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Cruzeiro brilha no Mineirão, vence São Paulo e assume a vice-liderança do Brasileirão
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Em uma noite de gala no Mineirão, o Cruzeiro confirmou sua excelente fase e conquistou uma vitória crucial sobre o São Paulo por 1 a 0, em partida válida pela 22ª rodada do Campeonato Brasileiro. Com um golaço de falta de Matheus Pereira, a Raposa não só derrubou a invencibilidade de oito jogos do Tricolor paulista, mas também ascendeu à vice-liderança da competição, consolidando uma sequência impressionante de três triunfos consecutivos.
A atmosfera no Gigante da Pampulha era de otimismo, e a equipe celeste correspondeu em campo, mostrando consistência e oportunismo. O resultado colocou o Cruzeiro com 44 pontos, aproximando-se ainda mais do líder Flamengo e firmando sua posição entre os protagonistas do torneio. A expectativa agora é pela manutenção da posição, dependendo do clássico deste domingo.
O jogo
Desde o apito inicial, o Cruzeiro demonstrou controle tático. Embora o primeiro tempo tenha sido marcado por um equilíbrio com algumas investidas de ambos os lados – como a chance de Rodriguinho para o São Paulo e as tentativas de Kaiki e William para a Raposa –, a equipe mineira se mostrava mais incisiva. As defesas dos goleiros Cássio (Cruzeiro) e Rafael (São Paulo) foram testadas, mas o placar permaneceu inalterado até o intervalo.
Na volta para a segunda etapa, o Cruzeiro intensificou a pressão. Logo aos nove minutos, William fez um belo cruzamento para Matheus Pereira, que cabeceou com perigo, obrigando Rafael a uma grande defesa. A persistência cruzeirense foi recompensada aos 18 minutos. Em uma cobrança de falta frontal, Matheus Pereira soltou a bomba; a bola desviou na barreira são-paulina, enganando o goleiro e balançando as redes, para a explosão da torcida no Mineirão.
Após abrir o placar, a Raposa soube administrar a vantagem, mantendo a solidez defensiva e criando chances para ampliar. Gabigol e Kaiki Bruno estiveram perto de marcar o segundo gol, parando novamente em boas intervenções do goleiro adversário, Rafael, que evitou um placar mais elástico.
O Desafio da Copa do Brasil no Horizonte
Com a paralisação do calendário para a Data FIFA, o Cruzeiro terá um breve descanso antes de um confronto de altíssima relevância. O próximo desafio da Raposa será no dia 11 de setembro (quinta-feira), às 19h30, no Mineirão, pelo jogo de volta das quartas de final da Copa do Brasil, contra o rival Atlético-MG. Um clássico que promete fortes emoções e pode carimbar a passagem do Cruzeiro para a semifinal da competição.
A vitória sobre o São Paulo, que encerrou a série invicta do adversário, é um combustível importante para o Cruzeiro, que chega embalado para a reta final da temporada, sonhando alto tanto no Brasileirão quanto na Copa do Brasil.
FICHA TÉCNICA
CRUZEIRO 1 X 0 SÃO PAULO
Local: Estádio do Mineirão, em Belo Horizonte (MG)
Data: 30/08/2025
Horário: 21h (de Brasília)
Árbitro: Anderson Daronco (RS)
Assistentes: Rafael da Silva Alves (RS) e Maurício Coelho Silva Penna (RS)
VAR: Wagner Reway (SC)
Público: 36.882 torcedores
Renda: R$ 2.175.177,30
Cartões amarelos: Luciano, Rodriguinho, Patryck e Bobadilla (São Paulo) / Villalba e Lucas Silva (Cruzeiro)
GOL: Matheus Pereira, aos 18′ do 2ºT (Cruzeiro)
CRUZEIRO: Cássio; William, Fabrício Bruno, Villalba e Kaiki; Lucas Romero, Lucas Silva (Sinisterra), Matheus Henrique e Matheus Pereira (Kauã Prates); Wanderson (Eduardo) e Kaio Jorge (Gabigol). Técnico: Leonardo Jardim
SÃO PAULO: Rafael; Ferraresi, Sabino e Alan Franco; Cédric Soares, Pablo Maia (Henrique Carmo), Bobadilla, Rodriguinho e Patryck (Wendell); Luciano (Dinenno) e Ferreirinha (Tapia). Técnico: Hernán Crespo
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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