técnico: Fernando Diniz |
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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