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Fluminense vence o Grêmio fora de casa e sonha com G5

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Em uma noite de emoções na Arena, o Fluminense conquistou uma importante vitória por 2 a 1 sobre o Grêmio, nesta terça-feira, em partida válida pela 37ª rodada do Campeonato Brasileiro. O grande destaque do confronto foi o atacante Soteldo, que, em uma atuação inspirada e fazendo valer a “lei do ex”, balançou as redes duas vezes, encerrando um jejum de 402 dias sem marcar e garantindo os três pontos para o Tricolor carioca. Com o resultado, o Fluminense agora torce por um tropeço do Botafogo para se manter no G5 da competição.

O triunfo provisoriamente eleva o Fluminense à quinta colocação, somando 61 pontos. No entanto, a posição ainda pode ser alterada caso o Botafogo vença o Cruzeiro, em jogo marcado para esta quarta-feira, às 19h30 (de Brasília), no Mineirão. Já o Grêmio, apesar da derrota, permanece na 10ª posição na tabela, com 46 pontos.

O jogo

A partida começou com o Grêmio ditando o ritmo e buscando o ataque. Logo no primeiro minuto, Alysson arriscou de fora da área e a bola, após desvio, quase surpreendeu Fábio, que se mostrou atento. Aos dez minutos, o goleiro carioca fez outra grande defesa em finalização de André Henrique, salvando sua equipe. Enquanto os donos da casa pressionavam, o Fluminense aguardava o momento certo para contra-atacar, e o gol veio aos 18 minutos. Lucho Acosta lançou Kevin Serna pela direita, que cruzou para a área. Em falha da zaga e do goleiro Thiago Volpe, Soteldo aproveitou e abriu o placar.

Nos minutos finais da primeira etapa, o jogo ganhou em intensidade. Pavón exigiu nova grande defesa de Fábio aos 27 minutos. Em um escanteio aos 40, Pavón pegou o rebote e chutou para fora. Aos 47, Everaldo teve a chance de ampliar após cruzamento de Renê, mas desperdiçou. Já nos acréscimos, André Henrique chegou a mandar a bola para o fundo da rede de cabeça, mas o lance foi anulado por impedimento.

O segundo tempo retornou com a mesma velocidade. Aos seis minutos, Kevin Serna avançou, acionou Lucho, que rolou para Everaldo. O camisa 7 deixou passar e Soteldo, com frieza, concluiu para o gol, ampliando a vantagem. A resposta do Grêmio veio rápida: dois minutos depois, Willian cobrou escanteio, e André Henrique subiu para cabecear, descontando para os gaúchos.

O Grêmio ensaiou uma pressão em busca do empate. Aos 19 minutos, Willian cobrou falta que raspou a trave de Fábio, levando perigo. Mais tarde, aos 32, o jovem Jardiel também acertou a trave do Fluminense, e Aravena, aos 38, chutou de fora da área com perigo. No último lance da partida, aos 48 minutos, Edenílson cruzou e Gustavo Marques cabeceou, mas Fábio garantiu a vitória carioca com mais uma defesa providencial.

Próximos desafios

Grêmio

  • Adversário: Sport | Campeonato Brasileiro
  • Data e Horário: 7 de dezembro, às 16h00 (de Brasília)
  • Local: Ilha do Retiro

Fluminense

  • Adversário: Bahia | Campeonato Brasileiro
  • Data e Horário: 7 de dezembro, às 16h00 (de Brasília)
  • Local: Maracanã
FICHA TÉCNICA
Placar Final                                                                   Grêmio 1 x 2 Fluminense
Competição Campeonato Brasileiro
Local Arena do Grêmio, em Porto Alegre (RS)
Data e Horário 02 de dezembro de 2025 (terça-feira), 21h30 (de Brasília)
Público 23.487 pagantes
Renda R$ 1.339.907,00
Gols (Fluminense) Soteldo (19′ do 1ºT), Soteldo (7′ do 2ºT)
Gols (Grêmio) André Henrique (9′ do 2ºT)
Cartões Amarelos (Grêmio) Dodi, Arthur, Gustavo Martins
Cartões Amarelos (Fluminense) Lima
Cartões Vermelhos Nenhum
Árbitro Raphael Claus (SP)
Assistentes Danilo Ricardo Simon Manis (SP), Alex Ang Ribeiro (SP)
VAR Rodrigo Guarizo Ferreira do Amaral (SP)
Escalação Grêmio Tiago Volpi, Marcos Rocha, Wagner Leonardo, Gustavo Martins e Marlon; Arthur, Dodi (Cuéllar) e Willian (Aravena); Cristian Pavón (Edenílson), André Henrique (Jardiel) e Alysson (Cristaldo)
Técnico Grêmio Mano Menezes
Escalação Fluminense Fábio, Samuel Xavier (Thiago Santos), Ignácio, Juan Freytes e Renê; Martinelli, Nonato (Hércules) e Lucho Acosta (Paulo Henrique Ganso); Yefferson Soteldo (Keno), Kevin Serna (Lima) e Everaldo
Técnico Fluminense Luis Zubeldía

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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