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Fluminense empata com o Bahia em duelo eletrizante: 3 a 3 na Arena Fonte Nova
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O Fluminense viveu uma noite de altos e baixos e saiu de campo com um ponto em um jogo frenético na Arena Fonte Nova. Em partida com duas viradas, o Tricolor empatou por 3 a 3 com o Bahia neste sábado (09.08), pela 19ª rodada do Campeonato Brasileiro. Germán Cano, duas vezes, e Nonato marcaram para o Flu, que chegou aos 24 pontos na tabela e agora volta o foco para a Copa Sul-Americana.
O jogo
O Fluminense começou ligado, apostando nas acelerações de Julio Fidelis pela direita e na bola parada para ocupar a área. A estratégia rendeu cedo: aos 8 minutos, Renê cobrou lateral longo, Keno ganhou pelo alto e Cano, em movimento, emendou um chute de primeira para abrir o placar com categoria. A vantagem, porém, durou pouco. Aos 11, o Bahia aproveitou o momento de recomposição tricolor e empatou.
O Flu tentou retomar o controle com presença ofensiva. Aos 15, Renê colocou na área em cobrança de falta e Davi Schuindt subiu bem para cabecear, exigindo boa intervenção do goleiro. Mesmo assim, aos 18, os donos da casa encontraram espaços e viraram. A partir daí, o Tricolor carioca buscou reorganizar as ações e criou oportunidades para empatar: aos 32, Lima lançou Julio Fidelis pela esquerda; ele ganhou em velocidade e finalizou cruzado, para fora. No minuto 44, Keno trouxe da esquerda para o meio e bateu com perigo, por cima do travessão.
Segundo tempo: Cano decide, Nonato vira, mas empate vem no fim
Na volta do intervalo, o Fluminense mostrou maturidade para reagir. Logo aos 3 minutos, Julio Fidelis cruzou preciso e Cano, em grande noite, acertou um voleio de muita técnica para fazer 2 a 2. O gol deu confiança à equipe, que passou a mandar no meio-campo, adiantou linhas e empurrou o Bahia para trás.
A bola parada quase decidiu novamente: aos 14, PH Ganso cobrou falta, Julio Fidelis desviou de leve e a bola raspou a trave. Com volume e posse, o Tricolor construiu a virada aos 27: Keno clareou a jogada, achou Nonato infiltrando; o meia dominou, atacou o espaço e bateu rasteiro no canto para colocar o Flu na frente. No lance seguinte, Cano arriscou de muito longe e obrigou o goleiro a se esticar para evitar o quarto gol.
Quando parecia que os três pontos viriam para o Rio, o Bahia encontrou o empate aos 43 minutos, em investida final que castigou a equipe de Renato Gaúcho, melhor durante boa parte da etapa complementar.
Resumo do placar
- Fluminense 1×0: 8’ do 1ºT — Lateral cobrado por Renê, Keno escorou de cabeça e Cano pegou de primeira para marcar um belo gol.
- Bahia 1×1: 11’ do 1ºT — Resposta imediata dos mandantes com o empate.
- Bahia 2×1: 18’ do 1ºT — Virada baiana em nova chegada eficiente.
- Fluminense 2×2: 3’ do 2ºT — Cruzamento de Julio Fidelis e voleio plástico de Cano para igualar.
- Fluminense 3×2: 27’ do 2ºT — Nonato recebeu de Keno, invadiu a área e finalizou rasteiro para virar novamente.
- Bahia 3×3: 43’ do 2ºT — Pressionando no fim, o adversário achou o gol do empate.
Personagens do jogo
- Germán Cano: decisivo mais uma vez, com dois gols — um de finalização rápida e outro em belo voleio —, foi a referência técnica do ataque tricolor.
- Julio Fidelis: muito participativo pelas pontas, criou desequilíbrios, deu assistência para o segundo gol e apareceu bem nas bolas paradas.
- Keno: peça-chave na construção das jogadas, com participação direta em dois gols e boas escolhas na última parte do campo.
- Nonato: dinamismo entre linhas e chegada de surpresa na área para marcar o terceiro do Flu.
Próximos compromissos
Com o empate, o Fluminense alcança 24 pontos no Brasileirão. A equipe volta a campo na próxima terça-feira (12.08), às 21h30 (horário de Brasília), para enfrentar o América de Cali (COL), no Estádio Olímpico Pascual Guerrero, pela partida de ida das oitavas de final da Copa Sul-Americana. Já o Bahia, jogo mata-mata fora de casa na Sul-Americana e exigirá foco na consistência defensiva e na eficiência das transições ofensivas que funcionaram bem em Salvador.
FICHA TÉCNICA
BAHIA-BA 3 X 3 FLUMINENSE-RJ
Local: Arena Fonte Nova, em Salvador (BA)
Data: 09/08/2025
Horário: 21h (de Brasília)
Árbitro: Jefferson Ferreira de Moraes (GO)
Assistentes: Bruno Raphael Pires (GO) e Marcia Bezerra Lopes Caetano (RO)
VAR: Emerson de Almeida Ferreira (MG)
Cartões amarelos: Jean Lucas e Everton Ribeiro (Bahia); Bernal e Thiago Santos (Fluminense)
Cartão vermelho: Freytes (Fluminense)
GOLS: Jean Lucas, aos 12′ do 1º T; Everton Ribeiro, aos 18′ do 1º T; Luciano Juba, aos 43′ do 2º T (BAHIA) / Cano, aos 8′ do 1º T e 3′ do 2º T; Nonato, aos 26′ do 2º T (FLUMINENSE)
BAHIA: Ronaldo, Gilberto, David Duarte, Santiago Mingo e Luciano Juba; Caio Alexandre (Acevedo), Jean Lucas e Everton Ribeiro (Michel Araújo); Kayky (Cauly), Ademir (Tiago) e Willian José (Lucho Rodríguez). Técnico: Rogério Ceni
FLUMINENSE: Fábio, Julio Fidélis (Guga), Davi Schuindt, Freytes e Renê; Thiago Santos (Nonato), Bernal (Martinelli), Lima e Ganso (Hércules); Keno (Canobbio) e Cano. Técnico: Renato Gaúcho
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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