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Flamengo vence o Corinthians em jogo dramático na Neo Química Arena
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Em uma noite de altos e baixos para o atacante Yuri Alberto e de reviravolta para o placar, o Corinthians sucumbiu diante do Flamengo por 2 a 1, neste domingo, na Neo Química Arena. A partida, válida pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro, viu o Rubro-Negro carioca buscar a vitória nos minutos finais, consolidando sua liderança e infligindo a segunda derrota consecutiva ao Timão.
O jogo
Os primeiros 45 minutos foram marcados por um Corinthians dominante e uma sequência de lances que tiraram o fôlego da torcida alvinegra. Logo aos dez minutos, uma jogada bem construída, iniciada por Raniele e passando por Gui Negão e Martínez, terminou com Matheus Bidu cruzando para Yuri Alberto, que carimbou a trave. No rebote, Bidon sofreu pênalti. Na cobrança, Yuri Alberto tentou uma “cavadinha” e viu o goleiro Rossi defender com tranquilidade, perdendo uma chance de ouro.
O camisa 9 do Corinthians teve nova oportunidade clara aos 24 minutos, mas Rossi, novamente, se agigantou para evitar o gol. O Flamengo, por sua vez, teve sua melhor chance da etapa inicial nos minutos finais, com Arrascaeta e Samuel Lino, mas a pontaria não estava calibrada ou a defesa corintiana interveio no momento certo.
Segundo tempo
O recomeço do jogo trouxe a redenção para Yuri Alberto. Em um contra-ataque rápido, o atacante recebeu de Gui Negão, driblou Léo Ortiz com um toque sutil e, cara a cara com Rossi, desta vez não perdoou, abrindo o placar para o Corinthians no primeiro minuto do segundo tempo. A alegria, porém, durou pouco.
Em uma jogada bem trabalhada pelo Flamengo, Carrascal encontrou Arrascaeta livre na área, e o uruguaio finalizou com precisão para deixar tudo igual. O empate reacendeu a esperança flamenguista, que não desistiu. Aos 42 minutos da etapa final, o golpe fatal para o Corinthians: Carrascal, novamente participativo, serviu Luiz Araújo dentro da área, que finalizou cruzado e garantiu a virada heroica para o time carioca.
Impacto na tabela
O resultado teve reflexos distintos na classificação. Para o Corinthians, a derrota mantém a equipe na 12ª posição, com 29 pontos, e acende o alerta, pois a distância para o Juventude, primeiro time na zona de rebaixamento, é de apenas sete pontos. Já o Flamengo aproveitou as derrotas de Palmeiras e Cruzeiro na rodada, disparou na liderança do Brasileirão, alcançando 54 pontos e abrindo quatro de vantagem sobre o segundo colocado.
- Corinthians: 12º colocado, com 29 pontos (7 vitórias, 8 empates, 10 derrotas)
- Flamengo: Líder, com 54 pontos (16 vitórias, 6 empates, 2 derrotas)
Próximos Compromissos
- Corinthians: Visita o Internacional no Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre (RS), na próxima quarta-feira, 1º de outubro, às 19h30 (de Brasília), pela 26ª rodada.
- Flamengo: Recebe o Cruzeiro no Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ), na quinta-feira, 2 de outubro, às 20h30 (de Brasília), também pela 26ª rodada.
FICHA TÉCNICA
Corinthians 1 x 2 Flamengo
Competição: Campeonato Brasileiro (25ª rodada)
Local: Neo Química Arena, em São Paulo (SP)
Data: 29 de setembro de 2025 (domingo)
Horário: 20h30 (de Brasília)
Público: 40.296 torcedores Renda: R$ 3.003.306,00
Cartões Amarelos:
- Corinthians: Gustavo Henrique, Yuri Alberto, Matheus Bidu
- Flamengo: Alex Sandro, Carrascal, Danilo, Saul, Jorginho
Arbitragem:
Árbitro: Wilton Pereira Sampaio (GO)
Assistentes: Bruno Raphael Pires (GO) e Bruno Boschilia (PR)
VAR: Wagner Reway (SC)
Gols:
- Corinthians: Yuri Alberto, aos 1′ do 2º T
- Flamengo: Arrascaeta, aos 9′ do 2º T
- Flamengo: Luiz Araújo, aos 41′ do 2º T
Escalações:
Corinthians: Hugo Souza; Matheuzinho, João Pedro Tchoca (Cacá), Gustavo Henrique e Matheus Bidu; Raniele, José Martínez (Angileri), Maycon (Ryan) e Breno Bidon (Vitinho); Gui Negão (Talles Magno) e Yuri Alberto. Técnico:Dorival Júnior
Flamengo: Rossi; Emerson Royal, Léo Ortiz, Léo Pereira (Danilo) e Viña (Alex Sandro); De la Cruz (Jorginho), Saul e Arrascaeta; Carrascal, Samuel Lino (Luiz Araújo) e Bruno Henrique (Plata). Técnico: Filipe Luís
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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