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Palmeiras vence Santos e garante mais três pontos no Paulistão

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Em um clássico paulista marcado pela intensidade e por defesas heroicas, o Palmeiras superou o Santos por 1 a 0 na noite desta quarta-feira, em partida válida pelo Campeonato Paulista. Jogando em casa, o Alviverde contou com um gol de Allan no primeiro tempo para conquistar a vitória e somar pontos importantes na tabela.

O confronto, que prometia fortes emoções, começou com o Palmeiras dominando a posse de bola, impulsionado pelo apoio de sua torcida. No entanto, a equipe encontrava dificuldades para furar o bloqueio defensivo santista e criar chances claras contra o goleiro Gabriel Brazão.

O jogo

A primeira grande oportunidade da partida, curiosamente, foi do Santos. Aos 16 minutos, Thaciano e Barreal construíram boa jogada pela esquerda, que terminou com um cruzamento preciso para Lautaro Díaz. O atacante cabeceou no segundo pau, mas uma intervenção crucial de Khellven salvou o Palmeiras de sofrer o primeiro gol.

Apesar da movimentação inicial, o jogo seguiu morno por boa parte do primeiro tempo. A tensão só foi quebrada aos 40 minutos, quando Allan abriu o placar em Barueri. O meia aproveitou uma sobra no meio de campo e lançou Flaco López, que invadiu a área. Com a saída de Brazão, o atacante rolou para trás, e Allan, de primeira, finalizou com força para balançar as redes e fazer a torcida alviverde explodir.

Segundo tempo

Na volta do intervalo, o Palmeiras quase ampliou sua vantagem. Após um lançamento na área, Veiga ajeitou de cabeça para Flaco López, que testou para o gol. Gabriel Brazão, com uma grande elasticidade, conseguiu desviar a bola com o braço, evitando o segundo gol palmeirense.

A partir desse lance, o Santos tentou se impor e buscar o empate. Contudo, a equipe comandada por Juan Pablo Vojvoda não viveu uma noite inspirada ofensivamente e pouco ameaçou a meta de Carlos Miguel. Nem mesmo a entrada de Gabigol no segundo tempo conseguiu mudar o panorama; o atacante finalizou algumas vezes, mas sem a direção necessária para o gol.

Nos minutos finais, o Palmeiras ainda teve uma chance de ouro para ampliar o placar em um contra-ataque rápido. Vitor Roque disparou sozinho e serviu Luighi, que parou novamente em uma defesa de Brazão. A perda dessa oportunidade não fez falta graças ao brilho de Carlos Miguel, que no último minuto, protagonizou duas defesas consecutivas espetaculares em chutes de Robinho Jr. e Miguelito, garantindo a vitória magra, mas importante, para o Verdão.

Próximos confrontos

Palmeiras

  • Adversário: Mirassol
  • Data e Horário: 17 de janeiro (sábado) | 20h30 (de Brasília)
  • Competição: Campeonato Paulista
  • Local: Arena Barueri

Santos

  • Adversário: Guarani
  • Data e Horário: 18 de janeiro (domingo) | 20h30 (de Brasília)
  • Competição: Campeonato Paulista
  • Local: Brinco de Ouro
FICHA TÉCNICA
Competição Campeonato Paulista (Segunda Rodada)
Palmeiras 1 x 0 Santos
Local Arena Barueri, Barueri (SP)
Data 14 de janeiro (quarta-feira)
Horário 19h30 (de Brasília)
Público 21.342 pessoas
Renda R$ 814.578,00
Cartões Amarelos Igor Vinícius, Adonis Frías (Santos)
Cartões Vermelhos Nenhum
Gols Allan, aos 40′ do 1ºT (Palmeiras)
Arbitragem Árbitro: João Vitor Gobi
Assistentes: Neuza Ines Back e Evandro de Melo Lima
VAR: Adriano de Assis Miranda
Palmeiras Carlos Miguel; Khellven, Murilo, Gómez e Piquerez; Emiliano Martínez (Luis Pacheco), Allan (Belé) e Andreas Pereira (Larson); Veiga (Vitor Roque), Flaco López e Riquelme Fillipi (Luighi).
 Santos Gabriel Brazão; Igor Vinícius, Adonis Frías, Zé Ivaldo e Escobar; Arão (Zé Rafael) e Schmidt; Rollheiser (Miguelito), Barreal, Thaciano (Robinho Jr.) e Lautaro Díaz (Gabigol).

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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