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Coritiba e Internacional empatam pela 15ª rodada do Brasileirão
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O Internacional arrancou um empate dramático por 2 a 2 diante do Coritiba neste sábado (09.05), no Couto Pereira, pela 15ª rodada do Campeonato Brasileiro. A equipe gaúcha conseguiu igualar o placar apenas nos minutos finais, em um jogo marcado por alternâncias no controle e forte disputa até o apito final.
O Coritiba abriu o marcador ainda no primeiro tempo, com Lavega, e voltou a ficar à frente na etapa complementar com Rodrigo Moledo. O Colorado, por sua vez, descontou com Borré e salvou o empate já no apagar das luzes, com Félix Torres, em uma arrancada que manteve o time vivo na briga por posições mais altas na tabela.
Com o resultado, o Internacional chega aos 18 pontos e sobe para a décima colocação, ultrapassando Atlético-MG e Botafogo, que ainda jogam nesta rodada. Já o Coritiba alcança 20 pontos e permanece na oitava posição, embora ainda possa ser ultrapassado dependendo dos demais resultados da rodada.
Coritiba sai na frente no primeiro tempo
O time paranaense começou melhor e aproveitou um lance de construção rápida para abrir o placar aos 27 minutos da primeira etapa. Josué encontrou Lavega em lançamento preciso pela esquerda, pegando a defesa colorada desorganizada. O atacante dominou dentro da área e, na saída de Rochet, finalizou com categoria de trivela, mandando no canto esquerdo.
Jogadores e comissão técnica do Internacional reclamaram de uma possível falta em Bernabei no início da jogada, mas o árbitro manteve a decisão de campo e o lance seguiu normalmente.
Colorado reage, mas sofre novo golpe
Na volta do intervalo, o Internacional cresceu na partida e chegou ao empate aos 24 minutos. Após chute travado de Bruno Gomes, a bola sobrou para Borré, que desviou para o gol e superou Pedro Rangel, recolocando o time gaúcho no jogo.
Quando parecia que o empate já estava consolidado, o Coritiba voltou a aproveitar o apoio da torcida e retomou a liderança do placar aos 39 minutos. Pela esquerda, Tinga cruzou na medida, e Rodrigo Moledo apareceu bem na área para cabecear firme no canto direito de Rochet.
Empate no fim
O desfecho veio já nos acréscimos. Vitinho fez jogada pela esquerda e bateu cruzado de canhota, obrigando Pedro Rangel a trabalhar. Na sobra, Félix Torres apareceu como homem de área e empurrou para as redes, garantindo o ponto fora de casa para o Internacional.
Próximos compromissos
O Coritiba volta a campo na quarta-feira, dia 13/05, às 19h30, contra o Santos, pela quinta fase da Copa do Brasil, novamente no Couto Pereira.
Já o Internacional enfrenta o Athletic Club na terça-feira, dia 12/05, às 19h30, no Beira-Rio, também pela quinta fase da competição nacional.
| FICHA TÉCNICA | |
|---|---|
| Coritiba 2 x 2 Internacional | |
| Competição | Campeonato Brasileiro (15ª rodada) |
| Local | Estádio Couto Pereira, Curitiba (PR) |
| Data | 09 de maio de 2026 (sábado) |
| Horário | 16h (de Brasília) |
| Cartões amarelos | Coritiba: Lucas Ronier e Seabra; Internacional: Victor Gabriel, Rochet e Félix Torres |
| Cartões vermelhos | Nenhum |
| Árbitro | Wagner do Nascimento Magalhães (RJ) |
| Assistente 1 | Leila Naiara Moreira da Cruz (DF) |
| Assistente 2 | Luiz Claudio Regazone (RJ) |
| VAR | Gilberto Rodrigues Castro Junior (PE) |
| Gol do Coritiba | Lavega, aos 27′ do 1º tempo |
| Gol do Internacional | Borré, aos 24′ do 2º tempo |
| Gol do Coritiba | Rodrigo Moledo, aos 39′ do 2º tempo |
| Gol do Internacional | Félix Torres, aos 45’+5 do 2º tempo |
| Coritiba | Pedro Rangel; Tinga, Jacy Maranhão, Bruno Melo e Felipe Jonathan (Fernando Sobral); Vini Paulista (Wallisson), Sebastián Gómez e Josué (Gustavo); Lucas Ronier, Lavega (Rodrigo Moledo) e Pedro Rocha (Renato Marques). Técnico: Fernando Seabra |
| Internacional | Rochet; Bruno Gomes, Félix Torres, Victor Gabriel e Matheus Bahia (Rafael Borré); Bruno Henrique (Thiago Maia), Villagra e Allex (Vitinho); Bernabei, Carbonero (Alan Patrick) e Alerrandro (Bruno Tabata). Técnico: Paulo Pezzolano |
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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