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Flamengo goleia o Coritiba no Maracanã e vai para a pausa na vice-liderança do Brasileirão

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Com um jogador a mais desde a expulsão de Pedro Rocha ainda no primeiro tempo, o Flamengo venceu o Coritiba por 3 a 0 na tarde deste sábado, no Maracanã, pela 18ª rodada do Campeonato Brasileiro. Samuel Lino, duas vezes, e Pedro marcaram os gols da equipe carioca, que encerrou sua participação antes da parada para a Copa do Mundo com uma atuação segura e resultado importante na tabela.

A vitória, no entanto, veio acompanhada de preocupação. O zagueiro Léo Ortiz sentiu dores na parte posterior da coxa direita em um lance com Pedro Rocha e deixou o gramado aos 17 minutos da etapa inicial. Ele será reavaliado nos próximos dias para saber se houve lesão. Foi também o último compromisso do Rubro-Negro antes da pausa do calendário.

Quem acompanhou o jogo das tribunas do Maracanã foi Jorge Jesus. De férias no Brasil, o treinador esteve no estádio e voltou a receber manifestações de carinho da torcida flamenguista, que ainda sonha com seu retorno. Na chegada ao local, o português comentou: “Sempre importante voltar a um sítio em que fui feliz”.

Com o resultado, o Flamengo chegou aos 34 pontos e se aproximou novamente do Palmeiras na disputa pela ponta da tabela. O time rubro-negro reagiu depois da derrota para o rival paulista na rodada anterior e assegurou a vice-liderança antes da paralisação. Já o Coritiba permaneceu com 26 pontos e em sexto lugar, podendo perder posições até o fim da rodada.

O jogo começou com pressão alta do Flamengo e erro na saída de bola do Coritiba, que acabou fatal aos 10 minutos. Pedro recuperou a posse e, de calcanhar, acionou Samuel Lino, que finalizou da entrada da área com o goleiro Pedro Rangel adiantado para abrir o placar no Maracanã.

O Coritiba teve a chance de empatar pouco depois, aos 16 minutos, em cobrança ensaiada de escanteio. Josué levantou para a entrada da área e Sebas Gómez apareceu batendo de primeira, mas mandou para fora. O Flamengo respondeu com perigo em chutes de Ayrton Lucas e Luiz Araújo, mas o goleiro adversário evitou que a vantagem aumentasse ainda no primeiro tempo.

Na etapa final, o Rubro-Negro ampliou cedo. Aos cinco minutos, Emerson Royal cruzou e Pedro subiu livre para cabecear, exigindo grande defesa de Pedro Rangel. A pressão, porém, se transformou em gol aos 14: Samuel Lino avançou pela esquerda e cruzou rasteiro para Pedro completar para as redes.

O terceiro veio aos 24 minutos. Ayrton Lucas acionou Samuel Lino no lado esquerdo, o atacante cortou para o meio, entrou na área e bateu. A bola desviou em Taverna, encobriu Pedro Rangel e fechou a conta no Maracanã.

Próximos jogos

FLAMENGO 

  • Chapecoense x Flamengo (19ª rodada do Campeonato Brasileiro)
  • Data e horário: a definir
  • Local: Arena Condá, em Chapecó (SC)

CORITIBA 

  • Coritiba x Palmeiras (19ª rodada do Campeonato Brasileiro)
  • Data e horário: a definir
  • Local: Estádio Couto Pereira, em Curitiba (PR)
FICHA TÉCNICA
Flamengo 3 x 0 Coritiba
Competição Campeonato Brasileiro (18ª rodada)
Local Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)
Data 30 de maio de 2026 (sábado)
Horário 16h (de Brasília)
Público 51.270 pessoas
Cartões amarelos Flamengo: Pulgar, Evertton Araújo, Luiz Araújo / Coritiba: nenhum informado
Cartões vermelhos Pedro Rocha, aos 31′ do 1ºT (Coritiba)
Arbitragem Árbitro: Flávio Rodrigues de Souza (SP)
Assistentes: Daniel Paulo Ziolli (SP) e Daniel Luis Marques (SP) – VAR: Diego Pombo Lopez (BA)
Gols Samuel Lino, aos 10′ do 1ºT (Flamengo)
Pedro, aos 14′ do 2ºT (Flamengo)
Samuel Lino, aos 24′ do 2ºT (Flamengo)
 Flamengo Rossi; Emerson Royal, Léo Ortiz (João Victor), Vitão e Ayrton Lucas; Evertton Araújo, Erick Pulgar (Saúl) e Luiz Araújo (Joshua); Samuel Lino (Cebolinha), Bruno Henrique e Pedro (Wallace Yan). Técnico: Leonardo Jardim.
Coritiba Pedro Rangel; JP Chermont (Lucas Taverna), Tiago Cóser, Jacy e Bruno Melo; Sebastián Gómez, Thiago Santos (Vini Paulista) e Josué (Gustavo); Pedro Rocha, Lavega (Felipe Jonatan) e Breno Lopes. Técnico: Fernando Seabra.

Fonte: Esportes



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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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