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Corinthians vence o Barra e abre vantagem na Copa do Brasil
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Mesmo utilizando uma formação alternativa, o Corinthians conquistou um importante resultado fora de casa na noite desta terça-feira (21.04). Atuando no Estádio da Ressacada, em Florianópolis, o Timão derrotou o Barra-SC por 1 a 0 no jogo de ida da quinta fase da Copa do Brasil. O gol da vitória foi marcado por Jesse Lingard, que balançou as redes pela primeira vez desde sua chegada ao clube.
Com o triunfo, o Corinthians joga pelo empate na partida de volta, marcada para o dia 14 de maio, às 19h30, na Neo Química Arena, em São Paulo. Caso avance, a equipe garante vaga nas oitavas de final do torneio nacional.
Primeiro tempo movimentado e gol no fim
O início do jogo foi animado, com o Barra se lançando ao ataque e exigindo atenção da defesa corintiana. Logo aos quatro minutos, Henrique arriscou um chute forte de fora da área e levou perigo ao goleiro Kauê, que viu a bola passar muito perto da trave.
O Corinthians respondeu pouco depois. Aos nove minutos, Dieguinho cruzou na área e o goleiro Ewerton saiu mal, deixando a bola viva na entrada da área, mas ninguém conseguiu completar a jogada.
A melhor chance do Timão na primeira etapa surgiu aos 15 minutos, quando Pedro Raul desviou cruzamento para Vitinho, que cabeceou no chão e acertou a trave — porém, o lance já seria invalidado por impedimento.
A rede, no entanto, só balançou nos acréscimos. Aos 46, Matheuzinho cobrou falta na área, a bola desviou e sobrou para Pedro Raul, que tocou para Lingard. O camisa 11 finalizou de primeira e marcou o gol que abriu o placar e garantiu a vantagem corintiana.
Corinthians administra e garante o resultado
No segundo tempo, o Corinthians seguiu criando oportunidades. Aos nove minutos, Vitinho arriscou chute cruzado e obrigou Ewerton a fazer boa defesa. O Barra, com dificuldades para ultrapassar a marcação, tentou de longe aos 18, mas Gabriel Silva não acertou em cheio e facilitou a vida de Kauê.
O Timão voltou a assustar aos 23 minutos, quando Labyad recebeu pela direita, limpou a marcação e bateu rasteiro — novamente parando em Ewerton, que evitou o segundo gol. A equipe catarinense tentou reagir na reta final e chegou com perigo com Saymon, mas o atacante estava impedido no lance.
Sem sofrer grandes sustos, o Corinthians confirmou a vitória e agora depende apenas de um empate no duelo decisivo em casa.
Próximos jogos
Barra
Jogo: Barra x Inter de Limeira
Competição: Série C do Brasileiro – 4ª rodada
Data: 26/04 (domingo), às 17h
Local: Arena Barra FC, Itajaí (SC)
Corinthians
Jogo: Corinthians x Vasco
Competição: Campeonato Brasileiro – 13ª rodada
Data: 26/04 (domingo), às 16h
Local: Neo Química Arena, São Paulo (SP)
| FICHA TÉCNICA | |
|---|---|
| Barra-SC 0 x 1 Corinthians | |
| Competição | Copa do Brasil (5ª fase – jogo de ida) |
| Local | Estádio da Ressacada, Florianópolis (SC) |
| Data | 21 de abril de 2026 (terça-feira) |
| Horário | 21h30 (de Brasília) |
| Público | 14.137 torcedores |
| Renda | R$ 2.620.420,00 |
| Cartões Amarelos | Matheus Pereira, Lingard, André Ramalho (Corinthians) |
| Cartões Vermelhos | Nenhum |
| Gol | Lingard, aos 46′ do 1°T (Corinthians) |
| Árbitro | Rafael Rodrigo Klein (RS) |
| Assistentes | Maira Mastella Moreira (RS); Luanderson Lima dos Santos (BA) |
| VAR | Paulo Renato Moreira da Silva Coelho (RJ) |
| Barra-SC | Ewerton; Fábio, Jean Pierre, Alemão e Da Rocha; Tetê, Henrique (Pablo Gabriel) e Matheus Barbosa (Marcelinho); Gabriel Silva (Warley), Cléo (Bernabé) e Lucas Vargas (Saymon) |
| Técnico do Barra-SC | Bernardo Franco |
| Corinthians | Kauê; Matheuzinho, André Ramalho, Gustavo Henrique e Angileri; Allan, Matheus Pereira (Raniele) e Lingard (Kaio César); Kayke (Vitinho), Dieguinho (Labyad) e Pedro Raul (Yuri Alberto) |
| Técnico do Corinthians | Fernando Diniz |
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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