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Corinthians inicia Libertadores com vitória e Diniz tem estreia de gala

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O Corinthians quebrou um jejum de nove jogos sem vitória e deu um passo importante na Copa Libertadores da América. Sob o comando do recém-chegado técnico Fernando Diniz, o Timão superou o Platense por 2 a 0 na noite desta quinta-feira, no Estádio Ciudad de Vicente López, em Buenos Aires, com gols de Kayke e Yuri Alberto. A vitória marca o início da trajetória alvinegra na fase de grupos da competição continental com um resultado animador e uma estreia dos sonhos para o novo treinador.

Fernando Diniz, em sua primeira partida oficial à frente do Corinthians, mostrou sua “estrela” ao apostar no jovem atacante Kayke, cria das categorias de base do clube. Foi de Kayke o gol que abriu o placar e pavimentou o caminho para o triunfo.

O jogo

Os primeiros 45 minutos foram marcados por um jogo cauteloso, com poucas chances claras para ambos os lados. O Corinthians tentou construir jogadas a partir da defesa, mas encontrou dificuldades para superar a marcação argentina e criar oportunidades de gol. O goleiro Hugo Souza, no entanto, foi acionado aos 31 minutos, realizando uma bela defesa após cabeçada perigosa de Lencina, do Platense, evitando que os donos da casa abrissem o marcador. A única finalização corintiana no primeiro tempo veio aos 47, com Yuri Alberto, que, após passe de Garro, acabou recuando para o goleiro adversário.

Na volta do intervalo, a postura do Corinthians mudou. Aos sete minutos da segunda etapa, a aposta de Diniz, Kayke, brilhou. Após troca de passes com Yuri Alberto e Rodrigo Garro, o jovem atacante recebeu enfiada de bola, ganhou dos marcadores na velocidade e tocou com categoria, de cavadinha, sobre o goleiro Borgogno para inaugurar o placar.

O Platense buscou a reação e, aos 17 minutos, Hugo Souza precisou intervir novamente, defendendo uma cabeçada firme de Vázquez. Contudo, a vantagem corintiana foi ampliada aos 24 minutos. Garro, novamente participativo, lançou Yuri Alberto, que saiu na cara do gol e, com um chute preciso de perna esquerda, balançou as redes, sacramentando a vitória por 2 a 0.

Com este resultado, o Corinthians assume a liderança provisória do Grupo E da Libertadores, somando três pontos. A posição final da rodada dependerá do confronto entre Santa Fe e Peñarol, que ainda será disputado. O Platense, por sua vez, inicia sua campanha na lanterna da chave, sem pontuação.

Próximos desafios

O Platense se prepara para enfrentar o Gimnasia pela 14ª rodada do Campeonato Argentino, no próximo domingo, 12 de abril, às 15h (de Brasília), no Estádio Ciudad de Vicente López.

Já o Corinthians terá um clássico pela frente no Campeonato Brasileiro. O Timão receberá o Palmeiras na 11ª rodada do Brasileirão, também no domingo, 12 de abril, às 18h30 (de Brasília), em sua casa, a Neo Química Arena, em São Paulo.

FICHA TÉCNICA
Platense 0 x 2 Corinthians
Competição Libertadores (1ª rodada da fase de grupos)
Local Estádio Ciudad de Vicente López, em Buenos Aires (ARG)
Data 09 de abril de 2026 (quinta-feira)
Horário 21h (de Brasília)
Tempo Jogador Time
7′ do 2ºT Kayke Corinthians
24′ do 2ºT Yuri Alberto Corinthians
Tipo de Cartão Jogador Time
Amarelo André Corinthians
Vermelho Saborido Platense
Função Nome
Árbitro Piero Maza (CHI)
Assistentes José Retamal (CHI) e Miguel Rocha (CHI)
VAR Juan Lara (CHI)
Platense Corinthians
Matías Borgogno Hugo Souza
Juan Ignacio Saborido Matheuzinho
Ignacio Vázquez (Raggio) Gabriel Paulista
Víctor Cuesta Gustavo Henrique
Tomás Silva Matheus Bidu
Pablo Ferreira (Iván Gómez) Raniele (Allan)
Maximiliano Amarfil André (Carrillo)
Franco Zapiola (Gauto) Breno Bidon
Guido Mainero (Retamar) Rodrigo Garro (Jesse Lingard)
Augusto Lotti (Heredia) Kayke (Vitinho)
Gonzalo Lencina Yuri Alberto (Pedro Raul)
Técnico: Walter Zunino Técnico: Fernando Diniz

Fonte: Esportes



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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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