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Palmeiras vence Mirassol e mantém 100% de aproveitamento no Paulistão

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O Palmeiras conquistou sua terceira vitória consecutiva no Campeonato Paulista na noite deste sábado (17), ao superar o Mirassol por 1 a 0 na Arena Barueri, pela terceira rodada do Estadual. O herói da noite foi o atacante Flaco López, que, após entrar no segundo tempo, sofreu a falta que originou o lance e, de cabeça, garantiu o triunfo alviverde.

Com o resultado, o Verdão segue com campanha perfeita, somando nove pontos em três jogos, e dormirá na liderança provisória do Campeonato Paulista. A equipe comandada por Abel Ferreira agora torce por um tropeço do Red Bull Bragantino, que enfrenta o Botafogo-SP neste domingo, para confirmar a ponta da tabela.

Do outro lado, o Mirassol amargou sua segunda derrota seguida no torneio, estacionando nos três pontos e ocupando a oitava colocação. A depender dos resultados da rodada, o clube do interior paulista pode ver sua posição na zona de classificação para o mata-mata ameaçada.

O jogo

A partida começou movimentada, com o Palmeiras criando as primeiras chances. Giay arriscou de fora da área, e a bola desviou em Gustavo Gómez, passando perto do travessão. Em seguida, Marlon Freitas finalizou com perigo, obrigando o goleiro Walter a fazer duas boas defesas. Luís Pacheco também assustou em um cruzamento que quase virou gol. O Mirassol respondeu aos 17 minutos, com Alesson servindo André Luís, que finalizou nas mãos de Carlos Miguel. Aos 25, Reinaldo cabeceou forte, mas Carlos Miguel estava bem posicionado. Próximo ao fim da primeira etapa, Maurício fez um bom passe para Sosa, que serviu Vitor Roque, mas o camisa 9 finalizou mal, facilitando a defesa de Walter.

Segundo tempo 

A segunda etapa começou com Vitor Roque tendo uma chance de canhota logo aos sete minutos, mas a bola foi para fora. Aos 19, o Mirassol quase abriu o placar em um bate e rebate após cobrança de falta, com Neto Moura finalizando perto da trave, porém o lance foi invalidado por impedimento.

O gol que decidiu a partida saiu aos 26 minutos. Após uma falta sofrida por Flaco López, Ramón Sosa cobrou com precisão na segunda trave, e o atacante argentino subiu mais alto que a zaga para cabecear firme, sem chances para Walter, colocando o Palmeiras na frente. O Mirassol ainda teve uma chance de ouro aos 34 minutos, com Lucas Mugni deixando Carlos Eduardo na cara do gol, mas o atacante finalizou para fora, desperdiçando a oportunidade de empatar.

Próximos confrontos

O Palmeiras agora se prepara para enfrentar o Novorizontino na quarta rodada do Paulistão, na terça-feira (20), às 20h (de Brasília), no Estádio Dr. Jorge Ismael de Biasi, em Novo Horizonte.

Já o Mirassol buscará a reabilitação em casa, contra o Red Bull Bragantino, na quarta-feira (21), também às 20h (de Brasília), no Estádio José Maria Campos Maia, em Mirassol.

 FICHA TÉCNICA 

 PALMEIRAS 1 X 0 MIRASSOL

Competição Campeonato Paulista (terceira rodada)
Local Arena Barueri, em Barueri (SP)
Data 17 de janeiro de 2026 (sábado)
Horário 20h30 (de Brasília)
Público 12.654 pessoas
Renda R$ 459.197,00
GOL
Palmeiras Flaco López, aos 26′ do 2ºT
Cartões Amarelos
Palmeiras Abel Ferreira, Sosa e Carlos Miguel
Mirassol Shaylon, João Victor, Renato Marques, Reinaldo e Rafael Guanaes
Cartões Vermelhos Nenhum
Arbitragem
Árbitro Lucas Canetto Bellote
Assistentes Danilo Ricardo Simon Manis e Raphael de Albuquerque Lima
VAR Thiago Duarte Peixoto
Escalações
Palmeiras Carlos Miguel; Giay, Gómez (Benedetti), Fuchs e Arthur (Piquerez); Marlon Freitas, Luís Pacheco (Emiliano Martínez) e Maurício; Bruno Rodrigues (Flaco López), Sosa e Vitor Roque (Riquelme Fillipi).
Técnico Palmeiras Abel Ferreira
Mirassol Walter; Daniel Borges, João Victor, Luiz Otávio e Reinaldo; Neto Moura (Renato Marques), Yuri Lara (Lucas Mugni), Shaylon (Galeano) e Eduardo (José Aldo); André Luís e Alesson (Carlos Eduardo).
Técnico Mirassol Rafael Guanaes

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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