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Cruzeiro conquista o bicampeonato da Copinha em decisão eletrizante contra o São Paulo
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O Cruzeiro é o grande campeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2026! Em uma final emocionante disputada na Mercado Livre Arena Pacaembu neste domingo, a equipe mineira superou o rival São Paulo por 2 a 1, garantindo o segundo título de sua história no torneio de base mais prestigiado do país. Os gols da vitória cruzeirense foram marcados por William e Gustavinho, enquanto Isac descontou para o Tricolor.
A partida decisiva foi um verdadeiro teste de nervos para as jovens promessas, com momentos de brilho, pressão e viradas no placar.
O jogo
O Cruzeiro mostrou suas intenções logo aos dois minutos, com Rhuan Gabriel perdendo uma chance clara. A pressão celeste se materializou aos 11 minutos, quando Baptistella encontrou William, que subiu mais alto que a defesa para cabecear firme e abrir o placar para a Raposa. A equipe mineira manteve o domínio, criando mais oportunidades para ampliar a vantagem ao longo da primeira etapa.
Contrariando o cenário, o São Paulo conseguiu sua melhor chance aos 46 minutos, em chute potente de Igor Felisberto, defendido por Lamourier, e no rebote, Gustavo Santana finalizou de frente para o gol, mas o goleiro cruzeirense fez mais uma grande defesa. No entanto, a persistência tricolor foi recompensada um minuto depois: Isac aproveitou a oportunidade dentro da área e empurrou a bola para as redes, levando a torcida são-paulina ao delírio e deixando tudo igual antes do intervalo.
Segundo tempo
O segundo tempo começou com as equipes buscando o gol da vitória. Aos 28 minutos, Gustavinho, recém-saído do banco de reservas, arriscou um chute de fora da área. A bola explodiu na trave, bateu nas costas do goleiro e caprichosamente encontrou o caminho do gol, recolocando o Cruzeiro em vantagem.
Pouco depois, aos 31 minutos, um lance capital gerou controvérsia. Kaiquy Luiz cometeu falta sobre um jogador do São Paulo. O árbitro, inicialmente, assinalou pênalti, mas após revisão, reverteu a decisão para falta fora da área. Na cobrança perigosa de Igor Felisberto, o goleiro do Cruzeiro novamente se agigantou, espalmando para longe e assegurando a vantagem.
Nos minutos finais, o time mineiro administrou o placar com inteligência e solidez defensiva, impedindo as últimas tentativas do São Paulo. Ao apito final, a explosão de alegria tomou conta dos jovens cruzeirenses, que comemoraram intensamente a conquista do bicampeonato da Copinha, um feito que marca o início de uma promissora trajetória para muitos desses atletas.
| FICHA TÉCNICA | |
|---|---|
| São Paulo 1 x 2 Cruzeiro | |
| Competição | Copinha 2026 (Final) |
| Local | Mercado Livre Arena Pacaembu |
| Data | 25 de janeiro de 2026 (domingo) |
| Horário | 11h00 (de Brasília) |
| Cartões Amarelos | Matheus Ferreira (São Paulo); William, Murillo, André e Ivanilson (Cruzeiro) |
| Cartões Vermelhos | Nenhum |
| Gols (Cruzeiro) | William (11′ 1ºT), Gustavinho (28′ 2ºT) |
| Gols (São Paulo) | Isac (46′ 1ºT) |
| Árbitro | Murilo Tarrega Victor |
| Assistentes | Denis Matheus Afonso Ferreira e Izabele de Oliveira |
| VAR | Thiago Luis Scarascati |
| Escalação Cruzeiro | Vitor Lamounier; Nicolas, Kaiquy Luiz, Kelvin e William (Gustavinho); Murilo, Alessandro (André), Rhuan Gabriel e Rayan (Pablo); Baptistella (João Cervi) e Fernando (Pietro). **Técnico:** Mairon César. |
| Escalação São Paulo | João Pedro, Osorio, Nicolas (Guilherme Reis), Isac Silva, Pedro Ferreira, Igor Felisberto, Matheus Ferreira (Matheus Menezes), Djhordney, Gustavo Santana (Lucyan), Tetê, Paulinho Venuto (Felipe). **Técnico:** Allan Barcellos. |
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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