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Inter atropela o Vasco e soma sétimo jogo sem derrota no Brasileirão

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O Internacional não tomou conhecimento do Vasco na noite deste sábado (16) e aplicou uma goleada por 4 a 1 no Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, pela 16ª rodada do Campeonato Brasileiro. O grande nome da partida foi o colombiano Carbonero, que anotou dois gols e deu duas assistências para os companheiros.

O jogo

O primeiro tempo começou equilibrado, com o Vasco assustando logo aos três minutos. Andrés Gómez recebeu de Nuno Moreira, mas finalizou para fora. A resposta veio aos nove, quando Gabriel Mercado cabeceou para as redes, mas o lance foi anulado por impedimento.

Aos 20 minutos, o Inter abriu o placar com Carbonero. Em um contra-ataque puxado por Bernabei, o colombiano recebeu no campo de defesa, carregou em velocidade, entrou cara a cara com Léo Jardim e bateu no canto: 1 a 0.

Quatro minutos depois, o segundo gol saiu após falha grotesca do goleiro vascaíno. Léo Jardim errou a saída de bola, Carbonero interceptou o passe na entrada da área e serviu Alerrandro, que bateu no canto para ampliar: 2 a 0.

Na etapa final, o Colorado não diminuiu o ritmo. Aos 16 minutos, Bernabei iniciou mais um contra-ataque, tabelou com Alerrandro e recebeu de Carbonero na esquerda para soltar uma bomba sem chances para Léo Jardim: 3 a 0.

O quarto gol veio aos 25, em mais uma jogada envolvente do trio ofensivo. Bernabei cruzou, Alerrandro ajeitou e Carbonero finalizou com precisão para fechar a goleada.

O Vasco conseguiu diminuir aos 39 do segundo tempo com Andrés Gómez, que driblou a marcação dentro da área e balançou a rede. Nos acréscimos, a situação do time carioca piorou: Cuesta foi expulso com cartão vermelho direto após uma entrada dura em Allex.

Impacto na tabela

Com a vitória, o Internacional chegou ao sétimo jogo de invencibilidade na temporada e saltou do 14º para o 8º lugar, acumulando 21 pontos. Já o Vasco viu sua sequência de cinco jogos sem derrota ser interrompida e permanece na 11ª posição, com 20 pontos.

Próximos compromissos

As equipes voltam a campo na próxima semana. O Inter encara o Vitória no sábado (23), às 17h, no Barradão, pela 17ª rodada do Brasileirão. O Vasco, por sua vez, viaja para Assunção na quarta-feira (20), às 19h, onde enfrenta o Olimpia-PAR no Defensores del Chaco pela 5ª rodada da fase de grupos da Copa Sul-Americana.

FICHA TÉCNICA
Internacional 4 x 1 Vasco
Competição Campeonato Brasileiro (16ª rodada)
Local Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre (RS)
Data 16 de maio de 2026 (sábado)
Horário 18h30 (de Brasília)
Cartões amarelos Carbonero e Matheus Bahia (Internacional); Nuno Moreira e Andrés Gómez (Vasco)
Cartões vermelhos Cuesta (Vasco)
Arbitragem Árbitro: Ramon Abatti Abel (SC); Assistentes: Guilherme Dias Camilo (MG) e Alex dos Santos (SC); VAR: Rodrigo Guarizo Ferreira do Amaral (SP)
Gols Carbonero, aos 20′ do 1°T (Internacional); Alerrandro, aos 24′ do 1°T (Internacional); Bernabei, aos 16′ do 2°T (Internacional); Carbonero, aos 25′ do 2°T (Internacional); Andrés Gómez, aos 39′ do 2°T (Vasco)
Internacional Anthoni; Bruno Gomes, Mercado, Juninho e Matheus Bahia (Luiz Felipe); Vitinho e Bruno Henrique (Ronaldo); Villagra e Bernabei (Benjamin); Carbonero (Allex); Alerrandro (Borré)
Técnico do Internacional Paulo Pezzolano
Vasco Léo Jardim; Puma Rodríguez, Carlos Cuesta, Robert Renan e Lucas Piton; Hugo Moura e Cauan Barros; Nuno Moreira (David), Tchê Tchê (Hinestroza) e Andrés Gómez; Brenner (Ramon Rique)
Técnico do Vasco Renato Gaúcho

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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