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Corinthians vence e despacha Athletico-PR na Copa do Brasil
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O Corinthians carimbou seu passaporte para as semifinais da Copa do Brasil ao derrotar o Athletico-PR por 2 a 0 na noite desta quarta-feira, em um confronto decisivo na Neo Química Arena. Com uma atuação inspirada de Gui Negão, que brilhou com gol e assistência, o Timão consolidou sua superioridade após já ter vencido a partida de ida.
A equipe paulista construiu uma vantagem confortável no placar agregado, que terminou em 3 a 0. O resultado da capital paulista somou-se à vitória por 1 a 0 conquistada em Curitiba, confirmando a força corintiana na competição.
Agora, o Corinthians aguarda a definição de seu próximo adversário, que sairá do clássico mineiro entre Cruzeiro e Atlético-MG. A Raposa levou a melhor no primeiro embate, vencendo por 2 a 0 fora de casa, e decidirá a vaga diante de sua torcida nesta quarta-feira, às 19h30 (de Brasília), no Mineirão.
Destaque individual e controle do jogo
A partida na Neo Química Arena teve um início com o Corinthians buscando o controle, mas pecando na finalização das jogadas. O Athletico-PR, por sua vez, assustou aos 25 minutos, quando Viveros balançou as redes em um contra-ataque, mas o lance foi anulado pelo VAR por uma falta na origem, para alívio da torcida alvinegra.
Aos 42 minutos do primeiro tempo, a magia de Gui Negão desfez o nó tático do jogo. Em uma jogada individual deslumbrante, o jovem recebeu a bola na entrada da área, driblou o marcador com maestria e serviu Rodrigo Garro, que, com frieza, contornou o goleiro e empurrou para o fundo das redes, marcando um golaço que abriu o placar.
No segundo tempo, a estrela de Gui Negão voltou a brilhar. Aos 17 minutos, o atacante recebeu de Vitinho na área, ganhou na dividida com a defesa paranaense e finalizou com precisão, na saída de Santos, ampliando a vantagem corintiana e garantindo a tranquilidade na partida.
O Athletico-PR ainda teve uma chance de esboçar uma reação aos 28 minutos, em um pênalti cometido por Matheuzinho. Contudo, o goleiro Hugo Souza se agigantou e defendeu a cobrança de Benavídez, consolidando a segurança do Corinthians, que a partir de então apenas administrou o resultado até o apito final, confirmando a classificação sem maiores sustos.
Próximos Compromissos
Com a vaga nas semifinais assegurada, o Corinthians volta suas atenções para o Campeonato Brasileiro.
Corinthians
- Fluminense x Corinthians (23ª rodada da Série B)
- Data e horário: 13/09 (sábado), às 21h (de Brasília)
- Local: Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)
Athletico-PR
- Chapecoense x Athletico-PR (26ª rodada da Série B)
- Data e horário: 16/09 (terça-feira), às 21h35 (de Brasília)
- Local: Arena Condá, em Chapecó (SC)
Ficha Técnica
Corinthians 2 x 0 Athletico-PR
Competição: Volta das quartas de final da Copa do Brasil
Local: Neo Química Arena, São Paulo (SP)
Data: 10 de setembro de 2025 (quarta-feira)
Horário: 21h30 (de Brasília)
Público: 41.450 torcedores Renda: R$ 3.557.400,00
Cartões Amarelos:
- Corinthians: Angileri, Vitinho, Matheuzinho
- Athletico-PR: Aguirre, Viveros, Patrick
Arbitragem
- Árbitro: Davi De Oliveira Lacerda (ES)
- Assistentes: Rafael da Silva Alves (RS) e Nailton Junior de Sousa Oliveira (CE)
- VAR: Diego Pombo Lopez (BA)
Gols:
- Corinthians: Rodrigo Garro, aos 42′ do 1ºT
- Corinthians: Gui Negão, aos 17′ do 2ºT
Escalações:
Athletico-PR:
- Goleiro: Santos
- Defensores: Aguirre, Terán, Esquivel
- Meio-campistas: Benavídez, Felipinho (Zapelli), Elan Ricardo (Patrick), Dudu, Léo Derik (Luiz Fernando)
- Atacantes: Julimar (Leozinho), Viveros (Renan Peixoto)
- Técnico: Fábio Moreno
Corinthians:
- Goleiro: Hugo Souza
- Defensores: Matheuzinho, Gustavo Henrique, João Pedro Tchoca, Angileri
- Meio-campistas: Maycon, Matheus Bidu, Breno Bidon (Ryan), Rodrigo Garro (Charles)
- Atacantes: Memphis Depay (Vitinho), Gui Negão (Yuri Alberto)
- Técnico: Dorival Júnior
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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