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Palmeiras goleia Corinthians por 5 a 1 e põe mão na Taça do Paulistão Feminino
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Em uma exibição de gala, o Palmeiras atropelou o Corinthians por 5 a 1 na partida de ida da final do Campeonato Paulista Feminino, disputada neste domingo na Arena Barueri. Com uma performance avassaladora, o Verdão encaminhou o título estadual, abrindo uma vantagem considerável para o jogo de volta. Brena, com dois gols, Amanda Gutierres, Rayssa Bahia e Fê Palermo foram as artilheiras alviverdes, enquanto Paty Maldaner, em um gol contra, marcou o tento de honra da equipe alvinegra.
A goleada impõe um cenário desafiador para o Corinthians, que precisará reverter um placar elástico para sonhar com o título. Já o Palmeiras, com a vitória expressiva, pode até perder por três gols de diferença no próximo confronto e ainda assim erguer a taça.
O jogo
O clássico começou com o Palmeiras ditando o ritmo e abrindo o placar logo aos 11 minutos do primeiro tempo. Brena recebeu um cruzamento preciso da direita e, com um chute rasteiro, balançou as redes. A superioridade alviverde se confirmou aos 26 minutos, quando Amanda Gutierres demonstrou categoria ao dominar na área e disparar um belo chute no ângulo esquerdo da goleira Letícia, ampliando a vantagem.
A intensidade palmeirense não diminuiu na segunda etapa. Aos 52 minutos (7 do segundo tempo), Brena apareceu novamente, aproveitando uma cobrança de escanteio para finalizar sem marcação na marca do pênalti e fazer o terceiro gol. Aos 14 minutos da etapa complementar, Rayssa Bahia protagonizou uma jogada individual deslumbrante, aplicando uma meia-lua em Thais Ferreira antes de invadir a área e chutar cruzado de canhota, marcando o quarto gol e transformando a vitória em goleada.
O Corinthians ainda viu sua situação piorar aos 35 minutos, quando Paty Maldaner desviou um cruzamento adversário de cabeça, marcando um gol contra. Nos acréscimos, aos 46, após uma cobrança de falta de Amanda Gutierres, Fê Palermo aproveitou o rebote na pequena área para fechar a contagem em 5 a 1, selando a noite memorável para o Palmeiras.
A partida decisiva será realizada no próximo domingo, às 10 horas (de Brasília), com local ainda a ser definido pela Federação Paulista de Futebol. O Palmeiras entra em campo com uma enorme vantagem, precisando apenas administrar o placar para celebrar o título do Campeonato Paulista Feminino.
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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