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Fluminense vence o Bolívar por 2 a 1 e continua na briga por vaga na Libertadores
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O Fluminense derrotou o Bolívar por 2 a 1 na noite desta terça-feira, no Maracanã, pela quinta rodada da fase de grupos da Copa Libertadores, e manteve chances de avançar à próxima fase. John Kennedy e Acosta marcaram para o time carioca, enquanto Melgar descontou para a equipe boliviana.
Com a vitória, Fluminense e Bolívar chegaram aos mesmos cinco pontos no Grupo C. Mesmo assim, o clube boliviano segue na segunda posição por levar vantagem no saldo de gols, deixando o Tricolor em terceiro lugar na chave.
A definição da vaga ficou para a última rodada. Para seguir na competição, o Fluminense terá de vencer o La Guaira na próxima quarta-feira, às 21h30, novamente no Maracanã, e ainda torcer por uma derrota do Bolívar diante do Independiente Rivadavia. Além disso, o time carioca precisará tirar uma diferença de dois gols no saldo.
Pressionado pela necessidade do resultado, o Fluminense começou a partida em ritmo forte e abriu o placar logo aos seis minutos. Guga foi ao fundo e cruzou para Canobbio, que parou em defesa de Lampe. No rebote, Acosta apareceu para finalizar de primeira e colocar os donos da casa em vantagem.
O Bolívar reagiu ainda no primeiro tempo. Aos 24 minutos, Justiniano lançou Romero, que desviou de cabeça para a chegada de Melgar. O atacante finalizou sem chance para Fábio e deixou tudo igual no Maracanã.
O gol da vitória tricolor saiu na etapa final. Aos 25 minutos do segundo tempo, Soteldo fez boa jogada pela esquerda e tentou o cruzamento. A bola desviou no lance e sobrou para John Kennedy, que bateu de primeira, no canto esquerdo do goleiro, para garantir o triunfo do Fluminense e manter o clube vivo na luta pela classificação.
Próximos jogos
Fluminense
Jogo: Mirassol x Fluminense
Competição: Campeonato Brasileiro – 17ª rodada
Data e hora: Sábado, 23 de maio de 2026, às 19h (de Brasília)
Local: Estádio José Maria de Campos Maia, em Mirassol (SP)
Bolívar
Jogo: Bolívar x Guabirá
Competição: Campeonato Boliviano – 9ª rodada
Data e hora: Domingo, 24 de maio de 2026, às 18h15 (de Brasília)
Local: Estádio Hernando Siles, em La Paz (BOL)
| FICHA TÉCNICA | |
|---|---|
| Fluminense 2 x 1 Bolívar | |
| Competição | Copa Libertadores |
| Local | Maracanã, Rio de Janeiro (RJ) |
| Data | 19 de maio de 2026 (terça-feira) |
| Horário | 19h (de Brasília) |
| Cartões amarelos | Freytes, Acosta, Ganso e Guga (Fluminense); Echeverria e Romero (Bolívar) |
| Cartões vermelhos | Nenhum |
| Arbitragem | Árbitro: Andrés Matonte (URU); Assistentes: Andrés Nievas (URU) e Mathias Muniz (URU); VAR: Leodan González (URU) |
| Gols | Luciano Acosta, aos 6′ do 1ºT (Fluminense); Melgar, aos 24′ do 1ºT (Bolívar); John Kennedy, aos 25′ do 2ºT (Fluminense) |
| Fluminense | Fábio; Guga (Samuel Xavier), Ignácio, Freytes e Arana; Nonato (Castillo), Hércules e Acosta; Savarino (Ganso), John Kennedy (Cano) e Canobbio (Soteldo) |
| Técnico | Maxi Cuberas |
| Bolívar | Lampe; Gariglio, Arreaga e Echeverria; Jesús Sagredo (Luis Paz), Robson Matheus, Leonel Justiniano, Melgar (Vaca) e José Sagredo; Pato Rodríguez (Lucas Chávez) e Romero |
| Técnico | Vladimir Soria |
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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