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Fluminense vence o São Paulo e encosta na vice-liderança do Brasileiro
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O São Paulo voltou a tropeçar no Campeonato Brasileiro e chegou ao sexto jogo consecutivo sem vitória ao perder por 2 a 1 para o Fluminense, neste sábado, no Maracanã, pela 16ª rodada. Em confronto direto na parte de cima da tabela, o time carioca construiu o resultado com gols de John Kennedy e Canobbio, enquanto Dória descontou para os paulistas na etapa final.
Com o triunfo, o Fluminense alcançou 30 pontos e assumiu a terceira colocação, igualado ao vice-líder Flamengo e a quatro pontos do Palmeiras, que ainda joga na rodada. Do outro lado, o São Paulo segue com 24 pontos, na quarta posição, mas corre o risco de ser ultrapassado até o complemento da jornada. Ainda sem Dorival à beira do gramado, o time paulista amplia seu momento de instabilidade.
O jogo
A partida começou movimentada no Maracanã. Logo aos oito minutos, Canobbio foi ao fundo e acionou Lucho Acosta, que cruzou para Guilherme Arana finalizar de primeira, mas a bola saiu. O São Paulo respondeu aos 17, em escanteio cobrado por Artur na primeira trave. Lucas Ramón desviou de cabeça, e a bola atravessou a área levando perigo ao gol defendido por Fábio.
O placar foi aberto pouco depois. Aos 18 minutos, Canobbio aproveitou sobra pela esquerda após tentativa de corte de Sabino e mandou cruzamento rasteiro para a área. Guilherme Arana ainda tentou concluir na primeira trave, mas não conseguiu, e John Kennedy apareceu livre do outro lado para empurrar para as redes e colocar o Fluminense em vantagem.
Os donos da casa ampliaram antes do intervalo. Aos 44 minutos, Dória errou na saída de bola, Nonato interceptou e tocou para Lucho Acosta. Com tranquilidade, o meia esperou a saída de Rafael e serviu Canobbio, que finalizou para marcar o segundo gol carioca.
Na volta para o segundo tempo, o Fluminense seguiu mais perigoso. Com 35 segundos, Savarino arriscou de chapa da entrada da área e mandou perto da trave. Pouco depois, aos sete minutos, Lucho Acosta encontrou Guilherme Arana em profundidade, e o lateral bateu cruzado para defesa do goleiro são-paulino.
O São Paulo voltou a crescer no jogo na reta final. Aos 32 minutos, Tapia cruzou da direita para Ferreirinha, que não conseguiu finalizar, mas ajeitou para Danielzinho bater firme da pequena área e exigir grande defesa de Fábio. No escanteio seguinte, Artur levantou na área e Sabino testou para outra boa intervenção do goleiro. Na sequência da pressão, Wendell cobrou novo escanteio, e Dória desviou de peito para diminuir o placar.
Nos acréscimos, aos 46, Castillo chegou a marcar o terceiro gol do Fluminense, mas o lance foi invalidado por impedimento do argentino.
Na próxima rodada continental, o Fluminense volta a campo na terça-feira, 19 de maio de 2026, às 19h, quando enfrenta o Bolívar, no Maracanã, pela Copa Libertadores. No mesmo dia, às 21h30, o São Paulo recebe o Millonarios, no Morumbis, em duelo válido pela Copa Sul-Americana.
| FICHA TÉCNICA | |
|---|---|
| Fluminense 2 x 1 São Paulo | |
| Competição | Campeonato Brasileiro |
| Local | Maracanã, Rio de Janeiro (RJ) |
| Data | 16 de maio de 2026 (sábado) |
| Horário | 19h (de Brasília) |
| Cartões amarelos | Bernal, Savarino e Freytes (Fluminense); André Silva, Artur, Bobadilla e Enzo Díaz (São Paulo) |
| Cartões vermelhos | Nenhum |
| Arbitragem | Árbitro: Wilton Pereira Sampaio; Assistentes: Alessandro Alvaro Rocha e Leone Carvalho; VAR: Rafael Traci |
| Gols | John Kennedy, aos 18′ do 1ºT (Fluminense); Canobbio, aos 44′ do 1ºT (Fluminense); Dória, aos 33′ do 2ºT (São Paulo) |
| Fluminense | Fábio; Guga, Ignácio, Freytes e Guilherme Arana; Hércules, Nonato (Bernal) e Lucho Acosta (Serna); Canobbio (Soteldo), Savarino e John Kennedy (Castillo) |
| Técnico | Luis Zubeldía |
| São Paulo | Rafael; Lucas Ramón (Cédric), Dória, Sabino, Wendell (Luan) e Enzo Díaz; Bobadilla, Danielzinho e Cauly (Ferreirinha); Artur e André Silva (Tapia) |
| Técnico | Milton Cruz (interino) |
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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