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Corinthians vence Vasco e ganha fôlego na luta contra o Z4
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Em um duelo de tirar o fôlego pela 21ª rodada do Campeonato Brasileiro, o Corinthians superou o Vasco por 3 a 2, neste domingo (24.08), em São Januário. A vitória crucial não apenas garantiu ao Timão três pontos de ouro, mas também proporcionou um respiro significativo na tabela, distanciando a equipe do temido Z4. O embate foi marcado por reviravoltas e gols decisivos, mantendo a tensão até os últimos instantes.
O jogo
O placar foi inaugurado aos 21 minutos do primeiro tempo, em um momento de celebração para o meio-campo corintiano. Maycon, recém-recuperado de uma lesão muscular na coxa direita que o afastou por mais de um mês, mostrou oportunismo ao finalizar de primeira um cruzamento preciso de Matheus Bidu, pegando o goleiro Léo Jardim no contrapé.
Apesar de outras chances para ampliar, como a criada por Gui Negão aos 34 minutos que culminou em um desarme crucial de Puma Rodríguez, e uma defesa milagrosa de Hugo em chute de Rayan aos 40, o Corinthians foi para o intervalo com a vantagem mínima.
Na etapa final, o Vasco não demorou a reagir. Aos 13 minutos, após revisão do VAR, o árbitro assinalou pênalti por toque de mão de André Ramalho. O artilheiro Vegetti não desperdiçou a oportunidade, cobrando rasteiro e igualando o marcador para o Cruzmaltino.
Contudo, o Corinthians mostrou poder de reação. Aos 23, em uma jogada de persistência, Gui Negão aproveitou o rebote de uma finalização de Garro, após defesa de Léo Jardim, e concluiu de primeira para colocar o Alvinegro novamente à frente. A vitória foi selada por Gustavo Henrique aos 40 minutos, que subiu mais alto que a zaga vascaína em cobrança de escanteio de Garro e desviou de cabeça, sem chances para o goleiro.
O Vasco ainda buscou uma reação nos acréscimos, com Rayan diminuindo o placar aos 50 minutos, aproveitando um cruzamento rasteiro de Andrés Gomez, mas não houve tempo para mais nada.
Com o triunfo, o Corinthians alcançou 25 pontos, subindo para a 11ª colocação e abrindo uma confortável distância de seis pontos para o Vitória, primeiro time na zona de rebaixamento. A vitória teve um sabor especial, encerrando uma sequência de seis jogos sem vencer no Brasileirão (três empates e três derrotas), que vinha gerando apreensão.
Para o Vasco, a derrota manteve o clube com 19 pontos na 16ª posição, perigosamente próximo do Z4, e em alerta máximo para as próximas rodadas.
Próximos desafios
Ambas as equipes agora voltam suas atenções para a Copa do Brasil, onde terão compromissos importantes na próxima quarta-feira. O Corinthians visitará o Athletico-PR na Ligga Arena, às 21h30 (de Brasília), pela partida de ida das quartas de final. No mesmo horário, o Vasco receberá o Botafogo em São Januário, também pelo primeiro jogo das quartas de final do torneio.
FICHA TÉCNICA
VASCO X CORINTHIANS
Local: São Januário, no Rio de Janeiro (RJ)
Data: 24/08/2025
Horário: 16h (de Brasília)
Árbitro: Rodrigo José Pereira de Lima (PE)
Assistentes: Guilherme Dias Camilo (MG) e Francisco Chaves Bezerra Junior (PE)
VAR: Pablo Ramon Gonçalves Pinheiro (RN)
Cartões amarelos: David, aos 25′ do 1ºT; Rayan, aos 22′ do 2ºT; Lucas Piton, aos 28′ do 2ºT (Vasco) / Matheus Bidu, aos 40′ do 1ºT; Raniele, aos 31′ do 2ºT (Corinthians)
GOLS: Maycon, aos 21′ do 1ºT; Gui Negão, aos 23′ do 2ºT; Gustavo Henrique, aos 40′ do 2ºT (Corinthians) / Vegetti, aos 13′ do 2ºT; Rayan, aos 50′ do 2ºT (Vasco)
VASCO: Léo Jardim; Puma Rodríguez, Hugo Moura, Lucas Freitas e Lucas Piton; Jair (Andrés Gómez), Tchê Tchê (Vegetti) e Coutinho; Nuno Moreira (GB), Rayan e David (Cauan Barros). Técnico: Fernando Diniz
CORINTHIANS: Hugo Souza; Matheuzinho (Félix Torres), André Ramalho, Gustavo Henrique e Matheus Bidu; Raniele, Breno Bidon, Maycon (Ryan) e Charles (Garro); Gui Negão (Romero) e Kayke (Vitinho). Técnico: Dorival Júnior
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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