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Flamengo vence o Botafogo e avança às semifinais do Campeonato Carioca

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Em um clássico eletrizante disputado no Estádio Nilton Santos, o Flamengo superou o Botafogo por 2 a 1 e garantiu sua vaga nas semifinais do Campeonato Carioca. A vitória rubro-negra veio com gols de Lucas Paquetá e Pulgar, neste domingo, em partida válida pelas quartas de final do torneio estadual.

Com o triunfo, o time da Gávea enfrentará o Madureira na próxima fase da competição. As datas, horários e locais dos confrontos de ida e volta serão definidos em breve pela FERJ (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro). Para o Botafogo, a derrota marca a despedida do Campeonato Carioca, e a equipe agora volta suas atenções para os desafios internacionais e nacionais.

O jogo

O início da partida foi marcado por um intenso equilíbrio, com ambas as equipes buscando a iniciativa, mas encontrando dificuldades na criação. Aos 18 minutos, o Flamengo quebrou o zero no placar em um lance que gerou polêmica. Após uma roubada de bola de Vitão em Matheus Martins, o Rubro-Negro engatou um contra-ataque rápido. Bruno Henrique avançou com liberdade e serviu Lucas Paquetá, que finalizou rasteiro no canto do goleiro Neto. Apesar das reclamações alvinegras de uma suposta falta no início da jogada, o árbitro validou o gol.

Em vantagem, o Flamengo assumiu o controle das ações e assustou o goleiro botafoguense em outras oportunidades, principalmente com Emerson Royal. O Botafogo tentava reagir através de Matheus Martins, que teve a melhor chance alvinegra ao aproveitar um lançamento de Barrera e tocar na saída de Andrew, mas a bola saiu pela linha de fundo.

Segundo tempo

A etapa final começou com o Botafogo demonstrando maior agressividade, buscando o empate com Newton e Montoro. A insistência alvinegra foi recompensada aos oito minutos. Em cobrança de escanteio de Alex Telles, Barboza subiu mais alto que a defesa flamenguista e cabeceou com precisão, estufando as redes de Andrew para igualar o placar.

Motivada pelo empate, a equipe de Martín Anselmi continuou pressionando e quase virou o jogo com Villalba, e depois com Arthur Novaes, que chutou rente ao travessão. O técnico Filipe Luís, do Flamengo, reagiu promovendo alterações que tornaram o time mais ofensivo. Luiz Araújo, atuando de forma mais adiantada, exigiu uma boa defesa de Neto em um chute rasteiro.

Aos 38 minutos, o Flamengo garantiu a vitória em outro lance de bola parada. Após cobrança de escanteio de Arrascaeta e um desvio na área, Pulgar apareceu livre na esquerda. O camisa 5 cabeceou, e Neto não conseguiu segurar. No rebote, o próprio Pulgar, sem marcação, completou para o gol, selando o 2 a 1. Nos acréscimos, o Botafogo se lançou ao ataque, mas a defesa rubro-negra, e a imprecisão dos atacantes alvinegros, como Arthur Cabral e Barrera, impediram o novo empate, garantindo a classificação do Flamengo.

Próximos compromissos

O Botafogo agora se prepara para um importante desafio pela Copa Libertadores. A equipe enfrentará o Nacional de Potosí-BOL, pelo jogo de ida da segunda fase da competição, no dia 18 de fevereiro (quarta-feira), às 21h30 (de Brasília), no Estádio Víctor Agustín Ugarte, em Potosí (BOL).

Já o Flamengo terá um compromisso internacional de peso pela frente. O Rubro-Negro disputará o jogo de ida da final da Recopa Sul-Americana contra o Lanús-ARG, no dia 19 de fevereiro (quinta-feira), às 21h30 (de Brasília), no Estádio Ciudad de Lanús, em Buenos Aires (ARG).

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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