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Palmeiras avança na Copinha em jogo eletrizante e polêmico nos pênaltis contra o Vitória
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O Palmeiras garantiu sua vaga na terceira fase da Copa São Paulo de Futebol Júnior nesta terça-feira, em uma partida repleta de reviravoltas e uma disputa de pênaltis controversa contra o Vitória. Após um empate emocionante por 3 a 3 no tempo regulamentar, o Alviverde prevaleceu nas penalidades, vencendo por 3 a 2, em um resultado que gerou intensas reclamações por parte da equipe baiana.
O triunfo coloca o Palmeiras no caminho do Flamengo-SP, que eliminou o Monte Roraima, em busca de uma vaga nas oitavas de final. Já o Vitória se despede da maior competição de base do Brasil, deixando o torneio com a sensação de ter disputado um jogo memorável, mas com o amargo sabor da eliminação controversa.
Um festival de gols e emoção no tempo normal
A partida no tempo regulamentar foi um verdadeiro espetáculo de ofensividade. O Palmeiras abriu o placar logo aos seis minutos, com Victor Gabriel aproveitando um cruzamento da esquerda e desviando de cabeça para o fundo das redes.
No segundo tempo, o Vitória mostrou poder de reação. Aos 16 minutos, Hiago igualou o marcador, finalizando cruzado de dentro da área pela ponta direita. A virada do Leão baiano veio aos 33 minutos, em um belo chute de Gean de longa distância que surpreendeu o goleiro Aranha. No entanto, a alegria durou pouco para o Vitória, pois Jean Gabriel empatou para o Palmeiras apenas dois minutos depois.
A montanha-russa de emoções continuou. Alejandro recolocou o Vitória à frente aos 39 minutos, fazendo o terceiro gol da equipe. Mas, em mais uma demonstração de resiliência, o Palmeiras buscou o empate novamente com Victor Gabriel, dois minutos depois, levando a decisão para a dramática disputa de pênaltis.
A polêmica que marcou a decisão
A disputa por pênaltis foi o ponto mais quente da noite, especialmente devido a um lance crucial. Na cobrança de Gean, do Vitória, o goleiro palmeirense Aranha defendeu parcialmente, mas a bola seguiu em direção ao gol antes de ser agarrada pelo arqueiro. Para a surpresa e indignação do time baiano, a arbitragem não validou o gol, em uma decisão que gerou muita discussão, especialmente pela ausência da tecnologia do VAR na Copinha.
Apesar da controvérsia, o Palmeiras converteu três de suas cobranças, enquanto o Vitória conseguiu marcar apenas duas vezes, selando o placar de 3 a 2 para o Verdão.
Os jogadores que participaram da sequência de cobranças foram:
- Vitória: Gean (não convertido), Ruan Gabriel, Kauan Victor, Juninho, Emerson
- Palmeiras: Robson, Sorriso, Kauã Lira, Victor Gabriel, Pimenta
Com a vitória suada, o Palmeiras segue firme na busca pelo título da Copa São Paulo, enquanto o Vitória retorna para casa, lamentando a eliminação em um jogo que certamente ficará marcado pela intensidade e pelas decisões arbitrais.
| FICHA TÉCNICA | |
|---|---|
| Palmeiras 3 (3) x (2) 3 Vitória | |
| Competição | Segunda fase da Copa São Paulo |
| Local | Arena Barueri, em Barueri (SP) |
| Data | 13 de janeiro de 2025 (terça-feira) |
| Horário | 19h30 (de Brasília) |
| Gols |
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| Cartões Amarelos |
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| Arbitragem |
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| Palmeiras | Aranha; Luis Sabóia, Luccas Ramon (Rocha), Coutinho, Sorriso, Fabio, Eduardo (Antônio Marcos), Victor Gabriel, Pimenta, André Lucas e Felipe Teresa (Robson). Técnico: Lucas Andrade |
| Vitória | Ezequiel; Luís Fabiano, Cauan Farias, Gean, Hiago (Emerson), Kauan Victor, L.Aucélio, Juninho, Nico, Alejandro (Vanderson) e Emanoel (Ruan Gabriel). Técnico: Mário Henrique |
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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