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Cruzeiro conquista vitória fora de casa e abre vantagem na semifinal do Mineiro

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O Cruzeiro deu um passo importante rumo à final do Campeonato Mineiro ao vencer o Pouso Alegre por 2 a 1, neste sábado (21), no jogo de ida da semifinal, disputado fora de casa. A partida marcou a reestreia do atacante Bruno Rodrigues, ex-Palmeiras, que balançou as redes e foi um dos destaques do triunfo celeste.

Com o resultado, a Raposa leva uma confortável vantagem para o confronto de volta. O time mineiro pode até empatar no próximo sábado, dia 28 de fevereiro, às 18h30 (de Brasília), no Mineirão, para carimbar sua vaga na grande decisão. O adversário na final será definido entre o vencedor do embate entre Atlético-MG e América-MG.

O jogo

O primeiro tempo do duelo foi amplamente dominado pelo Cruzeiro, que criou boas chances e chegou a ter um gol de Gerson anulado pela arbitragem devido a impedimento. Apesar do volume de jogo, as equipes foram para o intervalo com o placar inalterado.

A emoção e os gols ficaram reservados para a etapa complementar. Aos 18 minutos, o capitão Lucas Silva quebrou o zero do placar com um belo chute de fora da área, sem chances para o goleiro adversário. Aos 30 minutos, o Cruzeiro ampliou sua vantagem: William cruzou na área, a bola desviou na defesa do Pouso Alegre e sobrou limpa para Bruno Rodrigues, que, de cabeça, fez o segundo gol cruzeirense, coroando sua volta à equipe.

Contudo, o Pouso Alegre não se entregou e conseguiu diminuir a diferença. Aos 35 minutos, Lucas Villalba cometeu pênalti ao empurrar Gabriel Tota dentro da área. Na cobrança, Romarinho foi preciso e superou o goleiro Cássio, reacendendo as esperanças do time mandante. Apesar da pressão final, o Cruzeiro conseguiu segurar o resultado e garantir a vitória.

Próximos compromissos

Pouso Alegre agora terá a difícil missão de reverter o placar no Mineirão contra o Cruzeiro, na partida de volta da semifinal do Campeonato Mineiro, marcada para o próximo sábado, 28 de fevereiro, às 18h30 (de Brasília).

Cruzeiro terá um compromisso pelo Campeonato Brasileiro. A equipe celeste enfrentará o Corinthians na quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026, às 20h (de Brasília), também no Mineirão, pela 4ª rodada da competição nacional.

 FICHA TÉCNICA

Pouso Alegre 1 x 2 Cruzeiro
Competição Campeonato Mineiro – Semifinal (ida)
Local Estádio Manduzão, Pouso Alegre (MG)
Data 21 de fevereiro de 2026 (sábado)
Horário 18h30 (de Brasília)
Gols
  • Lucas Silva, aos 18′ do 2ºT (Cruzeiro)
  • Bruno Rodrigues, aos 30′ do 2ºT (Cruzeiro)
  • Romarinho, aos 43′ do 2ºT (Pouso Alegre)
Cruzeiro
Goleiro Cássio
Defensores William, Fabrício Bruno, Lucas Villalba e Kaiki
Meio-campistas Lucas Romero, Lucas Silva, Christian e Gerson
Atacantes Matheus Pereira e Néiser Villareal
Técnico Tite
Pouso Alegre
Goleiro Thiago Braga
Defensores Vitor Araújo, Ryan, Xandão e Matheus Nunes
Meio-campistas Magé, Pedro Arthur, Romário e Marcelo Cauã
Atacantes Thiago Rubim e Gabriel Tota
Técnico Danilo Gabriel

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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