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Fluminense vence Mirassol por 1 a 0 e garante vaga no G-7 do Brasileirão
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O Fluminense conquistou uma vitória importante sobre o Mirassol por 1 a 0, na noite desta quinta-feira (06.11), em partida válida pela 32ª rodada do Campeonato Brasileiro, no Maracanã. O gol solitário de Serna no primeiro tempo garantiu os três pontos para o Tricolor, que se consolida na zona de classificação para a Libertadores.
Com o resultado, o Fluminense alcança os 50 pontos, firmando-se na sétima posição da tabela, a apenas um ponto do Botafogo, que ocupa o sexto lugar. Já o Mirassol, apesar da derrota, mantém sua quarta colocação, com 56 pontos.
Primeiro tempo
O jogo começou quente no Maracanã. Logo no primeiro minuto, uma jogada polêmica marcou o início da partida: Serna foi derrubado por Daniel Borges na entrada da área. O árbitro chegou a expulsar o lateral do Mirassol, mas reverteu a decisão após revisão do VAR. Na cobrança da falta, Lucho Acosta quase abriu o placar.
Apesar do susto inicial, o Mirassol conseguiu equilibrar as ações e, por um período, criou as melhores oportunidades. João Victor e Yago Felipe finalizaram com perigo, e Negueba exigiu uma boa defesa de Fábio aos 19 minutos. No entanto, o Fluminense manteve a pressão ofensiva e foi recompensado aos 30 minutos, quando Serna arriscou do bico da área. A bola desviou em Daniel Borges e foi parar no fundo das redes, inaugurando o marcador.
O segundo tempo manteve o ritmo acelerado. O Fluminense quase ampliou logo no primeiro minuto com Lucho Acosta, que parou em Walter. O Mirassol respondeu em seguida com um cabeceio perigoso de Neto Moura. A partida seguiu aberta, com chances para ambos os lados. Aos 23 minutos, o Fluminense teve uma grande oportunidade de selar a vitória quando Serna cruzou para Renê; a bola passou por Canobbio, que tentou de letra, quase ampliando o placar. A defesa do Mirassol, no entanto, conseguiu segurar o ímpeto carioca, mas não evitou a derrota.
Próximos desafios
O Fluminense terá um duelo fora de casa contra o Cruzeiro, neste domingo (9), às 16h (de Brasília), no Mineirão, em Belo Horizonte (MG).
O Mirassol, por sua vez, retorna aos seus domínios para enfrentar o Palmeiras, também no domingo (9), às 20h30 (de Brasília), no Estádio José Maria de Campos Maia, em Mirassol (SP).
FICHA TÉCNICA
FLUMINENSE 1 X 0 MIRASSOL
Competição: Campeonato Brasileiro (32ª rodada)
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Data: 6 de novembro de 2025 (quinta-feira)
Horário: 19h30 (de Brasília)
Arbitragem:
- Árbitro: Anderson Daronco (RS)
- Assistentes: Jorge Eduardo Bernardi (RS) e Mauricio Coelho Silva Penna (RS)
- VAR: Marco Aurelio Augusto Fazekas Ferreira (MG)
Gol: Serna, aos 30′ do 1º Tempo (Fluminense)
Cartões Amarelos:
- Mirassol: Daniel Borges, Lucas Ramon
- Fluminense: Lucho Acosta, Renê, Keno, Martinelli
FLUMINENSE: Fábio; Samuel Xavier, Thiago Silva, Freytes e Renê; Hércules, Martinelli (Bernal) e Lucho Acosta (Nonato); Serna (Keno), Canobbio e Everaldo (John Kennedy). Técnico: Luis Zubeldía.
MIRASSOL: Walter; Daniel Borges (Lucas Ramon), João Victor, Jemmes e Reinaldo; Neto Moura (Carlos Eduardo), Danielzinho (Guilherme Marques) e Yago Felipe (Gabriel); Negueba (Alisson), Shaylon e Chico da Costa. Técnico:Rafael Guanaes.
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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