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Fluminense vence Fortaleza no Maracanã e sonha com G-6 do Brasileirão
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O Fluminense conquistou uma importante vitória por 2 a 1 sobre o Fortaleza, na noite deste sábado, em partida realizada no Maracanã. Com o resultado, o Tricolor carioca alcançou 27 pontos, aproximando-se da zona de classificação para a Libertadores (G-6) do Campeonato Brasileiro. Para o Fortaleza, a situação se agrava: a equipe cearense permanece com 15 pontos, afundada na zona de rebaixamento.
Os gols da partida foram marcados por Cano e Canobbio para o Fluminense, enquanto Breno Lopes descontou para o Leão do Pici.
Na próxima rodada, o Fluminense terá um desafio fora de casa, visitando o Bragantino no próximo sábado, em Bragança Paulista. No dia seguinte, o Fortaleza recebe o Mirassol no Castelão, buscando reabilitação.
O Jogo
A partida começou com o Fortaleza surpreendendo pela postura ofensiva. Logo aos dois minutos, Yago Pikachu finalizou e obrigou o goleiro Fábio a fazer uma defesa importante. No entanto, a eficácia tricolor se mostrou determinante. Aos oito minutos, na primeira investida perigosa, Serna cruzou rasteiro para Germán Cano, que não perdoou e abriu o placar para o Fluminense.
O gol sofrido forçou o Fortaleza a se lançar ainda mais ao ataque. Os visitantes assustaram em duas oportunidades com Lucero e Herrera, mas ambos erraram o alvo. Aos 25 minutos, Kervin Andrade chegou a balançar as redes para o Fortaleza, mas o lance foi invalidado após checagem do VAR. O ritmo do jogo diminuiu após o lance anulado, com o Fluminense buscando administrar a vantagem e o Fortaleza tentando se organizar para avançar. O Tricolor carioca teve um pênalti assinalado a seu favor, mas a decisão foi revertida pelo VAR, mantendo a vantagem mínima até o intervalo.
No segundo tempo, o Leão do Pici voltou com o mesmo ímpeto. Com apenas um minuto, Yago Pikachu arriscou de fora da área e Fábio fez uma grande defesa, impedindo o empate. Contudo, assim como na primeira etapa, o Fluminense foi cirúrgico na sua primeira chegada de qualidade. Aos 18 minutos, em um avanço rápido, Serna fez mais um cruzamento rasteiro, e desta vez Canobbio apareceu para empurrar para o gol, ampliando a vantagem para 2 a 0.
O segundo gol abalou o Fortaleza, que viu o Fluminense quase fazer o terceiro em seguida, com Bernal arriscando de longe e Helton Leite defendendo. A reação do time cearense veio aos 25 minutos, com um chute de Weverson que passou perto do gol. Aos 27 minutos, o Fortaleza conseguiu diminuir o placar: Allanzinho foi lançado na área e tocou para Breno Lopes, que apenas empurrou para a rede, recolocando o Leão no jogo.
Nos minutos finais, o Fortaleza se lançou em busca do empate e teve uma boa chance aos 41 minutos, em cabeceio de Bareiro que parou nas mãos de Fábio. Apesar da pressão final, o Fluminense conseguiu administrar o resultado e celebrar a vitória diante de sua torcida no Maracanã.
Ficha Técnica
Fluminense x Fortaleza
Local: Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)
Data: 16/08/2025
Horário: 16h(de Brasília)
Árbitro: Rafael Rodrigo Klein (RS)
Assistentes: Tiago Augusto Kappes Diel (RS) e Luis Carlos de Franca Costa (RN)
VAR: Gilberto Rodrigues Castro Junior (PE)
Cartões amarelos: Martinelli e Bernal (Fluminense); Britez, Kervin Andrade, Lucero e Breno Lopes (Fortaleza)
GOLS: Cano, aos 8′ do 1º T; Canobbio, aos 18′ 2º T (FLUMINENSE) | Breno Lopes, aos 27′ do 2º T (FORTALEZA)
FLUMINENSE: Fábio, Samuel Xavier, Davi Schuindt, Manoel e Renê; Bernal, Martinelli (Hércules) e Paulo Henrique Ganso (Lima); Keno (Canobbio), Serna e Cano (Everaldo). Técnico: Renato Gaúcho
FORTALEZA: Helton Leite, Tinga, Britez, Ávila e Weverson; Lucas Sasha, Matheus Rossetto (Bareiro) e Kervin Andrade (Lucca Prior) e Yago Pikachu (Allanzinho); Herrera (Breno Lopes) e Lucero (Deyverson). Técnico: Renato Paiva
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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