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Manchester City goleia Juventus e avança com 100% de aproveitamento na Copa do Mundo de Clubes
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O Manchester City demonstrou sua força e dominância ao golear a Juventus por 5 a 2 nesta quinta-feira (26), em partida válida pela última rodada da fase de grupos da Copa do Mundo de Clubes. O confronto, realizado no Camping World Stadium, em Orlando, garantiu aos ingleses a liderança isolada do Grupo G, com um desempenho impecável de 100% de aproveitamento.
Os gols do time comandado por Pep Guardiola foram marcados por Doku, Kalulu (contra), Haaland, Foden e Savinho, em uma exibição ofensiva avassaladora. Pela Velha Senhora, Koopmeiners e Vlahovic balançaram as redes.
Com este resultado, o Manchester City encerra a fase de grupos com nove pontos, sendo o único clube da competição a registrar vitória em todos os seus jogos. A Juventus, apesar da derrota, também assegurou sua classificação para as oitavas de final, terminando na segunda colocação do grupo, com seis unidades.
Detalhes do Festival de Gols
O espetáculo em campo começou cedo. Aos 9 minutos do primeiro tempo, o Manchester City abriu o placar com Doku, após uma jogada bem construída. Rodri acionou Ait Nouri, que serviu Doku em profundidade. O belga driblou Kalulu e finalizou no canto esquerdo de Di Gregorio.
A resposta da Juventus não demorou. Aos 11 minutos, uma falha do goleiro brasileiro Ederson, que errou um passe, deixou a bola nos pés de Koopmeiners. O jogador italiano invadiu a área e chutou firme, rasteiro, para empatar.
Ainda na primeira etapa, aos 26 minutos, o City retomou a liderança. Savinho encontrou Matheus Nunes na grande área, que cruzou rasteiro. O zagueiro Kalulu, na tentativa de afastar, acabou marcando um gol contra, recolocando os ingleses na frente.
No segundo tempo, a goleada tomou forma. Aos 7 minutos, Haaland, que havia acabado de entrar, ampliou para o City. Em uma rápida transição, Matheus Nunes recebeu dentro da área e cruzou rasteiro para o norueguês, que, apesar de um leve desencontro, conseguiu empurrar a bola para o gol.
Aos 23 minutos, a parceria Haaland-Foden funcionou novamente. Haaland avançou e tocou para Foden dentro da área. O camisa 47 serviu Savinho, que devolveu a bola para o inglês, que, com o gol aberto, apenas completou para o fundo das redes.
O quinto gol do City foi um golaço. Aos 30 minutos, a bola sobrou para Savinho fora da área. O brasileiro, de primeira e com a perna direita, finalizou com categoria no ângulo esquerdo de Di Gregorio, com a bola ainda beijando o travessão antes de entrar.
A Juventus ainda conseguiu diminuir aos 39 minutos, com Vlahovic. Yildiz deu a assistência para o atacante, que invadiu a área e finalizou no canto inferior direito, sem chances para Ederson.
Próximos Confrontos
Com a classificação garantida, o Manchester City agora se prepara para as oitavas de final. O adversário será o vice-líder do Grupo H, vaga disputada por Real Madrid, Red Bull Salzburg e Al-Hilal. O duelo decisivo acontecerá na próxima segunda-feira, 30 de junho, às 22h (horário de Brasília), novamente no Camping World Stadium, em Orlando.
Já a Juventus enfrentará o líder do Grupo H. A partida está marcada para a próxima terça-feira, 1º de julho, às 16h (horário de Brasília), no Hard Rock Stadium, em Miami.
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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