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Juventude elimina o São Paulo da Copa do Brasil
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O São Paulo está fora da Copa do Brasil. Na noite desta quarta-feira, o time paulista foi superado pelo Juventude por 3 a 1, no estádio Alfredo Jaconi, e acabou eliminado na quinta fase da competição. Como havia vencido o primeiro confronto por 1 a 0, o Tricolor viu a equipe gaúcha reverter a desvantagem e fechar o duelo com 3 a 2 no placar agregado.
Com a classificação, o Juventude avança às oitavas de final e agora aguarda o sorteio da CBF para descobrir quem será seu próximo adversário. Já o São Paulo encerra sua participação no torneio em meio a um momento de instabilidade, chegando ao quinto jogo consecutivo sem vitória e aumentando a pressão sobre o técnico Roger Machado.
A partida começou equilibrada e com poucas oportunidades claras. Nos minutos iniciais, as duas equipes encontraram dificuldades para construir jogadas ofensivas e pouco ameaçaram os goleiros. A primeira boa chegada foi do Juventude, aos 20 minutos, quando Raí Silva arriscou de fora da área e obrigou Rafael a fazer uma defesa segura.
O time gaúcho passou a rondar mais o campo de ataque, mas sem transformar a pressão em chances reais. O cenário do jogo, porém, mudou ainda antes do intervalo. Aos 43 minutos, Ferreirinha, que havia acabado de entrar no lugar de Luciano, acertou uma cotovelada em Rodrigo Sam e recebeu cartão vermelho. Com isso, o São Paulo ficou com um jogador a menos para toda a segunda etapa.
Nos acréscimos do primeiro tempo, o Juventude ainda criou mais uma oportunidade. Lucas Mineiro recebeu lançamento dentro da área, mas cabeceou para fora, sem conseguir abrir o marcador.
Na volta do intervalo, o Juventude assumiu mais o controle da partida, trocando passes no campo ofensivo e tentando pressionar o adversário. O primeiro gol saiu aos 19 minutos. Após cobrança de escanteio, Marcos Paulo aproveitou a sobra na segunda trave e cruzou para a pequena área. Gabriel Pinheiro subiu mais alto que a defesa e cabeceou para o chão, sem chances para Rafael.
Sete minutos depois, o time da casa ampliou. Em cobrança de falta pela esquerda, Raí levantou a bola na área e Marcos Paulo apareceu bem para testar firme e marcar o segundo, colocando o Juventude em vantagem no placar agregado.
Mesmo com um homem a menos, o São Paulo ainda reagiu na reta final. Aos 40 minutos, Bobadilla avançou pela esquerda e cruzou para Tapia, que se atirou na bola para mandar para as redes. O gol recolocou o Tricolor na disputa e igualou novamente a soma dos dois confrontos.
Animado pela reação, o São Paulo quase virou o jogo pouco depois. Aos 45 minutos, Calleri escorou para Sabino, que bateu rasteiro e exigiu boa defesa do goleiro Pedro Rocha.
Quando a decisão parecia caminhar para um desfecho mais dramático, o Juventude voltou a marcar nos acréscimos. Aos 48 minutos, Mandaca apareceu na segunda trave, cabeceou para Rafael defender e, no rebote, completou novamente de cabeça para garantir o terceiro gol dos donos da casa e confirmar a classificação.
Até o encerramento da rodada, além do Juventude, também asseguraram vaga na próxima fase Internacional, Cruzeiro, Vasco e Fluminense.
Nos próximos compromissos, o Juventude enfrenta o Athletic Club no dia 17 de maio de 2026, às 16h, na Arena Sicredi, pela Série B do Campeonato Brasileiro. O São Paulo volta a campo antes, no dia 16 de maio de 2026, às 19h, quando encara o Fluminense no Maracanã, pelo Brasileirão.
| FICHA TÉCNICA | ||
|---|---|---|
| Juventude 3 x 1 São Paulo | ||
| Competição | Fase | Quinta fase da Copa do Brasil (volta) |
| Partida | Local | Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul (RS) |
| Partida | Data | 13 de maio de 2026 (quarta-feira) |
| Partida | Horário | 19h (de Brasília) |
| Cartões | Amarelos | Rodrigo Sam, Gabriel Pinheiro (Juventude); Enzo Díaz (São Paulo) |
| Cartões | Vermelho | Ferreirinha (São Paulo) |
| Arbitragem | Árbitro | Rodrigo José Pereira de Lima (PE) |
| Arbitragem | Assistentes | Brígida Cirillo Ferreira (AL) e Francisco Chaves Bezerra Júnior (PE) |
| Arbitragem | VAR | Antônio Magno Lima Cordeiro (CE) |
| Gols | 19′ do 2ºT | Gabriel Pinheiro (Juventude) |
| Gols | 26′ do 2ºT | Marcos Paulo (Juventude) |
| Gols | 40′ do 2ºT | Marcos Paulo (São Paulo) |
| Gols | 48′ do 2ºT | Mandaca (Juventude) |
| Juventude | Escalação | Pedro Rocha; Rodrigo Sam (Wadson), Messias e Gabriel Pinheiro; Nathan Santos (Fábio Lima), Raí Silva, Lucas Mineiro, Luan Martins (Alisson Safira) e Marcos Paulo (Mandaca); MP (Manuel Castro) e Alan Kardec. Técnico: Maurício Barbieri |
| São Paulo | Escalação | Rafael; Cédric Soares (André Silva), Dória, Sabino e Enzo Díaz (Wendell); Bobadilla, Danielzinho (Tapia); Artur, Luciano (Ferreirinha), Cauly (Osório) e Calleri. Técnico: Roger Machado |
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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