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Palmeiras vence o Sporting Cristal e assume liderança do Grupo F da Libertadores
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O Palmeiras segue vivendo um grande momento na temporada. Na noite desta terça-feira, a equipe de Abel Ferreira voltou a mostrar força na Copa Libertadores e derrotou o Sporting Cristal por 2 a 0, no Estádio Alejandro Villanueva, em Lima. Flaco López e Ramón Sosa foram os responsáveis por balançar as redes e garantir mais três pontos para o Verdão.
A vitória amplia para 13 jogos a sequência invicta dos palmeirenses no ano, considerando Libertadores, Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil. Com o resultado, o Palmeiras reassume a liderança do Grupo F, agora com oito pontos somados em quatro partidas. O Sporting Cristal, que iniciou a rodada como líder, cai para a segunda posição com seis.
Cerro Porteño (4 pontos) e Junior Barranquilla (1 ponto) fecham a tabela da chave e ainda se enfrentam na quinta-feira, podendo alterar a configuração do grupo.
Primeiro tempo de intensidade e chances dos dois lados
O jogo começou acelerado. Logo aos quatro minutos, o Sporting Cristal desperdiçou uma grande oportunidade com Ávila, que recebeu livre na área, mas acabou “furando” no momento da finalização. O Palmeiras respondeu rapidamente em um contra-ataque puxado por Allan, mas Lutiger cortou o cruzamento.
O Verdão passou a crescer no jogo e acumular finalizações. Arthur obrigou o goleiro Enríquez a fazer ótima defesa aos 28 minutos, e Marlon Freitas quase marcou na sequência. A pressão surtiu efeito: aos 32, Arias avançou pela esquerda e encontrou Flaco López, que subiu bem para desviar de pé direito e abrir o placar em Lima.
O time da casa tentou reagir com chutes de Castro e González, ambos defendidos por Carlos Miguel, enquanto Arias ainda teve duas boas oportunidades de ampliar antes do intervalo, mas parou na marcação e na defesa adversária.
Segundo tempo: velocidade, contra-ataques e gol de Sosa
Na volta do intervalo, o Palmeiras manteve o ritmo e rapidamente ampliou o marcador. Aos quatro minutos, Flaco López puxou ataque pela esquerda e cruzou; a defesa peruana afastou mal, e Ramón Sosa, atento, completou para o fundo das redes, fazendo 2 a 0.
O Sporting Cristal tentou reagir, mas mostrou pouca eficiência ofensiva. Távara e Vizeu tiveram oportunidades, ambas desperdiçadas. Carlos Miguel voltou a trabalhar com segurança, especialmente aos 28, quando defendeu chute perigoso de Juan González.
Nos minutos finais, o time da casa quase descontou após tentativa de Miguel Araujo, porém o goleiro palmeirense fez grande intervenção e Evangelista salvou em cima da linha no rebote. Já nos acréscimos, nova chegada perigosa dos peruanos acabou anulada por impedimento.
Próximos compromissos
Sporting Cristal
- Jogo: Alianza Lima x Sporting Cristal
- Competição: Campeonato Peruano (14ª rodada)
- Data: 9 de maio de 2026 (sábado)
- Horário: 22h (de Brasília)
- Local: Estádio Alejandro Villanueva, Lima (PER)
Palmeiras
- Jogo: Remo x Palmeiras
- Competição: Campeonato Brasileiro (15ª rodada)
- Data: 10 de maio de 2026 (domingo)
- Horário: 16h (de Brasília)
- Local: Estádio Mangueirão, Belém (PA)
FICHA TÉCNICA
SPORTING CRISTAL-PER 0 x 2 PALMEIRAS
Competição: Copa Libertadores – 4ª rodada
Local: Estádio Alejandro Villanueva, Lima (PER)
Data: 5 de maio de 2026 (terça-feira)
Horário: 19h (de Brasília)
Gols
- Palmeiras:
- Flaco López, aos 32′ do 1º T
- Ramón Sosa, aos 4′ do 2ºT
Cartões
- Amarelos: Ávila, Távara (Sporting Cristal); Gustavo Gómez, Giay (Palmeiras)
- Vermelhos: Nenhum
Arbitragem
- Árbitro: Dario Herrera (ARG)
- Assistentes: Juan Belatti (ARG) e Maximiliano Del Yesso (ARG)
- VAR: Hernan Mastrangelo (ARG)
Sporting Cristal-PER
Diego Enríquez; Leandro Sosa (Wisdom), Miguel Araujo, Rafael Lutiger e Cristiano da Silva; Santiago González (Juan González), Martín Távara (Cabellos), Yoshimar Yotún e Maxloren Castro; Luis Iberico (Gabriel) e Irven Ávila (Felipe Vizeu).
Técnico: Zé Ricardo
Palmeiras
Carlos Miguel; Giay, Gustavo Gómez, Murilo e Arthur (Jefté); Marlon Freitas, Andreas Pereira (Emiliano Martínez), Jhon Arias (Felipe Anderson) e Allan; Ramón Sosa (Lucas Evangelista) e Flaco López (Paulinho).
Técnico: Abel Ferreira
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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