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Inter vira sobre o Athletic e abre vantagem na Copa do Brasil

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O Internacional largou na frente na disputa por uma vaga nas oitavas de final da Copa do Brasil. Na noite desta quarta-feira (22), a equipe gaúcha venceu o Athletic-MG por 2 a 1, de virada, no Estádio Orlando Scarpelli, em Florianópolis, pelo jogo de ida da quinta fase da competição.

Com o resultado, o Colorado joga por um empate no duelo de volta, marcado para o dia 12 de maio, às 19h30, no Beira-Rio, em Porto Alegre. Aos mineiros, resta buscar a vitória fora de casa para seguir adiante no torneio.

Athletic sai na frente, mas Inter reage ainda no primeiro tempo

O Athletic começou melhor e surpreendeu ao abrir o placar aos 16 minutos. Kauan Rodrigues recebeu cruzamento preciso de Ronaldo Tavares, livrou-se da marcação e ainda driblou o goleiro Anthoni antes de mandar para a rede.

O gol acordou o Internacional, que passou a pressionar mais. Aos 31 minutos, a reação veio em grande estilo: Bruno Henrique tabelou com Alerrandro e, de primeira, soltou um chute forte de fora da área, deixando tudo igual.

Virada colorada no segundo tempo

O Inter manteve o ritmo na segunda etapa e conseguiu a virada aos 17 minutos. Bernabei recebeu um passe em profundidade de Alan Patrick, invadiu a área e finalizou no canto direito do goleiro Jhonatan Luiz, garantindo a vitória colorada.

O Athletic tentou reagir, mas esbarrou na defesa gaúcha, que conseguiu controlar a partida até o apito final.

Próximos jogos

Athletic
Athletic x Náutico
• Brasileirão Série B – 6ª rodada
27/04/2026 (segunda-feira), 19h
• Arena Sicredi – São João del Rei (MG)

Internacional
Botafogo x Internacional
• Brasileirão Série A – 13ª rodada
25/04/2026 (sábado), 18h30
• Estádio Nilton Santos – Rio de Janeiro (RJ)

FICHA TÉCNICA
Athletic 1 x 2 Internacional
Competição Copa do Brasil – Quinta fase (ida)
Local Orlando Scarpelli, Florianópolis (SC)
Data 22 de abril de 2026 (quarta-feira)
Horário 20h30 (de Brasília)
Cartões Amarelos Jhonatan e Belezi (Athletic); Villagra (Internacional)
Cartões Vermelhos Nenhum
Gols Kauan Rodrigues 16′ 1ºT (Athletic); Bruno Henrique 32′ 1ºT (Internacional); Alexandro Bernabei 17′ 2ºT (Internacional)
Arbitragem Árbitro: Flávio Rodrigues de Souza (SP); Assistentes: Gustavo Rodrigues de Oliveira (SP), Rafael Tadeu Alves de Souza (SP); VAR: Caio Max Augusto Vieira (GO)
Athletic Jhonatan Luiz; Diogo Batista (Marcelo Henrique), Jhonatan, Belezi, Zeca; Ian Luccas (Pedro Oliveira), João Miguel, Jota (Cabezas), Kauan Rodrigues (Max); Ronaldo Tavares e Dixon Vera (Léo Chú). Técnico: Alex Souza
Internacional Anthoni; Bruno Gomes, Mercado (Victor Gabriel), Félix Torres, Bernabei; Thiago Maia (Vitinho), Villagra, Bruno Henrique (Paulinho), Alan Patrick, Alex (Kayky); Alerrandro (Borré). Técnico: Paulo Pezzolano

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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