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Palmeiras resiste com 10 e mantém liderança isolada ao bater Athletico-PR 

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O Palmeiras enfrentou dificuldades após a expulsão precoce de Murilo no segundo tempo, mas segurou a vitória magra por 1 a 0 sobre o Athletico-PR, neste domingo, no Allianz Parque, pela 12ª rodada do Campeonato Brasileiro. Gustavo Gómez marcou o gol solitário ainda no início da partida, garantindo os três pontos ao Verdão.

O resultado consolida o Palmeiras na ponta da tabela, com 29 pontos e folga de seis sobre o vice-líder. O time estende a invencibilidade para nove jogos, com sete triunfos e dois empates. O Athletico-PR, com 19 pontos, segue no sexto lugar.

O jogo

O Athletico abriu as chances perigosas. Mendoza lançou para Viveros, que finalizou de primeira na área, mas parou em defesa segura de Carlos Miguel.

O Palmeiras respondeu logo em seguida. Aos 33 minutos, Arthur serviu Arias na área, mas o colombiano viu Santos defender com firmeza. O gol veio em escanteio cobrado por Andreas Pereira: Gómez disputou na segunda trave, a bola sobrou limpa e o zagueiro paraguaio emendou de primeira para vencer o goleiro adversário.

No segundo tempo, o drama alviverde começou cedo. Com menos de dois minutos, Murilo cometeu falta dura em Viveros após disputa perdida e levou o segundo amarelo, deixando o time com 10. Aos sete, Andreas Pereira cobrou escanteio e Gómez cabeceou por cima.

O Furacão pressionou: aos 15, Mendoza cortou para o meio e chutou colocado, mas Carlos Miguel desviou para canto. Aos 39, pênalti marcado a favor do visitante após falta de Benedetti em Viveros. O árbitro Felipe Fernandes de Lima, acionado pelo VAR, revisou no monitor e anulou a penalidade. Nos acréscimos, Zapelli cruzou para Terán cabecear na mãos do goleiro palmeirense.

Próximos jogos

O Palmeiras recebe o Jacuipense na quinta-feira (23), às 19h30 (de Brasília), no Allianz Parque, pelo jogo de ida da 5ª fase da Copa do Brasil.

O Athletico-PR enfrenta o Atlético-GO na mesma data, às 21h30 (de Brasília), na Arena da Baixada, também pela Copa do Brasil.

FICHA TÉCNICA
Palmeiras 1 x 0 Athletico-PR
Competição Campeonato Brasileiro (12ª rodada)
Local Allianz Parque, em São Paulo (SP)
Data 19 de abril de 2026 (domingo)
Horário 18h30 (de Brasília)
Público 39.714 pessoas
Renda R$ 3.489.280,07
Cartões Amarelos Murilo e Sosa (Palmeiras) / Portilla, Jadson, João Cruz, Esquivel e Odair Hellmann (Athletico-PR)
Cartões Vermelhos Murilo, aos 02′ do 2ºT (Palmeiras)
Arbitragem Árbitro: Felipe Fernandes de Lima (MG)
Assistentes: Eduardo Goncalves da Cruz (MS) e Celso Luiz da Silva (MG)
VAR: Marco Aurelio Augusto Fazekas Ferreira (MG)
Gol Gustavo Gómez, aos 14′ do 1ºT (Palmeiras)
Palmeiras Carlos Miguel; Giay, Gustavo Gómez, Murilo e Arthur; Emiliano Martínez, Andreas Pereira (Lucas Evangelista), Allan (Benedetti) e Sosa (Vitor Roque); Arias (Felipe Anderson) e Flaco López (Bruno Fuchs).
Técnico: João Martins (auxiliar)
 Athletico-PR Santos, Terán, Aguirre (Leozinho) e Arthur Dias; Jadson (João Cruz), Luiz Gustavo (Renan Peixoto), Portilla (Zapelli) e Esquivel; Mendoza, Dudu (Felipe Chiqueti) e Viveros.
Técnico: Odair Hellmann

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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