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Flamengo vence o Grêmio fora de casa e segue firme no Brasileirão

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O Flamengo conquistou uma vitória importante fora de casa neste domingo ao derrotar o Grêmio por 1 a 0, na Arena do Grêmio, pela 15ª rodada do Campeonato Brasileiro. O único gol da partida foi marcado por Jorge Carrascal, ainda no primeiro tempo, em um jogo de forte marcação, boa atuação defensiva e várias chances criadas pelo time carioca.

O jogo

A equipe rubro-negra começou a partida com mais posse de bola e maior presença ofensiva, mas encontrou resistência em um Grêmio bem postado na defesa. Apesar das dificuldades para transformar o volume em gols, o Flamengo foi mais perigoso ao longo da etapa inicial, exigindo boas defesas de Weverton e acertando a trave antes de abrir o placar.

O gol da vitória saiu aos 23 minutos do primeiro tempo. Após boa jogada pela direita, Léo Ortiz encontrou espaço para construir a ação, Emerson Royal escorou e Carrascal apareceu na área para completar de canhota e balançar as redes. Foi o lance que premiou a superioridade do Flamengo naquele momento do jogo.

Depois de ficar em desvantagem, o Grêmio tentou responder, mas esbarrou na organização da defesa adversária e teve dificuldade para acelerar as jogadas. O time gaúcho até ensaiou algumas investidas com Francis Amuzu, Pavón e Carlos Vinícius, porém sem a mesma eficiência do adversário na construção das oportunidades.

No segundo tempo, o Flamengo voltou com postura agressiva e quase ampliou logo nos primeiros minutos, em finalizações de Lino, Plata e Bruno Henrique. Weverton, porém, evitou que o placar fosse mais elástico e manteve o Grêmio vivo na partida. O time da casa, por sua vez, tentou se lançar ao ataque, mas continuou encontrando dificuldades para superar a marcação rubro-negra.

Nos minutos finais, o Flamengo passou a administrar a vantagem com posse de bola no campo ofensivo e controlou o ritmo até o apito final. O Grêmio até tentou pressionar, mas não conseguiu transformar a reação em gol.

Com o resultado, o Flamengo soma mais três pontos e reforça sua campanha no Campeonato Brasileiro. Já o Grêmio deixa o campo sem pontuar diante de sua torcida e precisa buscar recuperação na sequência da competição.

Próximas partidas

Grêmio

  • Jogo: Confiança x Grêmio
  • Data e horário: 14 de maio de 2026 (quinta-feira) | 19h (de Brasília)
  • Competição: Copa do Brasil – Quinta fase (jogo de volta)
  • Local: Estádio Lourival Baptista, em Aracaju (SE)

Flamengo

  • Jogo: Vitória x Flamengo
  • Data e horário: 14 de maio de 2026 (quinta-feira) | 21h30 (de Brasília)
  • Competição: Copa do Brasil – Quinta fase (jogo de volta)
  • Local: Barradão, em Salvador (BA)
FICHA TÉCNICA
Grêmio 0 x 1 Flamengo
Competição Campeonato Brasileiro – 15ª Rodada
Local Arena do Grêmio, em Porto Alegre (RS)
Data 10 de maio de 2026 (domingo)
Horário 19h30 (de Brasília)
Cartões amarelos Jorginho (Flamengo), Pavón (Grêmio) e Evertton Araujo (Flamengo)
Gols Carrascal, aos 22’ do 2ºT (Flamengo)
Árbitro Davi De Oliveira Lacerda (ES)
Assistentes Bruno Raphael Pires (GO) e Pedro Amorim de Freitas (ES)
VAR Marco Aurelio Augusto Fazekas Ferreira (MG)
Grêmio Weverton; Pavon, Gustavo Martins, Viery, Balbuena e Pedro Gabriel; Noriega e Leo Pérez; Gabriel Mec, Amuzu e Carlos Vinícius. Técnico: Luís Castro
Flamengo Rossi; Varela, Léo Ortiz, Léo Pereira e Ayrton Lucas; Evertton Araújo, Jorginho e Carrascal; Plata, Pedro e Samuel Lino. Técnico: Leonardo Jardim

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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