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Flamengo vence Cruz Azul e avança na Copa Intercontinental 

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O Flamengo garantiu sua vaga nas semifinais da Copa Intercontinental ao derrotar o Cruz Azul do México por 2 a 1, em uma partida emocionante disputada no Estádio Ahmad bin Ali, em Al-Rayyan. O “Dérbi das Américas”, como foi batizado o confronto pelas quartas de final, viu o meia uruguaio Giorgian De Arrascaeta brilhar intensamente, marcando os dois gols que selaram a vitória rubro-negra. Jorge Sánchez descontou para a equipe mexicana.

Com o triunfo, o time carioca agora se prepara para um novo desafio já neste sábado, às 14h (horário de Brasília), quando enfrentará o Pyramids, do Egito, novamente no Ahmad Bin Ali Stadium, valendo uma vaga na grande final contra o vencedor do confronto que envolverá o Paris Saint-Germain.

O jogo

A partida teve um início onde o Cruz Azul demonstrou maior ímpeto ofensivo. Logo aos 12 minutos, Rotondi teve uma chance clara, chutando perigosamente à direita da meta defendida por Rossi. No entanto, a resposta do Flamengo foi quase imediata e letal. Aos 14 minutos, um erro na saída de bola de Piovi resultou na posse para Arrascaeta que, com maestria, driblou o goleiro Gudiño e abriu o placar para o Rubro-Negro.

Apesar da vantagem, a primeira etapa seguiu com poucas oportunidades claras para ambos os lados. Contudo, nos acréscimos, o Cruz Azul aproveitou uma falha defensiva do Flamengo. Jorge Sánchez, com um chute de primeira, balançou as redes e levou o jogo empatado para o intervalo.

No segundo tempo, a busca pelo domínio das ações ofensivas marcou o recomeço. Houve um período de equilíbrio, com tentativas de ambos os lados. Paradela, do Cruz Azul, cabeceou para fora após escanteio aos três minutos. Dois minutos depois, Arrascaeta lançou Bruno Henrique, cujo chute foi defendido de forma brilhante pelo goleiro adversário, indicando que o Flamengo estava perto de retomar a liderança.

Aos 26 minutos da etapa final, Arrascaeta, mais uma vez, provou ser o diferencial. Em uma jogada onde a bola retornou aos seus pés após uma tentativa de passe, o camisa 14 mostrou oportunismo e técnica, encobrindo o goleiro com um toque sutil para recolocar o Flamengo na frente. Com a vantagem restabelecida, o time brasileiro soube administrar o resultado, contendo as inoperantes tentativas de empate do Cruz Azul até o apito final, garantindo a classificação.

Aqui está a tabela com as informações da partida:

FICHA TÉNCIA
Competição Copa Intercontinental 2025 – Quartas de Final
Placar Flamengo 2 x 1 Cruz Azul
Local Estádio Ahmad bin Ali, Al-Rayyan, Catar
Data 10 de dezembro de 2025 (quarta-feira)
Horário 14h (de Brasília)
Gols
Minuto Time Jogador
14′ do 1ºT Flamengo Arrascaeta
43′ do 1ºT Cruz Azul Jorge Sánchez
26′ do 2ºT Flamengo Arrascaeta
Cartões
Tipo Time Jogadores
Amarelos Cruz Azul Ditta, Gonzalo Piovi
Amarelos Flamengo Jorginho, Alex Sandro, Cebolinha, De La Cruz
Vermelhos Ambos Nenhum
Arbitragem
Função Nome Nacionalidade
Árbitro Glenn Nyberg Suécia
Assistente 1 Mahbod Beigi Suécia
Assistente 2 Andreas Söderkvist Suécia
VAR Fedayi San Suíça
Time Escalação Técnico
FLAMENGO Rossi, Varela, Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro; Pulgar (Saúl), Jorginho (De La Cruz) e Arrascaeta (Luiz Araújo); Carrascal (Everton Cebolinha), Bruno Henrique e Samuel Lino (Plata) Filipe Luís
CRUZ AZUL Gudiño, Jorge Sánchez (Bogusz), Ditta, Piovi e Érik Lira; Jeremy Márquez (Faravelli) e Carlos Rodríguez; Rivero (Omar Campos), Paradela (Luka Romero) e Rotondi (Sepúlveda); Gabriel Fernández Nicolás Larcamón

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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