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Palmeiras atropela Jacuipense e avança às oitavas da Copa do Brasil
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O Palmeiras confirmou classificação para as oitavas de final da Copa do Brasil ao derrotar o Jacuipense por 4 a 1 na noite desta quarta-feira, no Estádio do Café, em Londrina, pelo confronto de volta da quinta fase. Além da vaga assegurada, a partida ficou marcada pelo primeiro gol de Erick Belé na equipe principal alviverde.
Mauricio, Felipe Anderson, Erick Belé e Luighi, em cobrança de pênalti, marcaram os gols da vitória palmeirense. Já o Jacuipense conseguiu descontar nos minutos finais com Vicente, mas não evitou a eliminação na competição.
Com o resultado, o time paulista segue vivo na disputa e agora espera o sorteio da Confederação Brasileira de Futebol para conhecer o próximo adversário. O evento ainda não tem data e horário definidos. Pelo calendário inicial, os confrontos das oitavas devem ser realizados nas semanas dos dias 1º e 6 de agosto. Do outro lado, o Jacuipense encerra sua participação no torneio nacional.
O jogo
O Palmeiras impôs seu ritmo desde os primeiros minutos e quase abriu o placar logo no início. Aos quatro, Mauricio apareceu pela direita e cruzou para a área, mas Luighi não conseguiu completar. Pouco depois, a equipe voltou a assustar em sequência, primeiro com Erick Belé e depois com Luighi, que acertou a trave após passe de Felipe Anderson.
A pressão se transformou em gol aos 22 minutos. Felipe Anderson avançou pela esquerda, passou pela marcação dentro da área e encontrou Mauricio em boa condição para finalizar e abrir o marcador. O segundo veio rapidamente. Dois minutos depois, Felipe Anderson aproveitou a sobra na entrada da área e bateu para ampliar a vantagem.
O terceiro gol saiu ainda antes do intervalo, aos 36 minutos, em uma jogada que terminou com um momento especial para a torcida palmeirense. Erick Belé recebeu de Mauricio, avançou pela esquerda, fez tabela com Felipe Anderson e apareceu novamente para concluir e marcar pela primeira vez no time profissional.
Na etapa final, o Palmeiras voltou a balançar a rede logo aos seis minutos. Luighi sofreu pênalti após ser derrubado por Daniel dentro da área. Na cobrança, o próprio atacante bateu com firmeza e transformou a vitória em goleada.
Com ampla vantagem no placar, o time comandou a partida com mais tranquilidade, valorizando a posse de bola e controlando o adversário. Mesmo sem a mesma intensidade ofensiva do primeiro tempo, o Palmeiras ainda criou boas oportunidades. Benedetti levou perigo em finalização defendida por Marcelo, e depois Riquelme e Murilo também pararam no goleiro.
O Jacuipense conseguiu diminuir aos 42 minutos do segundo tempo. Após contra-ataque iniciado por Adriano Jr., a bola sobrou para Vicente, que concluiu para o gol e marcou o único tento da equipe baiana na partida.
Agora, o Palmeiras volta suas atenções para o Campeonato Brasileiro. O próximo compromisso será neste sábado, 16 de maio de 2026, às 21h, contra o Cruzeiro, na Arena Crefisa Barueri, em Barueri. Já o Jacuipense entra em campo no domingo, 17 de maio, às 16h, diante do Atlético-BA, no Estádio Carneirão, em Alagoinhas, pela sétima rodada da Série D.
| FICHA TÉCNICA | ||
|---|---|---|
| Jacuipense 1 x 4 Palmeiras | ||
| Competição | Copa do Brasil (5ª fase – Jogo de volta) | |
| Local | Estádio do Café, em Londrina (PR) | |
| Data | 13 de maio de 2026 (quarta-feira) | |
| Horário | 21h30 (de Brasília) | |
| Cartões | Amarelo | Gabriel Pereira (Jacuipense) | |
| Cartões | Vermelho | Nenhum | |
| Arbitragem | Jonathan Benkenstein Pinheiro (RS) | |
| Auxiliares | Jorge Eduardo Bernardi (RS) e Mauricio Coelho Silva Penna (RS) | |
| Var | Heber Roberto Lopes (SC) | |
| Gols | 22′ do 1ºT | Mauricio (Palmeiras) |
| Gols | 24′ do 1ºT | Felipe Anderson (Palmeiras) |
| Gols | 36′ do 1ºT | Erick Belé (Palmeiras) |
| Gols | 7′ do 2ºT | Luighi (Palmeiras) |
| Gols | 42′ do 2ºT | Vicente (Jacuipense) |
| Jacuipense | Escalação | Marcelo; Vicente F., Jhones e Railon; Ruan, Daniel, Gabriel Pereira (Gustavo Pereira); Thiaguinho Martins (Vinícius Amaral), William (Sidney), Pedro Henrique (João Pedro) e Thiaguinho (Adriano Jr.) — Técnico: Rodrigo Ribeiro |
| Palmeiras | Escalação | Marcelo Lomba; Khellven, Gustavo Gómez (Murilo), Benedetti e Jefté; Emiliano Martínez (Luis Pacheco), Lucas Evangelista (Jhon Arias), Mauricio (Larson) e Felipe Anderson (Riquelme Fillipi); Erick Belé e Luighi — Técnico: Abel Ferreira |
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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