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Flamengo vence Estudiantes e joga por empate para chegar à Semifinal da Libertadores

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O Flamengo deu um passo importante rumo à semifinal da Copa Libertadores ao vencer o Estudiantes-ARG por 2 a 1, no Maracanã, na noite desta quinta-feira, pelo confronto de ida das quartas de final. Com gols de Pedro e Varela no primeiro tempo, a equipe rubro-negra construiu uma vantagem que parecia mais confortável, mas viu os argentinos diminuírem com Carrillo na etapa final, após uma polêmica expulsão do jogador Plata.

A vitória, embora suada, deixa o Flamengo em boa posição para o jogo de volta. Os cariocas agora viajam para La Plata podendo empatar que garantem a vaga entre os quatro melhores da competição. Em caso de igualdade no placar agregado (por exemplo, 2 a 1 para o Estudiantes), a decisão será levada para as penalidades. O classificado deste embate enfrentará o vencedor do duelo entre Racing e Vélez Sarsfield na próxima fase.

Início avassalador e virada de cenário

A partida começou com um Flamengo eletrizante. Logo aos 18 segundos de jogo, Pedro recebeu um passe de Plata, girou sobre a marcação e finalizou com precisão para abrir o placar, incendiando o Maracanã. A pressão rubro-negra não diminuiu, e a ampliação veio rapidamente, aos 8 minutos. Ayrton Lucas fez um belo cruzamento para Varela, que, de primeira, acertou um chute indefensável para o goleiro Muslera, levando a torcida ao delírio e colocando o placar em 2 a 0.

O cenário de tranquilidade, contudo, começou a mudar na etapa final. Em um lance controverso, Plata recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso, deixando o Flamengo com um jogador a menos. A partir daí, o Estudiantes cresceu na partida e passou a pressionar em busca do gol que diminuiria o prejuízo.

A insistência argentina foi recompensada nos minutos finais. Aos 45 minutos do segundo tempo, Carrillo conseguiu balançar as redes, marcando o gol que reduziu a desvantagem para 2 a 1. O gol sofrido no fim impediu que o Flamengo levasse uma vantagem mais confortável para o jogo de volta, mas ainda assim a equipe mantém a dianteira no confronto.

Próximos compromissos

Antes de decidir a vaga na Argentina, o Flamengo foca no Campeonato Brasileiro. A equipe recebe o Vasco da Gama neste domingo, às 17h30, no Maracanã, pela 24ª rodada do Brasileirão. Já o Estudiantes volta a campo pela nona rodada do Clausura do Campeonato Argentino na próxima segunda-feira (22), às 19h, quando recebe o Defensa y Justicia no Estádio Jorge Luis Hirschi.

Ficha Técnica

Flamengo 2 x 1 Estudiantes

Competição: Partida de ida das quartas de final da Copa Libertadores

Local: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)

Data: 18 de setembro de 2025 (quinta-feira)

Horário: 21h30 (de Brasília)


Gols:

  • Flamengo: Pedro, aos 18′ do 1ºT; Varela, aos 8′ do 1ºT
  • Estudiantes: Carrillo, aos 45′ do 2ºT

Cartões:

  • Amarelos: Samuel Lino, Bruno Henrique e Saúl (Flamengo); Farias, Nuñez e Castro (Estudiantes)
  • Vermelhos: Plata (Flamengo)

Arbitragem:

  • Árbitro: Andrés Rojas (COL)
  • Assistentes: Alexander Guzman (COL) e John León (COL)
  • VAR: Nicolas Gallo (COL)

Escalações:

Flamengo: Rossi; Varela, Léo Ortiz, Léo Pereira e Ayrton Lucas; De La Cruz, Saúl (Allan) e Arrascaeta (Luiz Araújo); Plata, Pedro (Bruno Henrique) e Samuel Lino (Danilo). Técnico: Filipe Luís.

Estudiantes: Muslera; Gómez, Nuñez, Rodríguez e Arzamendía (Perez); Ascacíbar, Amondarain (Allario), Piovi (Benedetti), Médina (Palacios) e Farías (Castro); Carrillo. Técnico: Eduardo Domínguez.

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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