Esportes
Palmeiras tropeça fora de casa e vê Flamengo emparelhar na liderança do Brasileirão
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O Palmeiras sofreu um revés neste domingo (9) ao ser derrotado pelo Mirassol por 2 a 1, no Estádio José Maria Campos Maia, em partida válida pela 33ª rodada do Campeonato Brasileiro. A surpreendente derrota fez com que o Verdão perdesse a folga na liderança, permitindo que o rival Flamengo igualasse a pontuação na briga pelo título.
Apesar do resultado negativo, o Palmeiras permanece no topo da tabela com 68 pontos, mantendo a primeira posição por ter uma vitória a mais (21 contra 20) que o time carioca, que venceu o Santos por 3 a 2 na mesma rodada. O Mirassol, por sua vez, alcançou a quarta colocação, somando 59 pontos e consolidando sua boa campanha.
O Jogo
A partida começou com um susto para o líder do campeonato. Logo no primeiro minuto, Gabriel, do Mirassol, aproveitou uma jogada individual de Lucas Ramon e finalizou rasteiro entre as pernas do goleiro Carlos Miguel, abrindo o placar para os donos da casa.
O Palmeiras demorou a reagir, mas aos 27 minutos, Vitor Roque protagonizou um golaço de bicicleta. Após cobrança de escanteio e um desvio de cabeça de Allan, a bola sobrou para o atacante, que emendou um lindo voleio, empatando o confronto com uma pintura.
No entanto, a alegria alviverde durou pouco. Já nos acréscimos do primeiro tempo, aos 47 minutos, Reinaldo cobrou um lateral para a área e João Victor subiu mais alto que a defesa palmeirense para cabecear e recolocar o Mirassol à frente no marcador: 2 a 1.
Na segunda etapa, o Palmeiras pressionou em busca do empate. Aos nove minutos, Andreas Pereira cobrou uma falta que exigiu grande defesa de Walter, goleiro do Mirassol. Pouco depois, em outro escanteio, Flaco López desviou, mas Walter novamente salvou em cima da linha. O Mirassol, por sua vez, também teve chances de ampliar, como em uma cabeçada de Alesson que passou perto do gol de Carlos Miguel. Apesar da insistência do Palmeiras, o placar não se alterou, e os donos da casa celebraram a importante vitória.
Próximos confrontos
- Mirassol:
- Santos x Mirassol (34ª rodada do Campeonato Brasileiro)
- Data e horário: 19 de novembro de 2025 (quarta-feira), às 21h30 (de Brasília)
- Local: Vila Belmiro, em Santos (SP)
- Palmeiras:
- Santos x Palmeiras (jogo atrasado da 13ª rodada do Campeonato Brasileiro)
- Data e horário: 15 de novembro de 2025 (sábado), às 21h (de Brasília)
- Local: Vila Belmiro, em Santos (SP)
FICHA TÉCNICA
Mirassol 2 x 1 Palmeiras
Competição: Campeonato Brasileiro (33ª rodada)
Local: Estádio Municipal José Maria de Campos Maia, Mirassol (SP)
Data: 09 de novembro de 2025 (domingo)
Horário: 20h30 (de Brasília)
Arbitragem:
- Árbitro: Flávio Rodrigues de Souza (SP)
- Assistentes: Danilo Ricardo Simon Manis (SP) e Alex Ang Ribeiro (SP)
- VAR: Rodrigo D’Alonso Ferreira (SC)
Cartões Amarelos:
- Mirassol: José Aldo, João Victor, Walter
- Palmeiras: Andreas Pereira, Bruno Fuchs, Raphael Veiga
Gols:
- Gabriel (Mirassol), aos 1′ do 1ºT
- Vitor Roque (Palmeiras), aos 27′ do 1ºT
- João Victor (Mirassol), aos 47′ do 1ºT
Mirassol: Walter, Lucas Ramon, João Victor, Jemmes e Reinaldo; José Aldo (Neto Moura), Danielzinho e Gabriel (Shaylon); Negueba (Carlos Eduardo), Alesson (Luiz Otávio) e Cristian (Chico da Costa). Técnico: Rafael Guanaes
Palmeiras: Carlos Miguel, Khellven (Mauricio), Gómez, Murilo (Bruno Fuchs) e Piquerez; Aníbal Moreno (Raphael Veiga), Andreas Pereira (Bruno Rodrigues), Felipe Anderson (Sosa) e Allan; Flaco López e Vitor Roque. Técnico: Abel Ferreira
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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