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Cruzeiro consegue empate heroico; 3 a 3 contra o Juventude 

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Em uma noite de muitos gols e reviravoltas no Estádio Alfredo Jaconi, o Cruzeiro e o Juventude protagonizaram um empate movimentado em 3 a 3, pela 34ª rodada do Campeonato Brasileiro, nesta quinta-feira. O duelo foi marcado pela resiliência da Raposa, que por duas vezes correu atrás do placar para arrancar um ponto fora de casa.

Os gols do time gaúcho foram anotados por Marcelo Hermes e uma dobradinha de Gabriel Taliari. Pelo lado mineiro, Kaio Jorge brilhou com dois tentos, e Sinisterra completou a contagem, selando o placar emocionante.

Com o resultado, o Cruzeiro mantém a terceira colocação na tabela, somando 65 pontos, mas perde uma valiosa chance de se aproximar dos líderes Palmeiras e Flamengo na disputa pelo título. Já o Juventude, que lutou bravamente em casa, alcança 33 pontos e permanece na 18ª posição, encurtando para quatro pontos a diferença em relação ao Santos, o primeiro time fora da zona de rebaixamento, mantendo viva a esperança de permanecer na elite.

Primeiro Tempo

O apito inicial no Alfredo Jaconi deu o tom de um confronto agitado. Após chances para ambos os lados, foi o Juventude quem abriu o placar aos oito minutos. Marcelo Hermes, em uma jogada pela esquerda, tentou cruzar, mas a bola tomou a direção do gol, pegando o goleiro Cássio de surpresa e estufando as redes.

Pouco depois, aos 16 minutos, a equipe da casa ampliou. Gabriel Taliari, em lance de oportunismo, recebeu um lançamento preciso de Caique, dominou na área e tocou com categoria por cima de Cássio, fazendo 2 a 0 para o Alviverde. O Cruzeiro sentiu o golpe e, apesar de buscar a pressão, encontrava dificuldades na criação. Aos 38, Jadsom quase fez o terceiro do Juventude, mas Cássio realizou uma boa defesa. A Raposa, no entanto, conseguiu reagir antes do intervalo. Aos 41, em cobrança de falta lateral, Willian cruzou na área e Sinisterra subiu mais alto que a defesa para cabecear firme e diminuir a vantagem.

Segundo Tempo

O Cruzeiro voltou do vestiário com outra postura e não demorou a encontrar o empate. Logo no retorno, Kaiki recebeu um lançamento na pequena área e serviu Kaio Jorge, que teve apenas o trabalho de empurrar para o gol vazio, deixando tudo igual.

Contudo, a alegria cruzeirense durou pouco. Apenas cinco minutos depois do empate, o Juventude retomou a liderança. Mandaca recebeu um cruzamento, ajeitou de cabeça para Gabriel Taliari, que finalizou da pequena área para fazer seu segundo gol no jogo e recolocar o time gaúcho à frente. O Cruzeiro, então, se lançou novamente ao ataque, buscando incessantemente o novo empate. Com persistência e garra, o esforço foi recompensado aos 40 minutos. Bolasie cruzou na área, Abner tentou cortar, mas a bola sobrou para Kaio Jorge, que não perdoou e arrematou para o fundo das redes, selando o empate por 3 a 3 em um final eletrizante.

Próximos confrontos:

  • Juventude: Terá um difícil desafio contra o São Paulo no Morumbis, no domingo, 23 de novembro, às 16h (de Brasília), pela sequência do Campeonato Brasileiro.
  • Cruzeiro: Jogará em casa no Mineirão, também no domingo, 23 de novembro, às 20h30 (de Brasília), enfrentando o Corinthians.

FICHA TÉCNICA

Juventude 3 x 3 Cruzeiro

Competição: 34ª rodada do Campeonato Brasileiro

Local: Estádio Alfredo Jaconi, Caxias do Sul (RS)

Data: 20 de novembro de 2025 (quinta-feira)

Horário: 16h (de Brasília)

Arbitragem:

  • Árbitro: Sávio Pereira Sampaio (DF)
  • Assistentes: Leila Naiara Moreira da Cruz (DF), Leone Carvalho Rocha (GO)
  • VAR: Pablo Ramon Goncalves Pinheiro (RN)

Cartões Amarelos:

  • Juventude: Mandaca, Nenê, Alan Ruschel
  • Cruzeiro: Matheus Henrique

Gols:

  • Juventude:
    • Marcelo Hermes, aos 8′ do 1ºT
    • Gabriel Taliari, aos 16′ do 1ºT
    • Gabriel Taliari, aos 13′ do 2ºT
  • Cruzeiro:
    • Sinisterra, aos 42′ do 1ºT
    • Kaio Jorge, aos 8′ do 2ºT
    • Kaio Jorge, aos 40′ do 2ºT

Juventude: Jandei; Luan, Caique (Juan Sforza) e Marcos Paulo (Alan Ruschel); Formiga, Jadson, Mandaca (Ewerthon) e Marcelo Hermes; Rafael Bilu (Giovanny), Nenê (Abner) e Gabriel Taliari. Técnico: Thiago Carpini

Cruzeiro: Cássio; Willian (Kauã Moraes), Fabrício Bruno, Villalba e Kaiki (Kauã Prates); Lucas Romero, Lucas Silva (Ryan Guilherme) e Matheus Henrique (Japa); Gabi, Kaio Jorge e Sinisterra (Bolasie). Técnico: Leonardo Jardim

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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