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Inter Miami vence Porto de virada e assume vice-liderança no Grupo do Mundial de Clubes
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O Inter Miami conquistou uma importante vitória de virada sobre o Porto por 2 a 1 nesta quinta-feira, em partida válida pela segunda rodada do Grupo A da Copa do Mundo de Clubes da Fifa. Os gols da equipe americana foram marcados por Segovia e Lionel Messi, enquanto Samu balançou as redes para os Dragões. O confronto foi disputado no Mercedes-Benz Stadium.
Com o triunfo, o time liderado por Suárez chegou a quatro pontos e assumiu a segunda colocação no Grupo A, empatado em pontuação com o líder Palmeiras, que leva vantagem no saldo de gols. O resultado complica a situação de Porto e Al Ahly, que permanecem com apenas um ponto cada, nas terceira e quarta posições, respectivamente, e lutarão pela classificação na última rodada.
A definição do grupo ocorrerá na próxima segunda-feira, 23 de junho, com a realização da terceira e última rodada da fase de grupos, ambas as partidas marcadas para as 22h (horário de Brasília). O Inter Miami terá um confronto direto pela liderança contra o Palmeiras no Hard Rock Stadium, em Miami. Já o Porto buscará a classificação enfrentando o Al Ahly no MetLife Stadium.
O jogo
O jogo no Mercedes-Benz Stadium começou movimentado. Logo aos seis minutos, o Porto teve um pênalti a seu favor após falta de Allen em João Mário. Samu foi para a cobrança e converteu, abrindo o placar para a equipe portuguesa. Após o gol sofrido, o Inter Miami intensificou a pressão e passou a dominar as ações. Aos 19, Messi deu um belo lançamento para Suárez, que finalizou forte, mas parou em uma grande defesa do goleiro Cláudio Ramos. Aos 35, Cremaschi aproveitou passe de Allen e bateu cruzado, mas o arqueiro português apareceu novamente para salvar o Porto.
Segundo tempo
A etapa final começou eletrizante para o Inter Miami. Com apenas um minuto jogado, Weigandt cruzou na área, e Segovia apareceu para finalizar forte, no alto, empatando a partida. A virada não demorou a acontecer. Aos sete minutos do segundo tempo, Lionel Messi cobrou uma falta magistral, com precisão no ângulo esquerdo de Cláudio Ramos, que nada pôde fazer para evitar o segundo gol da equipe americana.
Com a vantagem no placar, o Inter Miami conseguiu administrar a partida, controlando o meio-campo e frustrando as tentativas de reação do Porto, que buscou o empate, mas não conseguiu superar a defesa adversária. Já nos acréscimos, aos 49 minutos, o Inter Miami quase ampliou com Picault, que recebeu passe de Messi e bateu forte, mas parou em mais uma boa intervenção de Cláudio Ramos, que evitou um placar maior.
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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