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Corinthians perde para o Internacional e se aproxima da zona de rebaixamento

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A pressão sobre o técnico Dorival Júnior no comando do Corinthians atingiu seu ponto máximo neste domingo. Em um confronto considerado crucial para o futuro do treinador, o Timão foi derrotado pelo Internacional por 1 a 0 na Neo Química Arena, pela décima rodada do Campeonato Brasileiro, e agora flerta perigosamente com a zona de rebaixamento. O gol de Bernabei selou a derrota alvinegra e aprofundou a crise no Parque São Jorge.

A partida contou com uma presença ilustre, mas impotente: Memphis Depay. O camisa 10, em recuperação de uma lesão na coxa, retornou ao Brasil no sábado e acompanhou o aquecimento do gramado, assistindo ao jogo de um camarote ao lado de Gui Negão, também lesionado. Sua presença não foi suficiente para inspirar a virada.

O resultado teve um impacto devastador para o Corinthians, que estendeu seu jejum de vitórias para nove jogos, acumulando quatro derrotas e cinco empates. O clube caiu posições e se encontra agora na 16ª colocação, com apenas 10 pontos, a dois de distância da Chapecoense, que abre o Z4. A sequência negativa acende o alerta máximo para a equipe e a diretoria.

Por outro lado, o Internacional celebra a ascensão. Com a vitória, o Colorado pulou para o 13º lugar, somando 12 pontos e ampliando sua sequência invicta para quatro jogos, com três vitórias e um empate, mostrando uma clara melhora de desempenho.

O jogo

O primeiro tempo na Neo Química Arena foi marcado por poucas chances claras de gol. O Corinthians tentou uma primeira investida com Angileri, cujo cruzamento fechado quase surpreendeu o goleiro. Aos 25 minutos, Matheuzinho cobrou escanteio e Raniele cabeceou para fora.

O Internacional respondeu com perigo aos 29, quando Carbonero cruzou rasteiro, e Bernabei finalizou de primeira, exigindo defesa de Hugo Souza. O lance, contudo, foi anulado por impedimento. Matheuzinho e Raniele ainda tentaram mais uma vez para o Timão antes do intervalo, sem sucesso.

A segunda etapa seguiu tensa e com as equipes se estudando. Aos 10 minutos, Bruno Gomes cobrou falta para Borré, que cabeceou nas mãos de Hugo Souza. O Corinthians teve sua melhor oportunidade aos 18 minutos, quando Angileri inverteu para André Ramalho, que escorou para Gustavo Henrique. O zagueiro dominou, mas finalizou mal, mandando a bola para fora.

O momento crucial da partida veio aos 32 minutos. Vitinho acionou Bernabei que, avançando com a bola, cortou para o meio e desferiu um chute potente da entrada da área, superando Hugo Souza e abrindo o placar para o Internacional. O Corinthians ainda teve a chance de empatar aos 36, quando Zakaria cruzou, e Vitinho, após Yuri Alberto furar a bola, bateu de primeira, mas acertou a rede pelo lado de fora. A reação corintiana não foi suficiente, e o apito final confirmou a derrota em casa.

Próximos desafios

O Corinthians terá que se reerguer rapidamente, pois já na próxima quinta-feira, 09 de abril, às 21h (de Brasília), enfrentará o Platense-ARG em Buenos Aires, pela primeira rodada da Copa Libertadores.

O Internacional, embalado pela vitória, terá um clássico gaúcho pela frente. No sábado, 11 de abril, às 20h30 (de Brasília), o Colorado receberá o Grêmio no Estádio Beira-Rio, pela 11ª rodada do Brasileirão.

FICHA TÉCNICA

Corinthians 0 x 1 Internacional
Competição Campeonato Brasileiro (10ª rodada)
Local Neo Química Arena, em São Paulo (SP)
Data 05 de abril de 2026 (domingo)
Horário 19h30 (de Brasília)
l
Público 32.437 pessoas
Renda R$ 2.171.746,00
Gols Minuto Time
Bernabei 32′ do 2ºT Internacional
Cartões Amarelos Time
Lingard Corinthians
André Ramalho Corinthians
Carbonero Internacional
Vitinho Internacional
Victor Gabriel Internacional
Cartões Vermelhos Detalhe
Nenhum
Arbitragem Nome
Árbitro Felipe Fernandes de Lima (MG)
Assistente 1 Alex dos Santos (SC)
Assistente 2 Felipe Alan Costa de Oliveira (MG)
VAR Paulo Renato Moreira da Silva Coelho (RJ)
Escalação Corinthians
Jogadores Hugo Souza; Matheuzinho (Dieguinho), Gustavo Henrique, André Ramalho e Angileri; Raniele (Pedro Raul), Matheus Pereira (Garro), André e Bidon (Zakaria Labyad); Lingard (Vitinho) e Yuri Alberto.
Técnico Dorival Júnior
Escalação Internacional
Jogadores Rochet; Bruno Gomes (Aguirre), Mercado, Victor Gabriel, Matheus Bahia e Bernabei; Villagra e Paulinho (Bruno Henrique); Vitinho (Juninho), Carbonero (Thiago Maia) e Borré (Alerrandro).
Técnico Paulo Pezzolano

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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