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Cuiabá perde para o Ceará e vê zona de rebaixamento se aproximar no Brasileirão

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O Cuiabá sofreu uma dura derrota por 2 a 0 para o Ceará na Arena Pantanal, neste sábado, 4 de abril, em partida válida pelo Campeonato Brasileiro. O resultado negativo manteve o Dourado sem vitórias na competição e acendeu o alerta, com a equipe se aproximando perigosamente da zona de rebaixamento. Os gols do time cearense, ambos marcados por Juan Alano na segunda etapa, foram um balde de água fria nas aspirações cuiabanas de pontuar em casa.

Com mais uma derrota, o Cuiabá permanece com apenas dois pontos em três jogos disputados, encontrando-se em uma situação delicada na tabela e necessitando de uma recuperação imediata para afastar o fantasma da degola.

Dourado luta, mas pênaltis perdidos custam caro

A partida na Arena Pantanal começou com um Cuiabá buscando se impor em seus domínios. No primeiro tempo, a equipe da casa teve maior posse de bola e conseguiu criar algumas oportunidades, mas faltou pontaria para transformar as chances em gol.

A virada de chave, e a grande frustração cuiabana, veio na segunda etapa. Aos 15 minutos, o Dourado teve uma chance de ouro para abrir o placar, quando foi marcado um pênalti a seu favor. Rodrigo Rodrigues foi para a cobrança, mas parou no goleiro Richard, do Ceará, que fez uma importante defesa, mantendo o zero no placar.

Ainda em choque pela penalidade perdida, o Cuiabá viu o Ceará abrir o placar aos 25 minutos com Juan Alano. Pouco depois, aos 33, o mesmo Juan Alano ampliou a vantagem para 2 a 0, esfriando de vez as chances de reação do time mato-grossense.

Nos minutos finais, quando a equipe cuiabana tentava de todas as formas diminuir a desvantagem e buscar um empate heroico, uma nova penalidade foi assinalada a seu favor. Mais uma vez, no entanto, o goleiro Richard se agigantou. O arqueiro defendeu a cobrança e, no rebote, operou um milagre, impedindo o gol do Dourado e sacramentando a derrota por 2 a 0. A falta de efetividade nas finalizações e as duas penalidades perdidas foram determinantes para o revés do Cuiabá.

Próximos desafios:

Cuiabá terá que virar a chave rapidamente. O próximo compromisso da equipe será pela Copa Verde, na próxima terça-feira, 8 de abril, quando enfrentará o Atlético-GO. A partida será uma oportunidade para o Dourado buscar uma recuperação e o fim do jejum de gols, antes de retornar à luta por pontos no Campeonato Brasileiro.

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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