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Corinthians derrota o São Paulo em clássico movimentado e ganha fôlego no Brasileirão
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Em um Majestoso eletrizante na Neo Química Arena, neste domingo, o Corinthians venceu o São Paulo por 3 a 2, em duelo válido pela 15ª rodada do Campeonato Brasileiro. A partida foi marcada por reviravoltas, intensidade do início ao fim e gols de Raniele, Matheuzinho e Breno Bidon para o time alvinegro. Pelo Tricolor, Luciano e Matheuzinho, contra, balançaram as redes.
O resultado trouxe alívio momentâneo ao Corinthians, que chegou aos 18 pontos, mas ainda segue na zona de rebaixamento, ao menos por enquanto. A permanência fora do Z4 depende dos jogos de Vasco e Grêmio, que também somam 18 pontos e entram em campo nesta rodada. Se um dos rivais tropeçar, o Timão deixa a parte de baixo da tabela.
Do outro lado, o São Paulo estacionou na quarta colocação, com 24 pontos. A equipe também ampliou para quatro o jejum sem vitórias, somando três empates e uma derrota nesse recorte.
O jogo
A partida começou em ritmo forte. Logo aos 3 minutos, o Corinthians criou a primeira grande chance em contra-ataque puxado por Yuri Alberto pela direita. Ele acionou Matheuzinho, que levantou a bola para a área. Lingard dominou, ajeitou o corpo e finalizou, mas encontrou a defesa de Rafael.
O time da casa cresceu na partida e passou a empurrar o São Paulo para trás. A pressão deu resultado aos 16 minutos, quando Garro cobrou escanteio da direita e Raniele apareceu na primeira trave para cabecear para o fundo do gol. O São Paulo reclamou de falta no lance, mas o árbitro confirmou o tento corintiano.
Ainda na primeira etapa, Yuri Alberto quase ampliou aos 31 minutos, ao tentar uma bicicleta após lançamento de Breno Bidon. Rafael, porém, fez boa defesa. Depois disso, o São Paulo assumiu mais o controle da posse e passou a ocupar o campo ofensivo.
A reação tricolor veio aos 40 minutos, após erro na saída de bola do Corinthians. Raniele tentou iniciar a jogada dentro da própria área, Bobadilla recuperou a posse e encontrou Luciano, que finalizou para empatar o clássico.
O gol gerou tensão à beira do campo e dentro dele. Jogadores do São Paulo comemoraram perto da bandeirinha de escanteio, houve arremesso de objetos no gramado, e Calleri acabou caído após ser atingido, o que aumentou a confusão. O árbitro distribuiu cartões amarelos para Matheus Bidu, Gabriel Paulista, Calleri e Sabino. Na sequência, o VAR chegou a analisar um possível gesto obsceno de Bobadilla, mas não houve punição.
Na volta do intervalo, o Corinthians retomou o controle e logo recolocou o São Paulo em desvantagem. Aos 6 minutos, Carrillo fez belo passe para Matheuzinho, que recebeu pela direita, deixou Ferreira no chão dentro da área e bateu firme, sem chances para Rafael.
Pouco depois, aos 11 minutos, o Timão ampliou. Em uma saída rápida desde a defesa, Garro conduziu o contra-ataque e serviu Breno Bidon na entrada da área. O volante dominou com categoria e finalizou no canto direito para fazer 3 a 1.
O São Paulo tentou responder e passou a pressionar mais no campo de ataque. Enzo Díaz levou perigo em chute forte defendido por Hugo Souza, enquanto Cédric e Artur insistiram pelas laterais. Mesmo assim, o Corinthians ainda encontrou espaços para explorar os contra-ataques e quase marcou novamente com Lingard, que recebeu de Bidu e finalizou para fora.
Na próxima rodada, o Corinthians enfrenta o Barra na quinta-feira, dia 14 de maio, às 19h30, na Neo Química Arena, pelo jogo de volta da 5ª fase da Copa do Brasil. Já o São Paulo volta a campo na quarta-feira, dia 13, às 19h, contra o Juventude, no Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul, também pela Copa do Brasil.
| FICHA TÉCNICA | |
|---|---|
| Corinthians 3 x 2 São Paulo | |
| Competição | Campeonato Brasileiro (15ª rodada) |
| Local | Neo Química Arena, em São Paulo (SP) |
| Data | 10 de maio de 2026 (domingo) |
| Horário | às 18h30 (de Brasília) |
| Cartões amarelos | Zakaria Labyad, Matheus Bidu e Gabriel Paulista (Corinthians); Luan, Calleri, Sabino e Enzo Díaz (São Paulo) |
| Cartões vermelhos | Nenhum |
| Árbitro | Anderson Daronco (RS) |
| Assistentes | Rafael da Silva Alves (RS) e Maira Mastella Moreira (RS) |
| VAR | Rodolpho Toski Marques (PR) |
| Gols | Raniele, aos 16′ do 1ºT (Corinthians); Luciano, aos 41′ do 1ºT (São Paulo); Matheuzinho, aos 07′ do 2ºT (Corinthians); Breno Bidon, aos 12′ do 2ºT (Corinthians); Matheuzinho (contra), aos 44′ do 2ºT (São Paulo) |
| Corinthians | Hugo Souza; Matheuzinho, Gustavo Henrique, Gabriel Paulista e Matheus Bidu; Raniele, Carrillo (Dieguinho), Rodrigo Garro (Zakaria Labyad) e Bidon; Lingard e Yuri Alberto (Pedro Raul). Técnico: Fernando Diniz |
| São Paulo | Rafael; Cédric Soares, Dória, Sabino e Enzo Díaz (Wendell); Bobadilla (André Silva), Danielzinho (Luan); Artur, Luciano, Ferreira (Cauly) e Calleri. Técnico: Roger Machado |
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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